quarta-feira, 24 de junho de 2009

À Cosme e Damião.


Falávamos de evolução. Ela diz que evoluir é sempre bom, eu digo que não. É por evoluir demais que nosso fantástico planeta está morrendo ( www. SOSclima.org ). Foi a evolução que inventou o câncer, e cegou os olhos dos homens com milhões de dólares. E, no caso discutido com ela, fez com que as relações humanas fossem feitas para não durar. E é por isso, caro Papa Joseph, é que a família está acabando e não pela aceitação do homossexualismo ( que sempre existiu). Estou entrando de férias. E férias, pelo menos teoricamente, está intimamente relacionada à liberdade. É o estudante ansioso para dormir e acordar na hora que quiser, sem horários e provas. É o trabalhador louco para não ter de dar satisfação à seu patrão por um espaço de tempo. Mas a palavra liberdade é mais uma dos vocábulos inconsensuais da humanidade, e eu não vou entrar nesse fogo cruzado de definições e verdades. Mas todos sabemos que sem a liberdade o ser humano enlouquece, sufoca-se, morre. O Brasil nunca conquistou a liberdade maior que gritada por Dom Pedro: a liberdade maior. Pego por prova a nossa falta de liberdade total em nossos detalhes pessoais. Uma das canções que mais gosto é 'Não é proibido', da Marisa Monte. Não, ao contrário de minhas outras músicas preferidas, ela não fala de polêmica, nem de amor, nem de violência. Ela fala de doces, de festa, da cara do Brasil da Tarsila, do Oswald, do Mário, da Anita ... Evolucionalmente falando, o homem aprendeu a alimentar-se de inúmeros nomes e tribos: lights, diets, fast-food, slow-food, integrais, orgânicos, vegetarianos, controle de peso, espectador de balança, dos pontos, das calorias, do tipo sanguíneo, da compensação... trazidos especialmente lá de fora, das ricas multinacionais ...transmitidas pela mídia vendida, até você, consumidor final. Pressão! Liberdade tem muito a ver com paz também. Pressão, tantas escolhas urgentes, tantas exigências imagéticas a cumprir definitivamente tira a paz e a leveza. Ficamos o tempo todo preocupados com algo, com mil contas, mil produtos, mil desejos, mil discussões e ainda mais ou primeiramente com o que comer para agradar ... alguém que na verdade eu nunca soube quem é. A música resgata a idéia do nosso, do viver sem culpa, do alimentar-se com delícia e prazer. Da gostosura das coisas simples, com os doces que estão em extinção. agora mesmo, escrevendo esse texto, minha vovózinha apareceu na janela e disse que havia comido um pé de moleque e a boca estava secando... que devia ser o aumento da taxa de glicose. Te juro que ela era muito mais leve e a boca dela não secava antes de ir ao endocrinologista. Psicológico. Mensagens subliminares que estão impregnadas em nós. Não é proibido. É pra dançar. Tá convidadp. A perfeição é a diferença que nos faz únicos.Desamarre essa pequena corrente e seja criança. Não precisa bancar bacana. Eu odeio a evolução, e todos os dias da minha vida procurarei regredir. Com um efeito dominó, é das coisas pequeninas que serão derrubadas as grandes. Será que não percebes que és apenas uma marionete da ditadura corporal, alimentar, do marketing que enriquece os criadores da anorexia, da bulimia, da obesidade, da depressão? De quem roubou sua alma, as espécies de alguns animeis, e aqueceu nossa casa? Te garanto que a química que vem de fora nas porcarias que a gnt come mata muito mais que o gosto da roça do nosso interior. A gente não entendeu a mensagem modernista, e a antropofagia é a primeira chave para atingirmos nossa sonhada liberdade. e brasileiro sabe sonhar muito bem! É preciso vomitar, mas não o bolo de chocolate gostoso que você comeu, mas sim a idéia de que isso é pecado. Meu último segredo: você tá ficando magro ... desaparecendo. E o cofre deles... engordando e tapando sua passagem cada dia mais. E não, Che! Nem toda revolução é feita com armas.
Jujuba, bananada, pipoca,Cocada, queijadinha, sorvete,Chiclete, sundae de chocolate,Uh!Paçoca, mariola, quindim,Frumelo, doce de abóbora com coco,Bala juquinha, algodão doce e manjar.Uh!Venha pra cá, venha comigo!A hora é pra já, não é proibido.Vou te contar: tá divertido,Pode chegar!(uh)Vai ser nesse fim de semana (uh)Manda um e-mail para a Joana vir (uh)Woo.. Uh!(uh)Não precisa bancar o bacana (uh)Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)Traz todo mundo, 'tá liberado, é só chegar.Traz toda a gente, 'tá convidado, é pra dançar,Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!(uh)Jujuba, bananada, pipoca,Cocada, queijadinha, sorvete,Chiclete, sundae de chocolate,UhPaçoca, mariola, quindim,Frumelo, doce de abóbora com coco,Bala juquinha, algodão doce e manjar.UhVenha pra cá, venha comigo!A hora é pra já, não é proibido.Vou te contar: tá divertido,Pode chegar!(uh)Vai ser nesse fim de semana (uh)Manda um e-mail para a Joana vir (uh)Woo.. Uh!Traz todo mundo, 'tá liberado, é só chegar.Traz toda a gente, 'tá convidado, é pra dançar,Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!(uh)Não precisa bancar o bacana (uh)Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)(uh)Yeah(uh)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sobre meus ovários.


Sim, ainda tenho dois e nunca vi como eles são. Só fui ao ginecologista uma vez, e isso é arriscado... Ou não. Afinal “quem procura acha”. Mas existe ainda a possibilidade que se eu procurasse um especialista talvez eles não berrassem tanto assim comigo, me fazendo brinquedo. Um deles é problemático, jurava. Inchaço. Irritabilidade. Sensibilidade extrema. Reações impulsivas. Confusão ( pra variar). Perguntas sem resposta. E daí? Era totalmente suportável, afinal a mulher ovula apenas com um ovário a cada mês. Mês sim, mês não. No limite, mas suportável. E tem a insônia e a mudança de paladar também, que vem de brinde. Mas agora... Adivinhem! São os dois ovários! Todo mês a mesma coisa, e daí vêm à tona meu medo de enlouquecer, e até hoje não descobri a chave que me segura no campo da sanidade. Dois... esse número me faz rir. Pode ser benção e acidente ao mesmo tempo. Dois: paz e amor; bom e mau; certo e errado. Par, complemento, ying yang. Duas metades que se encaixam. Equilíbrio, metade, raiz das metades, dos dobros, das divisões, das somas, das multiplicações. Amor. Amizade. Carta alta. Faixa de CD. Anos. Tempo. Base dos sessenta, dos segundos, das horas. Dois caminhos, os de sempre. A escolha. Dois ovários. Culpados. Dois que divide os 50% de chances de cada escolha sua dar certo. Meu coração andando em duas metades, e não... não é a famosa parte minha e de outra pessoa. São duas metades de duas pessoas distintas mesmo dentro de uma pessoa inteira: eu. Deve ser mal de canceriano. Minha euforia, minha forma quente de viver estava numa juventude impressionante quando essas duas metades se interligavam dentro de mim, como almas gêmeas. É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? Perguntei muito isso por aí, e só ouvi duas respostas SIM em toda a pesquisa, uma amiga e eu claro ( que fiz a pesquisa pra saber qual grau de minhas alucinações atualmente, e tem se agravado) -ambas de câncer-. Ouvi que isso é apenas mais uma de minhas confusões tentando camuflar minha imparcialidade, maneira desgraçada de andar no muro, indecisão. Ou que é apenas um pretexto pro meu desejo íntimo de revolucionar a sociedade pregando a orgia e destruindo a unidade familiar baseada na monogamia. Enfim, as pessoas dizem... como sempre: dizem, acham e tem sempre um idiota que houve, que pede opinião, que chama. Mas do que sinto só eu mesma saberei e eu amo duas pessoas ao mesmo tempo, na verdade eu amo várias, mas aqui estou falando de paixão. Amo uma metade oposta à outra. Amo o gosto real, que vi, senti, cheirei, beijei e toquei.Concreto. Amo uma metade que antes chamaria de irreal, sonho mas que na verdade é tão real quanto à que eu já vivi. Trata-se de vidas envolvidas, e não importa toda história que foi construída pela imaginação, pois foi vivida como algo fisicamente possível. Abstrato. Frio. Dizem na bíblia que não devemos viver de forma morna. E enquanto essas duas metades existiam sem se tocar dentro de mim, eu estava quente. Mas elas se tocaram. Mudaram as peças de lugar, porque partes opostas que entram em atrito, causam deformações nos corpos envolvidos. E o que é o amor? Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Não se regozija com a injustiça, mas com a verdade.Não busca seus próprios interesses. É sofredor, é benigno. Quem ama quer o bem do ser amado. Mas quando se amam dois seres, no fim o rio desemboca naquela coisa odiosa chamada ‘escolha’. Não pela responsabilidade que essa palavra carrega na bagagem, mas pelo caráter banal que ela impõe aos sentimentos e ás pessoas. Escolha: vai querer café com leite ou toddy? Que incômodo! Uma vez escolhida há conseqüências. Numa escolha deve-se comportar como um vidente, pois tenho plena conseqüência que essa minha confusão é um canivete afiado que sempre deixará feridos. É possível sentir amor por duas pessoas ao mesmo tempo sim, mas viver os dois é impossível, a menos que as partes injetem diariamente altas doses de morfina. Num futuro... Quem machucarei mais? Abstrair-se do egoísmo é fundamental. E um libriano é irredutível. Escolhas fecham as portas e, por ser amor traz a dor, recompensada pelo bem de ver quem se ama bem. Meus ovários me deixam sensíveis e estou com tensão pré-menstrual. Escolha. Trajeto novo, eu não esperava. O que fazer? Não sei. Julho chegou e tudo mudou?. Quem sabe daqui a três dias terei essa resposta comigo, e essas dúvidas e dores, se esvaem. Como o sangue que jorra no cio e prepara a mulher para novos tempos de possível fertilidade? Por hoje, só quero dormir.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sobre as mãos.


Estou apaixonada pela forma de suas unhas e pelo belo caimento que há entre elas e seus dedos longos. Amo suas unhas vermelhas. Pintadas è renda. Com patinhas e flores... Amo suas unhas de graxa, cheirando a óleo diesel. Amo unhas sujas de terra, cobertas de massa de bolo, escondidas atrás de nuvens de espuma. Amo suas unhas ruídas ou crescidas, ou o barulho que elas fazem no cortador de unhas. Odeio o barulho áspero que o contato de uma unha lascada faz ao roçar-se num pano. Amo suas linhas de futuro na palma da mão. Amo as palmas que alisam esculturas, que circundam martelos, que lixam a madeira, que limpam a casa, que bordam vidas em toalhas. Amo o violão dedilhado por ti. E o barulhinho do som do teclado esmagado por seus dedos. Falando em dedos... Gosto também de cada dobrinha de pele que há em seus contornos e esconderijos. Amo tocá-las com as pontas dos meus dedos. Amo suas veias, seus músculos e seus tendões pulsando entre minhas mãos pequeninas. Sou apaixonada pelo encaixe perfeito dos seus dedos nos meus. Amo teu calor do toque. Amo seu toque acariciando outros corpos. Estou apaixonada pelo orgulho que é desfilar com você de mãos atadas e da coragem que esse entrelaçamento desperta.Gosto das mãos que descobrem coisas no escuro, que são os olhos do cego, que pariram a criação do homem. Amo me perder nos labirintos de tuas digitais e nunca conseguir encontrar a saída que a água encontra ao escorrer por seus dedos. Amo os poros da sua pele de vida, e adoro quando eles parecem ter sido feitos para apenas beijar os poros das minhas mãos. Amo os beijos na mão e o respeito calado que ganha significado. Gosto das palmas de aniversário, dos socos no ar na comemoração de um gol... Dos socos de raiva, das palmadas de um pai. Dos apertões nas bochechas e na cintura. Gosto das mãos que dão nós em cabelos, que massageiam nucas e aliviam um dia tenso de trabalho. Amo tudo que uma mão diz sem pronunciar alguma palavra e do “evitar” berrado por mãos que não se encaixam ou pelo “ pra sempre” da vida real por trás de mãos num perfeito encaixe. Mãos que fazem guerra... e assinam acordos de paz. Mãos que socam ou mãos que acariciam. Djavan cantou que o amor é um grande laço...e a alma de um laço fica no nódulo que une as duas extremidades distintas e as transformam em uma só. Mãos são os nódulos de todos os possíveis laços. Mãos estão grávidas de amor.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Desconexões II.


Existem os fusos horários que são a diferença de horas a mais ou a menos do lugar onde estou. O lugar onde estou é sempre minha referência. Hoje não estou tão certa de onde estou nem o que ser. Gostaria de estar em todos os lugares menos aqui. Mas qual seria a parte 'todos' dos 'lugares'? Realmente eu não tenho noção. Será que se estivesse em outro lugar ou em outra pele estaria pensando no que estou pensando agora? A hora marcada no relógio varia de acordo com os fusos, mas o tempo dança no mesmo compasso para tudo que existe em qualquer lugar.Injustiça.Se o homem pode estar num lugar mais cedo ou mais tarde, por que não se pode contar o tempo mais rápido ou mais devagar? Se me lembro bem ontem vivi um dia de 24 horas, e as horas saltitaram num piscar de olhos. Cada segundo tinha razão, sentimento, sentido e preenchimento. Hoje é um dia de 24 horas, como ontem. Ando pela casa, escrevo, leio, assisto, converso, como, respiro e o tempo passa arrastado. Nenhum segundo tem razão, nem sentido, nem sentimento e nem preenchimento. A isso tudo chamo de tédio, e não há o que se faezr com ele. O homem inventou tanta coisa bacana, mas não entendo porque ainda não inventou uma caixinha para guardar o tédio. Qual o tamanho, o peso, a natureza disso? O tédio te anestesia.Você quer gritar e não consegue. Quer chorar e não consegue. Quer agir e não consegue. O tédio é o atalho mais curto para o pessimismo e para a confusão. E de confusão ... eu entendo, alimento e dou aula muito bem. É nesses dias que eu arrumo fios que não sei de onde saem para me enrolar. Fico mais embaraçada que um nó cego, um gatinho travesso num novelo de lã, ou que os fones do meu MP4. Não sei se fico, se vou, se páro, se penso, se mudo, se desisto, se luto ... Não sei de nada e cada resposta que atrevo a meter meu nariz puxo ainda aqueles fios repletos de " e se", "talvez" e "quando" para ficar completamente sem saída. No fim do dia minha cabeça dói. Surto. Insônia. Loucura. O tédio é viciado nas perguntas sem resposta. Não me arrependo de nem uma merda, erro, glória que fiz. Se me perguntarem do que me arrependo, eu direi que me arrependo dos dias de tédio. Dos dias de cor creme.

domingo, 10 de maio de 2009

De ressaca.


A Capitu do Machado tinha olhos de ressaca, dissimulados. Ser aceito é a condição fundamental? Por mais que seja repugnante, por mais que tenha sido este a pedra que destruiu teu lar. Está na cultura, está na festa, está no doce. Você continua odiando a sensação do dia seguinte, mas o cheiro líquido te traz as lembranças orgásmicas e você nunca resiste. O álcool é um potente orgasmo. Os dedos adormecem, contorcem ... a dormência sobe pelos braços e percorre teu corpo até as pontas dos pés, te fazendo tremer. E tudo recomeça de novo. Fluxo. Fluido. Êxtase. Frio na barriga. Nó na barriga. Você apaga. Você apaga sem conseguir dormir porque o mundo gira, e gira cada vez mais rápido te deixando tonta e enjoada. É nesse ponto que você se dá conta de que qualquer coisinha domina sua sanidade, que você é um merdinha que vive num corpo que não é teu. A confusão sobre pensar e descobrir qual a tênue linha que te separa da loucura cresce como um pão fermentado, e te engasga e nessa parte você vomita tudo. O álcool te transforma num telespectador 'sllowmotion' de você mesmo. Você observa tudo de fora mesmo vivenciando a cena e ri da própria desgraça. O álcool é desgraçado, a ressaca mais ainda e eu que sei de tudo isso e ainda consumo, sou a mais idiota desgraçada de tudo isso. Te direi que o hálito do meu pai cheirava a álcool. Esse líquido inundou minha casa de gritos, de lágrimas e de tudo que nos tornou estranhos uns aos outros. Álcool é diurético. O diurético fez mijar, urinar, excretar minha família e o amor que um dia senti pelo meu pai. Hoje acordei de ressaca à margem da hipocrisia. Capitu fingia. De ressaca a gente finge. Finge não lembrar das merdas que fizemos andando sobre a corda alcóolica, pois de uma forma ou de outra tudo aquilo fora armazenado em algum lugar mesmo que no extremo inconsciente e está guardado para jorrar a qualquer momento. A farsa por trás dos olhos de ressaca mal dormidos e vermelhos esconde uma irresponsabilidade de cometer novamente e novamente tudo aquilo que já tem-se de exemplo e presságio por um vício pré-existente. Com a cabeça em eco fundamental de um poço fundíssimo você desperta. Num esforço extremo tenta-se dormir de novo. Dormir mais. Possibilidade de esquecimento. Possibilidade de não ter acontecido. Possibilidade de ter acontecido e ter sido lícito e perfeitamente normal. O álcool é ilícito para menores e para o trânsito, e tudo que se faz embebedado acaba por ser ilícito apesar de sensual. O álcool fere o fígado, a alma, incendeia ... O guarda de trânsito pune; o juizado pune; sua consciência pune. Se nada disso fosse assim? As cabeças não girariam tanto, eu não estaria com essa fraqueza, meus pés não estariam gelados e minha consciência não gritaria sempre tão insuportavelmente.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Desconexões.


Um ano. Quatorze de Abril se tornou um marco. E a tal da tristeza e da dor que mesmo calada faz apenas um ano de idade. E nós? Continuamos seres humanos ( embora tantas vezes menos humanos e nem tão seres) com a manina engraçada da tristeza da hora marcada. Verdade que as vezes a tal nos abraça em um momento despreparado de alguma madrugada aleatória, mas sempre haverá a tristeza agendada para alguém. O homem tem sempre a manina de generalizar as coisas e colocar a palavra "todo" nas mais diversas situações no seu cômodo ou pré-destinado ciclo vital. A tristeza com a hora marcada remete a idéia de obrigação, dever. Parecia isso para mim, hoje vejo que a hora chegada é inevitável e não fui eu quem agendei e pedi para que ela voltasse em um ano ... foi a tristeza que agendou com esse "todo" sua aparição nas horas em que o todo cai muito bem. Tem gente que fica triste TODO Natal, outros TODA Páscoa ... tantos odeiam TODO aniversário e uns TODO aniversário de morte de um ente, um ideal ou alguma coisa querida. Eu amo a Páscoa e o Natal e os aniversários e gostaria muito de ser um pato. Mas como ainda insisto infelizmente em ainda ser humana a tristeza tratou de agendar logo uma hora com meu TODO. Eu não poderia ficar de fora dessa! O básico. 14 de Abril. Foi no ano de 2008 e já passou um ano desde então. Isso dói cada dia mais, mas agora já devo falar. Para romper os paradigmas ( mas nem tanto porque somos muito mais iguais que imaginamos) ... o velório foi triste, contudo assisti ao semblante mais angelical e pacífico que cruzou o meu caminho. Na cena máxima de exposição à morte sua doçura cantarolou a vida pura e pulsante, que morte alguma mataria. Em um ano ( e com o costume de dar valor às coisas depois que perde) sei que sobre aquela velhinha pequenina guerreira-palhaça se sustentava literalmente uma grande família. O pilar 'caiu', plantou sua semente mas por enquanto a família ainda continua desmoronada. Não, bisa. Não desacreditarei no amor. declaro que por mais que eu odeie a morte eternamente, que exista a tristeza (ridícula) com hora marcada e que eu não consiga explicar o porquê de ter que sofrer ... eu não tenho medo de amar.Eles não vão conseguir me comvencer de que o amor tem que ser trauma, tem que ser triste. A vida é do gênero que eu escolher filmá-la. Quando o amor ... e todas as vezes que ele bater em minha porta estarei pronta para saltar, por qualquer face que ele vista... amigo, amante, ideal. Um ano de tantos flashes... desses que cegam, ou dos que nos deixam com olhos vermelhos ou daqueles que tcaptam belas fotos. Aprendi ( mesmo ) que devo oferecer a cada um que cruza meu caminho meu melhor olhar de paz e amor e que isso é cuidar do outro, pois um olhar ( apenas um olhar) de fúria pode estuprar uma pessoa e causar danos irreparáveis. A morte mata a vida. E o tempo não preenche tudo. Percebi que tenho apenas 17 anos, e que vivi pouquíssimo tempo de vida. Vida curta. e a vida que tenho por viver é mais longa que a vida que vivi ao seu lado. E como em todas as situações sempre existem dois caminhos a seguir ... posso achar isso um absurdo se optar pela ótima adulta da quantidade... mas se eu olhar pelo lado das crianças da qualidade ... AH!!! Teve que ser como foi e foi belo. Foi bem. Vida breve. Saudade, falta. Saudade do seu riso e do seu cheiro de bebê. O que você diria se visse ( e viu) as pessoas que me cercam esperarem tanto por uma vida que nunca chega , por medo cautela ou sei lá o quê? Você me respondeu na última vez que ouvi sua voz. " Fia a vida passa muito rápido. Não desiste de amar."


E a vida, bisa ... é bonita e breve como as borboletas cantadas pelo meu Cazuza. e a borboleta está pousada em nossos dedos. Vida longa à longa vida que eu ainda tenho para viver sem ti. Bem-vinda tristeza, que tragas sempre nos dias 14 de Abril a gargalhada da melhor pessoa que eu conheci e as sementes que ela plantou para que fossem cultivadas.

Ela conseguiu. Ela viveu mais de 80 anos apaixonada por todas as formas de amar que a vida lhe trouxe e lhe arrancou. Eu não tenho medo.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Marcha do sal.


Houve um tempo que "Where is the love?" era minha música favorita; música de letra forte, crítica, reflexiva e protestante. Foi uma letra a ser admirada, observada e ouvida em volume alto no rádio do carro, contudo não era nada prática no meu mundinho, pois por mais que o mundo retratado por ela questionasse "Where is the love?" , o primeiro mundo que nos afeta de fato somos nós mesmos. E eu mesma não estava ausente de amor, ou confusa de onde ele estivesse. A falta de amor em torno de nós pode chocar e escndalizar, mas só pode ser sentida e doída de fato qaundo este se esconde de nós, de dentro de nós. Na verdade o amor nunca se esvai de um ser humano, visto que é a energia vital de tudo que fazemos.Por exemplo ( no campo cliché das massas que de ler amor logo pensa em amor entre dois amantes de música sertaneja) ... o casamento. O homem pode se casar por amor ao parceiro, por amor à religião, por amor à reputação e status que o tal casamento pode proporcionar, por amor ao inheiro, por amor à não-solidão ... etc, etc, etc ... O fato é que sem o amor o casamento ou o não casamento não existiria, assim como todas as outras coisas. Não entremos na polêmica infindável e insatisfatória de defender o que é ou deixa de ser amor de fato, mas tomemos o fato de que ele é sem dúvidas a energia vital relativa. Votando ao papo de que o amor não se esvai ... na verdade ele veste outras roupas, ocupa outros recipientes, assume outras formas e intensidades. A solidão que sentimento vez em quando é a manifestação dessa mudança de veste do amor que há em cada um de nós, transmuta, modifica, tranfere-se. Na verdade a solidão é a manifestação da ignorância pela nova forma de amor desconhecida, que não sabemos onde está. o vazio preenche-se quando notamos para onde se canalizou o amor de antes. Na minha época de "where is the love?" eu tinha amores certos pela vaidade em busca de um corpo padrão perfeito e pela busca de não "ficar pra titia" e arranjar um belo namorado. Morria de medo de ficar só o futuro e não ser bela o bastante para atrair um homem, amava a não-solidão futura. Acho engraçado que o amor por mais que seja presente nunca é recíproco de nós pela vida, da vida por nós, ou por nossa própria constante insatisfação. Eu amava a não-solidão, e a vida me deixou só enquanto durou esse amor. Até que o tempo que tantas vezes amo e odeio passou compassado, e minha energia amorosa abandonou a vaidade e colocou-a no campo das "futilidades não-essenciais e ridículas". Passei a amar a tal de liberdade que não sei o que é e a busca pela total espontaneidade e intensidade em todos os momentos. foi aí que a vida antagônica me apresentou meu primeiro namorado. A vida é mesmo muito louca e brincalhona. Isso aconteceu a cerca de dois anos atrás ... Desde então eu nunca mais fiquei 'sozinha' e passei a amar a solidão, rara e necessária. O amor vive se esquivando da realidade e todo amor é idealizador, sempre quer o oposto, o perfeito. Passei a amar não o medo de ficar só, mas sim as paixões pelas pessoas de verdade, que eu idealizava. Amei muito. Caí muito. E chegara a hora da minha energia se modificar novamente. Isso me assuatava, tentei reassumir a velha veste, entre idas e vindas e machucando pessoas e a mim mesma. Depois de dois anos sem solterisse, meu amor pela solidão tomou conta d emim e consegui me libertar das correias que me prendiam ao velho medo de ficar só novamente. Estou só e gosto disso. Embora estar um pouco assustada com a nova sensação e achar estranho que não esteja encontrando mais coração serelepe por outro olhar, por planos a dois, por outro sorriso ou não jogar nas costas de alguém a responsabilidade por me fazer feliz. Hoje tenho dois amores certos. Um é o meu amor por ser eu mesma a responsável pela minha felicidade. E o núcleo de todas as minhas raificações de amor de pensar no que fazer da vida que tenho nas mãos, se concentra nos meus amigos. estou completamente apaixonada por cada um deles, a ponto de ao pensar ou estar meu coração se encha de glória. Amo esperar Agosto, não pela dor de saber que ainda estou em Abril, mas pelo amor de todas possibilidades que se erguem após a data marcada. Meu nietzsche fala que todos nós temos nossa própria sentença de granito ... uma das minhas ( que não sei quantas são por não conhecer) é que morrerei amando a vontade de perdoar incondicionalmente e conviver pacificamente ( e amando todos) , por mais que isso seja taxado como bobo, imaturo, ou atestado de não saber nada na vida, ou ser novinha demais para saber das coisas. Essa é minha essência, meu amor que nunca morre. E sei que posso ficar velhinha demais para saber das coisas, mas morrerei sabendo de nada da vida. A falta de amor ao redor de mim continua me assustando, e sendo protestada, gritada por " Where is the love?". Onde está o amor num mundo sem abraços? Está no comodismo de não saber onde está o amor primordial dentro de nós mesmos.





E se o mundo incomoda tanto, sinto atestar que você é o mundo. como querer algo diferente do que se vê, se você mesmo é esse algo que não faz a diferença que jura querer?


Agora lhe pergunto ... Where is the love?
Onde Está O Amor?O que está errado com o mundo mamãe?As pessoas vivendo como se não tivessem mãesAcho que o mundo todo viciou-se no drama.Apenas atraído a coisas que trazem trauma.No exterior,sim, a gente tenta parar com o terrorismoMas ainda temos terroristas vivendo aqui.Nos EUA, a grande CIA.O sangue e os capangas e os KKKMas se você só tem amor pela sua própria raça,Então só sobra espaço para discriminar.E discriminar só gera ódio.E quando você odeia,então, você tende a ficar iradoYeahMaldade é o que você demonstra.E é exatamente assim que a raiva funciona e opera.Cara, você tem que ter amor para endireitar-se.Tome controle da sua mente, e mediteDeixe sua alma levitar para o amor...Pessoas matando, pessoas morrendo.Crianças feridas e você escuta elas chorando.Você consegue praticar o que você prega?E você mudaria sua personalidade?Senhor, Senhor, Senhor nos ajude.Envie-nos algum guia daí de cimaPor que as pessoas me questionam.onde está o amor? (amor)Onde está o amor? (amor)Onde está o amor? (amor)Onde está o amor?O amor, o amor.Simplesmente não é a mesma coisa, sempre em mudançaOs novos dias são estranhos, estará o mundo insâno?Se o amor e paz são tão fortesPorque há partes do amor que não pertencemPaíses jogando bombas.Gases químicos enchendo os pulmões de crianças pequenasCom sofrimento contínuo enquanto a juventude morre cedoEntão pergunte a si mesmo, o amor realmente se foi?Então eu poderei perguntar pra mim mesmo, o que realmente esta acontecendo de errado?Nesse mundo que vivemos pessoas vivem cedendoTomando decisões erradas, apenas visando seus dividendosSem respeitar um ao outro, negando seu irmão.Uma guerra está acontecendo, mas a razão está escondidaA verdade é mantida em segredo, varrida para debaixo do tapete.Se você não conhece a verdade,então não conhece o amor.Onde está o amor? Todos vocês, vamos lá! (eu não sei)Onde está a verdade? Todos vocês, vamos lá (eu não sei)Onde está o amor? Todos vocêsPessoas matando, pessoas morrendo.Crianças feridas e você escuta elas chorando.Você consegue praticar o que você prega?E você mudaria sua personalidade?Senhor, Senhor, Senhor nos ajude.Envie-nos algum guia daí de cimaPor que as pessoas andam me questionando.Cadê o amor? (amor)Onde está o amor? (amor)Onde está o amor? (amor)Onde está o amor?O amor, o amor.Eu sinto o peso do mundo nos meus ombros.Enquanto envelheço,todos vocês,pessoas ficam mais frias.A maioria de nós só nos preocupamos em ganhar dinheiro.O egoísmo está nos guiando para a direção errada.Informações erradas sempre mostradas pela mídia.Imagens negativas são o critério principal.Infectando as mentes jovens mais rápido do que bactéria.As crianças querem agir como elas vêem no cinema.E aí, o que seja que tenha acontecido com os valores de humanidadeO que seja que tenha acontecido com a justiça na igualdadeAo invés de espalharmos amor estamos espalhando desânimoFalta de conhecimento deixando vidas longe de uma unidade.É por isso que as vezes eu me sinto pra baixo.É por isso que as vezes eu me sinto pra mal.Eu não teria por que ficar me sentindo pra baixo.Tenho que manter minha esperança viva até que o amor seja encontradoAgora pergunte para você mesmo!Onde está o amor?Onde está o amor?Onde está o amor?Onde está o amor?Senhor, Senhor, Senhor nos ajude.Envie alguma luz dos céus.Por que as pessoas andam me perguntando.onde está o amor?Cantem comigo, um mundo, um mundo ... nós só temos, um mundo, um mundo ... é tudo que temos, um mundo, um mundo...Tem algo com ele (Yeah)Tem algo errado com ele (Yeah)Tem algo errado com o m-m-mundoNós só temos, um mundo, um mundo .. é tudo o que temos

domingo, 5 de abril de 2009

A irritante.


Sabe Luma, fato mesmo é essa sensação de silêncio que fala me ensinando a amar sem depender, totalmente nova.




Eu nunca senti tão presente essa pedrinha preta do meu coração.Vejo agora que durante minha vida toda amei muito mais o desejo, o contato, a presença física... que o ser desejado, e vivo por trás dessa parafernália toda. Cá estou eu aprendendo a amar o amor.. ( quis e profetizei tanto isso) , e testando ao máximo minha paixão louca pelo tal do silêncio. Ah! Como eu queria sair soltando palavras em vão que pudessem me preencher agora, como eu queria as palavras soltas por aquela voz. Sim, eu sinto o ser que rola minhas lágrimas de alegria e trsiteza o tempo todo comigo... me assustando a cada bandeja que cai, a cada música nossa que toca por acaso, em cada rosto dos amigos dele que trazem um pouco daquele olhar. Pensando bem, que tlice a minha! Odeio essa pedrinha e não estou certa de que encontrei a faquinha para arrancá-la de mim, mas o que me dói não é ela, mas sim a ausência da pedrinha preta da ausência que agora dorme ou foi-se embora de vez ... minha dor quase motivada ou sem motivo real é só essa sensação de alívio e liberdade que me acorrentou nos passos dela ... presença espiritual e constante, extremamente íntima mesmo que totalmente distante. O novo assusta, é como engatinhar. Quero deliciar esse meu amor egoísta com a "força de uma maria-mole." Cada reticência me grita um " eu te amo" proibido ... escarrado pela sua voz alegre e seu riso de um adulto querendo ser criança. Você nunca se despediu de mim, nunca te levei ao aeroporto e você disse que iria ligar. E meus dias que sempre passaram arrastado ... hoje passam voando como um degrau a menos para teus braços. Sei que você nunca chega na hora marcada e tem sido gostoso correr para te conhecer. Esse tempo nos une mais que qualquer laço apertado. E antes de dormir continuo olhando para o céu ... é belo saber que o teto do meu mundo está te tocando como me toca onde quer que você esteja.




beijos na pintinha.


da Amélie com saudades.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sobre os olhos.


Outra coisa que está na categoria das "coisas que eu mais admiro na natureza" são os olhos e seu jogo mágico de cores e expressões. O olho, que tanto achamos belo, na verdade é uma venda... e não falo de falsidades e afins.


É interessante e óbvio que o tempo muda e cabe a nós mudarmos com ele ou permanecermos estáticos presos a nossa falsa moral intacta. Certamente já imaginou-se deficiente físico ( pois metafísco já somos demasiadamente). De todas as deficiências físicas eu costumava temer a deficiênia visual. Achava mais fácil nascer e morrer cego; mas o fato de nascer vendo e tornar-se cego me assustava demais. Enfim, cegueira era sofrimento e só. Imagina a dro de não poder mais ver um pôr-do-sol, o rosto de quem se ama, o espetáculo de um arco-íris. Sim, essa perda dói. Mas a cegueira me revelou outro lado de suas faces. Caríssimos, a cegueira é uma benção! Como seria um mundo cego? Começaremos pelo tato ... o deficiente visual precisa tocar as coisas, sentir sua textura, seu calor ... para reconhecê-las. A falta de tato seria exterminada pela sua necessidade. Cada toque nos dias de hoje, age como um choque, algo proibido, pecado, perda de tempo para um mundo que só age... sem parar para respirar. Não são só os carros que estão blindados, os seres humanos estão mais blindados que eles. ( Duvida? Sua palma da mão está aí o tempo todo, mas você dificilmente a sente presente. Vé me frente e procure sentí-la! Verás que é um sentimento bem novo.) Cada manhã acordo querendo pintar meu dia de uma cor distinta do dia anterios, mas não posso fazer isso pois as cores são concretas, vende-se em lojas e custam dinheiro. Cego, minhas paredes, as flores , os olhos ... poderiam ser repintados pelo que me é direito ... colorir pela emoção, minha ou do outro. Acreditar no que o outro fala é coisa rara, pois insistimos em nos mascarar pelos medos... da efemeridade das coisas, do sofrimento, da decepção ... Por onde anda a tal da Confiança? Certamente escondida atrás daquele costume de "não ouvirmos, mas apenas esperar nossa vez de falar." Depender dos outros seria a alforria de libertação do nosso mais rígido casulo de egoísmo. Depender não significa acomodar. O cego tem de lutar mais e ir perto das coisas, contando tantas vezes com a cumplicidade alheia, mas no fim.. ele anda apenas com suas pernas. Sobre o cheiro? Ah.. o cheiro ... aquele amigo que se desintegrou com o emaranhado dos "fast-foods"e matou o cheiro do pão de queijo quente ... do café com leite em casa, do suor, do sexo, das flores, da urina, do cabelo da sua mãe... do meu, do seu ... Cheiros disfarçados por perfumes caros, detergente e desodorantes que no fim deixa tudo com um cheiro de shopping, de embalagem reciclável que anestesia e faz dormir o olfato humano. O espelho... seriam todos quebrados para alívio geral! Aquele mosntro que salienta os "defeitos" ( que na verdade são apenas a diferença, a beleza fundamental e individual) e nos faz querer ser iguais, padronizados, agradar a visão de outrem para satisfazer o ego. Não existe beleza, existe padronificação. Num mundo cego dificilmente haveria tantos padrões fúteis. Poderíamos nos vestir daquela roupa que tanto dizem ser ridículas mas que nos deixa tão bem e confortáveis. Não compraríamos tantas roupas e acessórios excessivos, pois aquele mesmo detalhe poderia ser repintado várias vezes pela nossa imaginação. A vida deveria ser simples, mas a complexidade de ser observado o tempo todo e não saber lidar com isso, sufocou seu real sentido. Não enxergaríamos tantos sonhos comuns que no fundo não é nada daquilo que combina com você, e não seria tão louco ter seu próprio sonho, seu próprio passo. O que mais me irrita é a confusão predominante de confundir amor com desejo, que num mundo sem visão repousaria na sua falsidade. O amor despertaria de seu longo sono e nos ensinaria que amar é amar o ser amado e não o desejo. Amores mais profundos, menos brutos.. crescentes na curva de cada detalhe íntimo sentidos de perto. O beijo teria mais gosto, os ingredientes daquela receita seria sentido no seu paladar. Tudo não teria um gosto uniforme do todo. veja só que contradição! É necessário perder a visão para se ver verdadeiramente os detalhes. Cazuza já catnava essa vida oposta que se escancara aos meus olhos. São pelos olhos que os outros sentidos tornam-se deficientes, esconde-se a delícia. Pior que adormecer os sentidos, é ter a visão perfeita e fingir que não se vê.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O dia verde.


Daqueles dias verdes da cor do gel da pia do seu banheiro. Daqueles dias em que tudo faz sentido e que todas as cores chegam fortes e belas à seus olhos. Daqueles dias sem motivo, que só precisam existir para que se abra um sorriso. É nesse dia que se tem vontade de sair de roupa amarela num gramado verde e bem grande, coberto por um teto de céu azul intenso e limpo e sem nuvens ... iluminado pela luz de um sol invisível, ouvindo folk rock.

No dia verde tem-se vontade de sair por aí comendo algodão doce e soltando pipas de cores lumimosas. Hoje a vida faz sentido e o ar tem cheiro de infância. Aquele dia que de tão bom por não ser nada ou tudo, camufla-se atrás de um medo inocente e perturbador de ter o dia e o tempo na mão chocando-se com a possibilidade de não fazer as escolhas certas para colher essa oportunidade de simplesmente estar vivo e deixar escorrer pelos dedos o rio de amor que te inunda, frustando o presente que se tem: o dia de hoje.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009




Ora, companheiro! Não é tão difícil assim o saber do como pontuar cada ponto em seu devido berço. Não sabendo nem minhas digitais de cór, não seria agora que apoiaria meu olho manco numa muleta de vida alheia. Vou escorar numa dessas paradas da minha vivência pra lhe ensinar um pouco de gramática.


Era uma vez essa história que começa onde toda história começa, não explicando o que se entende e não entendendo nada mais uma vez, esbarrando numa dessas peripécias de intertextualidade armadas pelo tal de destino e seus derivados. A história tinha querer próprio e por isso não desejaria ser crua e nem comum, e olha lá que ela conseguiu ser o máximo de turbulenta e única possível! Resolveu então escrever-se equilibrando perigosamente sobre um muro longo, porém finito. Um travessão Renascentista andava despercebido quando encontrou outro travessão de texto de prosa tropicalista. foi aí que o texto tornou-se um só, cheio de palavras de liberdade e poesia. Contudo, é prache, é óbvio que todo movimento vanguardista é perseguido pelo classicismo das formas, que aliás, mesmo fugindo, os travessões já estavam impregnados dessas moralidades e compromissos. Seguiram-se versos de luta e quetionamento sobre qual forma seguir. O texto pendeu-se de forma triangular, e tudo que é triãngulo deixa um lado desolado, espeta e dói. Dentre os novos períodos, frases e orações que surgiam ouviu-se berros e exaltações de exclamações, dúvidas e mentiras de interrogações, restrições de pontos-e-vírgulas ... vírgulas de desespero e retomada de fôlego, e o texto enfim fragmentou-se em reticências mal-explicadas e secretas até os dias de hoje. Reticências implicam continuidade e o destino sentiu-se desafiado novamente, sendo forçado a armar novo intertexto inimaginável. Num tropeço os dois travessões mal-resolvidos ficaram frente-a-frente de novamente. Invocou-se os dois-pontos, que era pra que os doisse explicassem diante dos fatos. Resolveu-se nada, mas foi falado o perdão, recordado a poesia, relatado dos textos vivenciados nos parágrafos de separação. Um travessão ampliou-se diante da vida, o outro partiu-se em cacos e vice-versa. Avistaram que a caminhada no muro estava findando-se, pois o muro mesmo estava prestes a findar e era preciso decidir pra qual lado saltar, com qual pontuação finalizar aquela história. Num parágrafo forçado de distância o ponto e vírgula fez seu papel de guarda para que os travessões refletissem bem sobre o tal do fim. O ponto tratou de impedir textos antigos de chegar perto do texto reencontrado, e a vírgula cuidou de lembrar os travessões que uma decisão era indispensável e iminente. No início do novo período perceberam que não haviam tantas interrogações que satisfizessem inúmeros questionamentos, e não haviam aspas que lhe desse coragem ou resposta. Um travessão saltou para um lado quebrando uma perna de poesia. o outro travessão saltou para o lado oposto, amputando um braço de emoção. o tema e o lema dessa história sempre fora a paixão, portanto não caberia aqui uma brecha de reticências de amizade. Essa história termina onde toda história termina ou é arrancada pela vida ... termina onde você passa a entender menos ainda das vidas e das coisas, e berra de angústia e se sente velho demais para um novo texto ... que durma então o velho manco nos braços simples de uma promessa pontuada por um ponto final.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"Perdendo os dentes."


Já viu puta beijar a boca do cliente ternamente ou vender filme pornô de beijo na boa? Não. A verdade sobre o beijo é que é muito mais íntimo que o sexo. No beijo você sente o outro por completo, a respiração, os poros se encaixando, a temperatura, a personalidade, o sentimento.É em um beijo que os amantes de um romance chegam ao ápice de seu amor. No sexo você só precisa de tesão , é você obtendo prazer por você mesmo.

Você vai à grife para comprar roupa, vai ao restaurante para comprar comida, vai ao bar para comprar bebida ... vai ao Orkut para comprar expiação da vida alheia e fofoca e tudo é movido pelo comércio afinal somos capitalistas. Compre, compre, compre, até se sentir completo. Completo de quê? E essa insatisfação incoerente de não se sabe o que te move para frente com a propaganda e a promessa de que “quando comprar o carro do não será feliz e satisfeito”, mas daí nasce outro ano e outro carro do ano e você se move para comprar infinitos carros do ano e percebe que está vazio e que a felicidade prometida é uma farsa. Brindamos então a indústria inesgotável do materialismo! O que me entristece é ter consciência dessa merda toda e mesmo assim estar impregnada desse ar repugnante. O grande escândalo em questão não é a ditadura do compre produtos mais e mais, afinal os produtos existem justamente para serem comprados mais e mais, é relação de causa e conseqüência, justíssima aliás. O escândalo é em que coisa fútil e material o consumismo transformou nossas emoções. Sendo emoção indiscutivelmente subjetiva, não deveria haver comércio objetivo sobre essa coisa conotativa das emoções. Emoção é feita para ser sentida, expressada, demonstrada. Contudo, no mundo capitalista ganha mais quem produz mais numa maior efemeridade de tempo, sentir exige tempo, não dá lucro e é sinônimo de fracasso. Mas o que vejo e faço é ir a todos os lugares não mais para dançar ou pelos produtos. Vamos para comprar beijo na boa, e o preço pode ser destruir a você mesmo e acabar punindo-se eternamente por sua própria consciência ou dos outros, ou ficar vazio simplesmente por fazer a outra parte envolvida sofrer, e se apaixonar e pagar na mesma moeda. Atrás da capa bonita e perfumada que passeia por aí existem olhos tentando simplesmente fugir de ser eles mesmos, fugir do sentir, e ser aceito pela sociedade, seguir o ritmo desenfreado do consumismo das emoções. O beijo tornou-se o alimento da vaidade , do ego. Quem mais é desejado mais é vangloriado, por si só e pelos outros. Auto-estima e status são diretamente proporcionais à quantidade de beijos sem sentido e sentimento que se ganha. Nunca fomos vítimas do materialismo pois optamos por ele, afundamos nele com nossas próprias mãos . Beijo era pra ser demonstração de afeto ou consumação dele, e não consumo. O beijo na testa seria respeito; na bochecha, cumplicidade; nos olhos, confiança; na ponta do nariz ... inocência; no queixo, intimidade; nas mãos, servidão e lealdade; nos pés, humildade e na boca, paixão. Ao dizer que beijos não são contratos Shakespeare não disse “beijo não significa nada” ... ele disse apensa que o amor, o sentimento por trás de um beijo não precisaria ser rotulado, nem cobrado, para ter significado, para existir e se consumar. Tudo isso foi substituído pelas mil bocas das noites de micareta ou pela barraquinha do beijo das festas juninas. Sei bem o que é um beijo. O beijo é um laço de sentimentos, desejos, e conhecimento em relação ao outro. Mas mesmo assim ajo em total desacordo com o que penso, sinto e sei. Essa é a lei do século: que reine a hipocrisia! Não conheço simplesmente por ter lido em livros ou assistido em filmes, sei do significado de um beijo porque já amei, e de fato não soube amar, não soube conciliar o meu saber com a pregação do mundo. Sou completamente apaixonada por beijo na boa, mas de um tempo para cá tenho buscado ou vivido beijos apenas pelo roçar na boca, por uma noite, só pelo físico, puramente por vaidade e falsa concepção de liberdade. Percebo que todos os beijos, no final da noite, foram só bocas que me aproximaram da solidão, que não me deram um mínimo de prazer, que eu nem estava lá de fato. É disso que eu tenho vergonha e nojo de mim mesma e de meus companheiros. O beijo bom que eu tanto buscava eu não encontraria na técnica dos beijoqueiros de plantão por aí, ele estava o tempo todo na boca do meu amor. Não adiantaria criar mil possibilidades de romances sendo que eu não estaria sentindo aquilo de fato, nem dormindo e nem acordada, em coma. É preciso ás vezes notar o valor das coisas pela sua ausência. Não suporto mais minha face canalha. Eu que tanto busquei ser diferente acabei caindo no lugar comum. Que eu sinta falta do beijo, do amor por trás do beijo, do seu beijo, e sinta na sua ausência seu verdadeiro valor. Mando meu vício para quarentena, em busca da cura, pelo menos de mim mesma
.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009



É nova madrugada, encantadamente rara e sublime. O sono mais uma vez me abandonou e sei que amanhã odiarei esse tal de atrevimento que avida me lasca , sei de tuas ilusões e armadilhas ... mas é que hoje eu sei amar. Consciente ou alucinada ... de ter vivido inúmeras cenas de graça e desgraça. Engraçado que em muitos eu não estive, e em outros tantos tenho a impressão de que passaram em branco. Algo me protegeu para que hoje eu pudesse amar toda essa orgia de lembranças. hoje tenho a certeza de que já vivi intensamente, e só por hoje não me arrependerei dos meus erros, pois até o que borrei na pintura me faz amante. Hoje .... bem ... continuo não entendendo algo ou tudo, mas só por hoje não "estou" desejo, nem sonho, nem reflexão, nem senso ... "estou" recordação, e só, sem pensar, em delírio. Já estava com saudade dessa saudade que faz cócegas, que faz bem. Amo o amor. Aplaudo a menina cega que fez da vida e das muitas que virão ou se cruzaram o máximo ou o mínimo, mas o fato, a saudade ... com suas próprias pernas. Lembra-se daquele dia que você ou você ou até mesmo você me anunciou num consolo-cliché meio que desacreditado ... " Um dia vamos rir de tudo isso"? Meu caro, minha cara, messa suas palavras pois eis o dia aí, batendo no teu nariz. hoje não teve febre, teve delícia de angústia ou de alegria. tudo é gozo, tudo é carnaval. Perdoe-me pelas vezes que amaldiçoei essa saudade com gosto de algodão doce, pois hoje faço é agradecer pela capacidade de sentir essa saudade que tem forma só de sentimento, hoje minha razão tirou folga. Hoje, nêga, seu céu é negro com lilás e o meu é sem lua e silencioso... não vê que é aí que mora a beleza? Se esse teu 'tchau" vier nunca vai me convencer,porque até ele será belo e a beleza é eterna e é ele que vai me encantar dia após dia, como nesse dia perfeito. Ouço. Cheiro. Canto. Vejo de olhos bem arregalados. tudo que dormia sentou ao meu lado nessa noite de insonia, e que muitas asim venham me visitar.






Sobre a teia ... me rendo. Não estamos sós, porque nessa noite eu sou minha .... Presente!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A última vez


Dessa vez era um desejo triste. O som que se ouvia era baixo e as notas musicais pareciam acorrentadas ao passado de beleza, trazendo em cada batida a dor de mais um final. Não era apenas um final, era o final daquela vida dividida, daquela dependência de alma e daquele encaixe perfeito entre dois corpos. O beijo remetia à primeira vez, mas com a melancolia quente, calma e molhada da despedida. O cheiro no ar não era mais dos perfumes que batizaram aquela união, era um cheiro de álcool suado e sujo das grades de erros, traições, invejas e metiras que acompanharam fielmente o amor que finda desde os tempos de nenêm. aqueles dois corpos fizeram amor como se fosse o fim do mundo, com prazer e nojo circulando nas veias. O sangue que banhava as mãos e as roupas não deixava esquecer que ali jazia um ponto final de felicidade, e sua herança seria a dor de um coração que sangra e morre nesse último erro. Se amaram sabendo que não era direito, que os olhos estavam inchados, que o sangue tinha odor de raiva e culpa. O amor por certo não compreendeu o fim de tanto querer e de tanta paz, mas as lágrimas sabiam que todo fim é triste. Certamente aquele fora o final mais tristonho que uma lágrima noticiou cuspindo suas verdades perfeitas. Difilmente existirá da mesma forma no mundo daqueles dois corpos beijos e poros e mãos que se completem no todo. o fato é que todo erro deve ser punido e o sangue jamais sairá das unhas. A voz calou-se em um ' Quem, além de você?' ... E nas mãos de deus repousou o espírito.

domingo, 15 de fevereiro de 2009








Era uma vez o coraçãozinho do chão de algodão doce queimado ignorante numa tal de felicidade. Era uma vez, nessa terra de doçura, a coisa que se chamava certo e a outra coisa que se chamava errado. Certo e errado eram peregrinos absolutos e sem raiz que viviam guerreando pelo controle do coraçãozinho. O império foi duradouro, mas o coraçãozinho esperava seu Messias. era uma vez um tal de amor, que era a terceira coisa escondida. O amor chegou ao coração crescido e queimado ... e foi quando o certo e o errado passaram como se nunca tivessem existido. Coraçãozinho virou acrobata.

























(Para Aline)


Oi, meu nome é Talita ... sou alcóolatra.



O bêbado andava trocando os passos

Em trapos que não eram de respeito

Pelas árvores distribuía seus abraços

Dançando no meio do tempo

Como quem conheceu o país das maravilhas

No seu passo de tropeço de ALice

Embriagado de sonhos

Gostava mesmo de andar tropeçando

Mas para ele trpeçava quem andava reto

O bêbado sabia da vida incerta

e sabia que, de andar trocando os passos

Chegaria a um ponto que não seria compreendido

Pelos que não corriam atrás de borboletas falantes

E sabia que seu destino torto

Teria por fim não a morte

Mas a solidão .

(de Amélie pra Alice)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

No colo das lágrimas....


Fotografia(Leoni/Leo Jaime)


Hoje o mar faz onda feito criançaNo balanço calmo a gente descansaNessas horas dorme longe a lembrançaDe ser felizQuando a tarde toma a gente nos braçosSopra um vento que dissolve o cansaçoÉ o avesso do esforço que eu façoPra ser feliz O que vai ficar na fotografiaSão os laços invisíveis que haviaAs cores, figuras, motivosO sol passando sobre os amigosHistórias, bebidas, sorrisosE afeto em frente ao mar.Quando as sombras vão ficando compridasEnchendo a casa de silêncio e preguiçaNessas horas é que Deus deixa pistasPra eu ser felizE quando o dia não passar de um retratoColorindo de saudade o meu quartoSó aí vou ter certeza de fatoQue eu fui felizO que vai ficar na fotografiaSão os laços invisíveis que haviaAs cores, figuras, motivosO sol passando sobre os amigosHistórias, bebidas, sorrisosE afeto em frente ao mar.

sábado, 7 de fevereiro de 2009


Senhoras e senhores,


Se conheces esse tudo que engloba e ata nos braços desde o portão multicolor da sua casa a alguma espécie de sentimento, descobri algo muito importante e vago, sobre ele. Tudo nesse tudo e ao todo, é o que parece, e "parecer" é algo totalmente subjetivo. A crença e o objeto acreditado dependem da cor que desperta por detrás do seu daltonismo, da minha catarata, daquela planta bipolar ... pois até a verdade é inexistente. A verdade é uma mentira que se torna verídica em absoluto devido ao ego de quem a conta. Até a verdade tem dois ou mais lados, e só deve-se escolher para qual lado duelar. Até a mentira que se escolhe servir tem suas falhas, e quando nota-se tais falhas e tal inexatidão de coisas que se crê, se vê, se sente, se bebe ... é preciso tapar os olhos com uma venda que te proteja do perigo de ser você mesmo, da loucura e do desespero. Desespero de saber que até o tudo é relativo e sobrepostamente generalizado, e tens nas mãos a chave dessa vida inventada e volúvel que não se pode escapar pois a algema que te imobiliza é o próprio tempo. Não podes fazer absolutamente nada que te faça ter um pingo de certeza cega de alguma minúcia desse tudo. A resposta de todas as perguntas sem respostas, que nos atingem mais frequentemente de acordo com o avançar da idade, é a própria não-resposta, a incerteza, a faca de dois gumes que corta pelo saber que até a cor que se enxerga pode ser reinterpretada, reinventada e servir a outros senhores ... o pior de tudo é que não se mode modificar nenhum detalhe. A verdade é a lei da vida, e é nos detalhes que essa coisa frágil se apoia. Falemos dessa verdade que se busca desde sempre e incansavelmente que no fim de alguma parte desse trajeto cria-se a consciência de que ela é apenas mais um fantasma. Fantasma-maestro que rege a moral, a religião, a vaidade .. e que te assombra e te engessa.



Divirtam-se.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Dei com a cara no espelho e pá-pum!


Quero sempre essas bochechas grandes e rosadas e pintadas de sardas...
Quero-a grande que se destaque de meu corpo e me faça lembrar das gostosuras da vida!Cenário de um beijo molhado, de um apertão irritante, de um chocolate perfumado...
Tão grande que lembre minha infância e meu rosto redondo de antes da puberdade e de cair no chão da vida que se fez pó... e tão grande que revele mais embaixo minhas saboneteiras! Ahhh saboneteiras que vinícuis já cantou e que fazem de mim, mulher ...
Que se pintem de rosa para eu não me esquecer das cores vivas e avançar por cima do cinza... que é pra acabar com toda a tristeza e lembrar dos detalhes dessa perfeição do mistério... Que sejam coradas para eu lembrar meu suor vermelho da sensação de liberdade em correr para qualquer lugar... e por fim estejam carimbadas pelo sol de samba quente que lembra que apesar de tudo o outro dia amanheceu, e nesse dia eu escolhi sorrir ... como um certo alguém me ensinou certa vez que é preciso passar a essência a diante....
E que imprimam, como ponto final, sardas redondas que é pra eu me lembrar de meus erros e dores e não esquecer das marcas que fizeram de mim uma parte de tristeza que é pra eu entender que a vida acontece além do mundo dos sonhos, e assim poder dar mais valor aos raros mas intensos momentos de alegria.
Bochechas
minhas
eu.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Toda pintada de piadas ...







Hoje eu bati o vão que separa um pedaço pequenino do osso do meu cotovelo direito de sua outra metade pequenina e pontuda, que tem formato semelhante a uma gota achatada e maciça contra a fechadura de argola minúscula da dispensa daqui de casa e rolei no chão de dor que se misturou ao choque e deixou tudo dormente e imóvel, ruindo meu braço meio desengonçado por alguns minutos ...

E de repente me vi no quarto com a cabeça batendo na parede e as lágrimas rolando novamente por sua ausência. O que me dói é não poder tocar a pintinha no rosto do meu mais novo membro dormente, amputado, em coma.
Mas vem você de não sei onde, me deixando tonta com sua fala inquieta e exalando seu perfume de morango com gosto de pêra de areia doce e me convida para mais um passeio gelado de botas apertadas e os melhores abraços ...

Tempo, tempo, tempo, mano velho ...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ashes (Cinzas) - Munch


Nunca vi nada que falasse sobre o depois do "felizes para sempre". Todo filme, toda novela, todo romance acaba assim, e arrastamos a vida à procura dessa ... não diria ilusão pois é completamente alcançável, diria fase. Sim, senhoras e senhores, aquele amor impossível, que luta, que cresce, que sobrevive e que cai nos seus braços em um dia tão sonhado é apenas uma fase da vida. Eu gostaria realmente que o "felizes para sempre" fosse o ponto final da vida, mas isso só acontece na ficção, a vida não acaba aí... pelo contrário, começa-se um novo ciclo e sua estabilidade me assusta. Acho que já atingi esse ponto magno da inocência, do sonho e da paixão ... e agora me respondam poetas, cineastas, diretores : o que fazer agora? É cômico essa desilusão. Busco a chave, o ponto que deixa o pós-final-feliz tão oposto ao início do que se chama amor. Diga-me onde se esconderam as palavras depois de tanto tempo de casamento daquele casal tão divertido e apaixonado? Depois que se tem o causador dos seus devaneios noturnos nos braços, sem mistério e completamente seu ... onde foram esses devaneios e essa insanidade que deixava tudo com gosto de novidade, de proibido, de conto-de-fadas. Digo pra quem defende que contos-de-fadas não existem que eles existem sim, o que não existe é aquela cena eterna de dois seres totalmente deles mesmos deitados lado a lado se amando intensamente ... tudo bem que eles podem ficar na cama durante dias, até uma semana quem sabe... mas o que os livros não contam é que o ser humano tem fome, tem sede, tem de ir ao banheiro, escovar os dentes e ir trabalhar. O que os filmes não contam é que o amado tem defeitos e manias, que podem claramente ser objeto de atração mas que no fim da convivência torna-se o estopim de uma discussão, duas discussões, um tempo longe, um beijo evitado, aumento da carga horária no trabalho, sumiço total das palavras... triste fim de relacionamentos. O curioso é que existem relacionamentos que mesmo tendo a sensação de que ambos são completamente estranhos um ao outro ou raivosos na relação, eles evitem que ela se finda ... continuam juntos, porém escandalozamente distantes, daí vem-se justificativas de servir a uma tal de sociedade de aparências que eu não entendo a lógica pois implica fingir, atuar e isso custa caro. Paga-se atuação com infelicidade, e sinceramente nunca quis isso para mim. Mas, existe outra coisa que tenho observado para tal postura além dessa hipocresia social: dependência. depender de alguém para sorrir é bom... para confidenciar algo é belo ... para ouvir a serenata que você preparou com tanto carinho, para dividir a cama ... tudo bem. Dependência construtiva! Mas a rotina que esfria os relacionamentos traz outro tipo de dependência, a dependência que te impede de ser você mesmo, que compra sua liberdade pois quando se apaixona devemos ceder, passamos a ser um do outro tão completamente que perdemos o prazer de faezr o que fazia de nós "eu" e, apesar de não nascer pregados nos amados assim o fazemos e sem eles perdemos o chão, e mesmo estando infelizes , as vezes não buscamos o término ou uma nova oportunidade de ser feliz por estarmos reféns do envolvimento e não sabermos em que chão pisamos sozinhos. você esquece de sonhar sozinho, mete os pés pelas mãos, assume responsabilidades que não te permite mais escapatória. Passam-se anos, passa-se a vida e morre-se triste. Sinceramente relacionamento devia ser paixão, e conversas e risos e durar enquanto essa adrenalina durasse, mas não, persistimos prolongar e tudo acaba insuportávelmente irritante, até deixarmos de acreditar no amor. Se encarássemos os fatos sem tanta cobrança de eternidades, se ficar com alguém por promessas deixasse de ser obrigação, infildelidade não existiria, pois infidelidade para mim é atração, mas empurrado pela falta de asistência. Mais belo ainda seria acabarmos todos amigos, pois dividir a cama com alguém é ser muito íntimo daquela pessoa para acabar apenas porque a paixão se foi. Visto que amor é paixão e amizade de mãos atadas, é óbvio que diante de tantas estradas uma hora as duas mãos irão se desatar e seguir rumos opostos, e aí devemos seguir junto com a amizade porque de guerra o mundo já está saturado. Mas isso seria sabedoria demais para esse mundo cão! Seria evolução demais... só sei que não seguirei esse curso e correrei léguas se preciso for para viver eternamente apaixonada. Chamem do que quiser, eu chamo de "carpe diem". Mil paixões, mil universos, uma vida bem vivida. Que me rotulem como Confusão!, já não me importo mais, pois agora sei o que quero e amo o que sei, "ondes queres um lar, revolução". Cá me lembro Vinícius de Moraes e seus nove casamentos e seus incontáveis amores intensos, que o deixaram morrer feliz e com a sensação de ter o mundo nas mãos...

sábado, 24 de janeiro de 2009

... a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes ...


Queijo com goiabada, café com leite, arroz com feijão, Romeu com Julieta ... a química inegável entre dois elementos se mostra na forma desses clichés e não pode ser negada, visto que as partes envolvidas encaixam-se perfeitamente entre si, sem sobreposições, preenchem-se com liberdade absoluta de serem feitos para essa reciprocidade que desconheço a raiz. Essa raiz recíproca com certeza não existe entre Ernesto "Che" Guevara e Talita Confusão. Desde que me apaixonei por história e entendi seu real valor, vago pelo mundo enfiando a cabeça em debates, e livros, e teorias sensacionalistas que defendem a qualquer custo a face de herói de Che, até hoje não encontrei justificativa palpável que me enfie na cabeça que estou errada a não aderir ao 'Guevarismo'. Acho mesmo que a única justificativa para o rosto desse homem estar em tantas camisetas, tatuagens, pôsteres ... é um coquetel da falta de heróis ( divulgados ) latino-amerianos, com uma pitada de ignorância nativa e o catolicismo com seus ídolos. Eu aceitaria Che como herói se este fosse visto (aqui) com o conceito europeu do que é ser herói. Na Europa, a palavra herói define um homem ( com defeitos e qualidades à mostra), ou uma ideologia por trás de homens, ou ações que essa ideologia promoveu. Estar diante de um herói, na europa, é estar diante de alguém que se admira, com seus defeitos e qualidades, conhecendo e perpetuando a idéia que não morre com o homem, e não usar disso para fazer dele um comércio. Outro fato interessante é que lá há democracia de heróis, ou seja, temos(por exemplo) Joana D'ark, Alexandre, Napoleão, Hitler ... uma variedade democrática de rostos, idéias e métodos diferentes em que se é livre para escolher quem admirar. E o que explica essa variedade de heróis? tirando a parte européia que colonizou o Brasil, os demais países negaram o ócio monárquico e passaram a trabalhar com seus próprios braços, sem condições territoriais favoráveis foram obrigados a pensar e lutar para que seu canto sobrevivesse, sem sensacionalismos, e a partir de sua criatividade inventaram o homem que pensa e disseram não ao homem gordo dos banquetes lusitanos infindáveis, e hoje por lá, como herança do NEG-ÓCIO, o protesto, o grito e a revolução passa aser rotina, direito e dever. Já na América Latina a concepção de herói ultrapassa os limites da admiração e passa a entrar no campo religioso, atinge o status de santo, endeusado com perfeição absoluta, mesmo que a maioria que estampe o rosto de Che na camiseta não saiba nem o que ele defendia ou o que ele fez, mas a face já é moda, é atrativo, é comércio, é lucro, é popular, é bonito fingir ser politizado. Che seria um messias para os latinos e por isso, sobre-humanamente não contestável, sem defeitos, sem erros ... e lá se vai a cegueira geral ... Aqui não há grande variedade de heróis divulgados cujas razões não vem ao caso mas se resumem em a pseudo-liberdade das ex-colônias. Che é o ópio que nos permite fantasiar que somos seres ativos nas decisões do mundo e que existe vestígio patriótico em nosso meio. Não conheci Che, óbvio, não sei como era sua pessoa, deixo claro aqui que desconheço essa realidade e que o que eu odeio é o Che-mito que é apenas um rosto estampado numa camiseta. Che foi um homem que não acreditava em revolução sem violência, tinha asma, era médico, trabalhou num leprosário no Peru, foi aventureiro, defendia a tortura e a ditadura, defendia a guerra biológica,trabalhava muito estudava muito, etc ... Eu amaria Che se, apesar de sua morte, seus ideias ainda estivessem vivos , se meus conterrâneos não fossem tão ufanistas (cegos) e não tivessem preguiça a ponto de passar dias inteiros em frente a uma televisão, com a bunda pregada em um sofá quando há corrupção e miséria em seu país.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Em minha madrugada cinzenta, fria, escura, insone e dolorida, percebo que o dia já clariou e meus olhos continuam negros perdendo-se em si mesmos, nesse vazio sufocante de minha mente livre e desvairada. De repente percebo um conjunto de ruídos que vencem a música triste que estava ouvindo, fiquei desconcertada com tal atrevimento e já estava nervosa, então aproveitei a deixa e já estava preparada para xingar o vizinho, a faxineira, o lixeiro, quem é que fosse o atrevido que arrombara a porta da minha dor distraída. Abri a porta do quarto abruptamente com cara de amigo algum e saí para o quintal, olhei para o alto e comecei a distinguir o som. O som meus caros, era de pequenas maritaquinhas cheias de vida, que podem voar e têm fome. Eu, mau-humorada fui atingida por aqueles pios estridentes de amor que me falavam " Acorda mulher!"... e me lembrei que a vida continua! Maritaquinhas atrevidas, verdinhas e cheia de juventude... é essa vida oposta e sobreposta as suas oposições que me prende a ela mesma, é isso que eu amo ver e respirar. Essa simplicidade atrevida me roubou a cara amarrada e consegui domir em paz... maritaquinhas irritantes, atrevidas e pequenas que não sabem nada da vida e se acham no direito de roubar minha melancolia e estampar um sorriso no meu rosto cansado. Elas sabem nada da vida, e eu? Menos ainda.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

If the flyer was blind...


"Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...
Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar..."
Queria ser veterinária, e criança...Desde quando eu tinha cabelos curtos e chanéis e usava sapatos de boneca e uniforme azul e rosa, me lembro de amar redação, mas eu queria ser mesmo era veterinária. Me empurraram num lugar e vi meus ossos crescendo, minhas roupas pequenas e meus prazeres mudarem... Passei a respirar letras, não sei por qual chave, e me apaixonei por um tal de jornalismo que passou por mim meio tímido e depois me enlouqueceu: virou meu sonho, minha angústia, minha delícia e meu futuro. Passei a ter insônias nas quais delirava de prazer, pois era acompanhada por Clarice, Rubem, Sheakespeare, Rousseau, Arnaldo, Marcelo... e não havia companhia melhor.Eu conheci minha sátira, meu choro, meu riso nos meus textos e nas minhas leituras. Cada palavra que saía dos meus dedos me aproximavam mais do ponto em que eu seria minha. Me divertia escrevendo, a ponto d enem notar o passar carrasco das horas. eu queria estar de férias logo para poder escrever atoa durante todo os dias. Daí comecei a sonhar, minha ambição cresceu e dediquei meu mundo às páginas em branco que me encontravam. Adoro o silêncio, mas o poder das palavras me domina. O que eu escrevia passou a ser banal aos meus olhos, eu queria mais... eu e minha obcessão corrosiva de querer mudar o mundo... vi que palavras chegam a convencer e vencer toda forma de ação, e que essa seria a forma que eu tanto busco de tocar, chocar e sacudir esse desastre cego sem humanidade no planeta contrário e repugnante que me chama para fazer revolução.


Um ano se passou e eu que sempre odiei essa idéia de vestibular passei a não suportá-la mais, é a forma de hipocresia mais nojenta que vence até a hipocresia de ser humano. É estúpido medr conhecimento por notas, excludência e uma carga de conteúdo inútel e escravizante. Meus amigos vomitavam horas com a bunda pregada na carteira, detalhes de cada página, e eu? matei aulas e fui ler nas entrelinhas dos olhos das pessoas e subestimei o universo em que eu era obrigada a faezr parte. Não me arrependo nenhum pouco desse meu ódio vital, nem de minhas prioridades, que isso fique claro. Mas dei com a cara na porta, porque infelizmente o sucesso do meu maior sonho dependia dessa indústria vetibulosa... e agora me vem uma memória de uma fala da Marina, que me faz rir... por ser tão certa. :" Para você mudar o que está errado você vai ter que participar desse meio sujo, pular fora não vai mudar nada." Infelizmente ela está certa e eu odeio que ela esteja certa, porque conviver num mundo que me dá náuseas para simplesmente mudá-lo é muito pouco intenso e sincero para mim... então gostaria de ignorar isso, mas não posso mais.

Andava meio morna e mesmo assim coloquei o restinho de coisa boa que restava em mim e que o mundo não conseguiu assustar na universidade. Por sinal, não fui aprovada, não ingressei. e agora? Vejo um vazio escuro cheio de mil possibilidades, mas estou patinando sem mover-me. Estou com medo, confesso... medo de que minha fraqueza seja maior que meu fracasso, de que eu me esforce e gaste quanto tempo for preciso me preparando para chegar ao meu sonho e quando alcançá-lo ver que aquilo não era nada que eu queria... tenho medo de que meu maior prazer se torne rotina depois que se transformar em obrigação...que minha criatividade me abandone de vez, que ser escritora me faça perder completamente o fio que me separa da insanidade. Depois de tantas lágrimas, pensamentos pessimistas e noites insones, a única certeza que tenho é que não quero estar aonde estou, que quero um mundo que não é goiás e nem esses rostos clichés que vejo em cada esquina. Continuo não sabendo o que esperar, crer ou fazer com meu pouco tempo restante de vida... mas quero estar escrevendo sobre outros medos, evoluídos e vencidos. A vida me encanta e me assusta. talvez quando minhas crases, travessões e tils pararem de vagar por aí e se aconchegarem em outras linhas, de um outro texto, de um outro lugar eu possa odiar menos meu amanhã incerto e o fato de eu estar crescendo desesperadamente rápido demais para o meu desejo. E cá pra nós, VIDA! Se a corda estiver muito bamba, ou o cenário escuro demais e apesar do meu pesar de saber que por vezes estarei para ti como palhaça ou estrela, me agarrarei nas mãos que dividem o picadeiro comigo ou mudarei de magia quantas vezes for preciso para um dia, no dia mais importante, poder olhar para você, VIDA-MORTA, e dizer que te declaro derrotada por minhas próprias mãos, que escrevem, que comem, que amam... que, mais uma vez, levantam.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009







"Nietzsche disse: Deus está morto.


Deus disse: Nietzsche está morto.


Deus morreu, Nietzsche morreu, o socialismo morreu, e eu não vou muito bem..."


(... de um muro, Goiânia-GO)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Sobre tornados...


Suponhamos que eu tivesse apenas poucas horas ou dias de vida, e exista uma lista como aquelas de coisas que queremos fazer antes de morrer. Meu maior desejo certamente seria observar de perto um tornado, que aliás sempre me atraiu e me fascinou. Não! As produções de Hollywood não foram suficientes para me convencer de que tornado deveria me causar medo, em mim elas causaram o reverso. Aquela massa cinzenta-azulada na minha tela conquistou meu espaço sonhador. Eu sei nada sobre ventos e meteorologia, minha ligação com o tornado é puramente física e metafórica. Vento e vida são gêmeos siameses.A vida é totalmente frágil, pode se desfazer em questão de segundos... em qualquer esquina... O vento também é frágil, e se tranforma fatalmente em qualquer sopro inesperado. as vidas brincam entre si, interceptam-se, sobrepoem-se ... e assim os ventos movem-se, chocam-se, se confundem na bola azul e gélida da Terra. A vida tem prazo de validade, os ventos têm vida útil. A vida, apesar da fragilidade de seus choros e risos, é forte inexplicavelmente. Quando não há mais vida, há a ausência da vida. A invisibilidade dessa vida permanece no ar. A vida morta e invisível é a única forma de vencer a barreira do tempo e do esquecimento, pois não precisa ser vista, e nem vai embora, é apenas sentida. Não importa o tamanho da vida ou o impacto que ela causou, não existe um padrão incontestável da concepção de certo. Todas as verdades são relativas. Os ventos, assim também, são notados pela sua invisibilidade. Não interessa realmente se o vento durou como brisa ou furacão, o fato é que seu movimento trilhado influenciou os climas onde tocou. Vidas e ventos são almas idênticas. Mas voltemos ao tornado, que seria uma fase do vento. Comparando vento à vida, o furacão seria a "enérgica" adolescência. Tornado é caos, anarquia. Começa lento e se intensifica em torno de seu próprio eixo, em torno de sua própria introspecção. Em pequeno espaço de tempo o tornado se torna forte e passa a se alimentar só de sua própria confusão, seu próprio e eterno conflito espiral. O mundo além dos limites espirais do tornado, por mais que o tornado se agrave, continua sendo "o mundo além dos limites do tornado". O mundo intacto e perfeitamente encaixado e simétrico que o destruidor tornado não vê com bons olhos. O tornado encara dois caminhos possíveis: ir de encontro a esse mundo de peças encaixadas e tantar modificá-las, de maneira que ele acredita que ficariam melhor ajustadas, que o mundo seria mais mundo... ou procurar incessantemente outro furacão mais forte que o faça parar de rodopiar em si mesmo. O tornado fica tonto, enfim.
O que há de mágico num furacão? sua força pode arrancar tudo que parecia sólido e intocável do chão.... concreto, veículos, moral, ideologia, vidas dentro d eoutras vidas... o tornado que conseguir organizar seu caos pode reconstruir seu eixo quantas vezes for necessário, até ajustar sua paz. Em instantes um tornado pode não saber mais o que é ou criar um novo eu. Furacão é entropia e a vida surgiu da entropia substancial. Entropia é promessa de vida nova. O caos destrói no objetivo de construir. Isso é a magia. A vida na prática é sempre paradoxo. No centro do furacão não há confusão, seu olho está intacto. A essência de uma brisa que vira tornado nunca é atingida pelo caos externo dos anéis espirais. Permanece constante, presente e invisivelmente mínima. O tristeza de um furacão não está no seu cinza azulado, mas sim no tempo que o vento perde se distraindo com seus objetos voadores e violentos e grandes ... a brisa se assemelha a uma pedrinha preta quase inotável dentro do peito do vento, e está sempre a cutucar a carne dolorida...
Tenho leve impressão que já vi um furacão de perto. minha morte não está programada ( estranho isso ) e eu continuo sonhando em observar um furacão. estar diante desse espetáculo significaria ter eu roubada de mim mesma pela natureza ( eu que nunca fui minha ) e assistir meu caos adolescente, ser platéia de minhas dúvidas. Talvez e remotamente eu me entenderia melhor. Crescer dói. Sou o furacão do meu mundinho. Não morro sem respirar aquela massa cinza-azulada e gigantesca, mas até lá quero ser brisa ...