... observo o preceito de abster-me de destruir os seres vivos.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
La pasta, que plasta, não passa.

Ontem à noite no jantar travei uma briga com o namorado da minha mãe - mesmo que essa guerra aconteça dentro de mim. Eu estava embriagada de vinho, e parece que algumas pessoas têm o dom de nos atacar quando estamos mais vulneráveis. E de repente ele me pergunta:
- Não existe nenhuma religião em especial que você segue?
- Não.
- Por que não?
- Tive muita decepção quando fazia parte, e assim seguiu-se com as que eu conheci depois.
- Mas isso tem em todo lugar. Você tem é que fazer sua parte e pronto.
... eu explodindo, e com tpm.
- Não, comigo não é assim. Fazer minha parte nesse caso é o mesmo que fazer-se de cego diante de tanta hipocrisia que eu vi diante dos meus olhos. É não lutar pelo que eu acredito ser justiça e verdade. É ser mais um acomodado, que só sabe olhar para o próprio umbigo. Eu não concordo. Eu não vou fazer parte. Eu tenho que ser responsável pelo que eu vivo. Deus vai comigo por toda parte. Ele não é um lugar. falo com ele mais de três vezes por dia.
- Também não precisa tanto. Podem ser só duas vezes.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Primeiro quero dizer que das decepções que eu passei só eu sei, só eu sei do que me fez sair da convivência de um lugar que eu tanto amava. Segundo: entendo que alguém tão ligado a coisas materiais só consiga encontrar Deus num templo ou numa religião cheia de regras, afinal, está tudo no mesmo campo mesmo de ver e ter parar crer. Terceiro, não concordo com esse tipo de comportamento e não espero nenhum tipo de compaixão de alguém com essa índole. E por último, eu falo com Deus quantas vezes eu quiser, porque não o faço por obrigação. Decepção? Não. Já é sabido. Conclusão? Talvez viver junto a uma oposição possa causar uma onda destrutiva. E daí? O não.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Minhas mulheres (eu também).
Sou da tribo dos pés descalços e sujos, que encardem as sandálias claras no formato exato dos dedinhos quase iguais, mas que são únicos e mesmo assim se completam como peças perfeitas. Sou da tribo do sal de frutas que cura a barriga grande depois de uma noitada de massas embriagada de vinho docinho, amor dançante e músicas que cantadas em coro dão a certeza de que nos pertencemos. Sou da tribo do sol nos seios de fora e das tpms estrondosas que dividem a casa em três partes, e depois de quatro dias reafirma seu chão como se fosse o primeiro dia de amor de nossas vidas.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Alaranjidade Zaratustreando.
"Este é meu bem que amo, só assim me agrada me agrada inteiramente, só assim é que quero o bem! Não o quero como mandamento divino, nem como uma lei e uma necessidade do homem. Que não me apareça como guia de caminhos para regiões supraterrestres e paraísos! O que eu amo é uma virtude terrena, pouca prudência há nela e também não possui muito da razão universal. Esse pássaro , porém, construiu seu ninho em mim. Por isso o amo e o aperto em meu peito. Agora incuba em mim seus ovos de ouro."
(Friedrich Wilhelm Nietzsche)
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Quase extra Via-Láctea, numa perspectiva quase cósmica.

O Nietzsche pediu pro meu corpo perguntar a quantas anda minha alma. Ela me respondeu com voz cansada, meio rouca, meio baixa, mas no tanto deslize e machucado a sua voz tinha um rastro de esperança de que algum dia as coisas ainda vão ser muito melhores, uma esperança que ainda resta, como a última coisa que morre quase intacta, escondida e de tão funda, como a profundidade de toda essa dor quase indestrutível. Minha alma quer descanço, quer colo, quer aconchego, quer voltar pracasa de dentro, porque ser nômade desacompanhado pelo coração é agonia demais para quem quer contornar o mundo com os pés. Tem de se estar inteiro, pra se dar por inteiro. Minha alma quer que meu corpo vomite, e meu corpo, numa prova de amor incondicional diz não, um não que só quem ama é capaz de dizer quando o sim causaria tanto mal a quem se ama. Minha alma quer matar tanta saudade, ir a tanta cidade, abraçar tanta árvore. Minha alma quer dormir com o corpo, fechar os olhos e quando raiar um novo dia, olhar os mundos com os olhos cheios de amor. Minha alma quer acreditar que às vezes um ponto final é a melhor maneira de terminar um texto. Ela quer um esparadrapo gigante para restaurar o corpo que lhe serve de templo, de marcador de tempo e de transporte nas distâncias. Ela quer um rolo compressor grotesco, que esmague todas as invejas e más línguas que lhe cansam. Quer absorver os filmes, os livros, as peças que fazem par com a solidão. Quer voltar a encontrar ajuda e sentido em todos os clichés e filtros-solares e empirismos. Quer ficar meio zein, um tanto desligada, um tanto desimportantada, despreocupada, sem mais satisfações. Quer tirar da chuva ou da insolação o peso de ser "porém" e "se" e transformá-los em cenário pelo seu passeio pelo mundo. Quer andar pelo mundo como quem passeia e até acha nas pessoas algo de interessante. Quer aprender a dormir tarde, acordar cedo ou nem dormir, porque afinal já amamos o insônia nessa mesma madrugada. Minh'alma quer os ombros menos contraídos, como se não fosse preciso esforço para que o corpo mantivesse os pesos de pé. Quer um pescoço com menos dor, uns olhos menos inchados e músculos menos febris. Quer tirar férias dessa coisa de ter que nadar um milhão de quilômetros diariamente contra a força das correntezas de um mundo grande e pesado que só sabe torcer contra. Quer parar de correr uma maratona por segundo na ânsia de provar a quem nunca lhe teve fé, sobre seu caráter, tentando provar arras-tan-do quem se é afinal. Quer acreditar que se as pessoas tiverem de ficar juntas não há nada que vai impedir, e que o amor é bem mais forte que a espera, mas essa fé só é possível se o término um dia terminar afinal e virar um recomeço de duas partes. Quer a paz que só os "meus" proporcionam, por me saberam como sou, por saberem meu amor, sem desconfiança, como frutos das sementes que plantei. E se possível quer que a pessoa que gastou comigo alguns tantos meses tanha duvidado no começo do meu amor, mas que no fim tenha certeza absoluta de sua grandeza. E que meu amor possa amar-me só com um meu poderia me amar, na certeza de que eu fui verdade e de que juntas fizemos uma bela verdade que eu sentir saudade e que os dias ficarão muito muito longos e que os outros, que são só os outros, estavam errados o tempo todo. Quer não morrer quando tocar a cama, a beirinha ao lado do corpo que adormece, e perceber que a cama, depois de tanto tempo, está esfriando...
domingo, 23 de maio de 2010
"Por que os ossos doem quando a gente dorme?"

Não bastava amar a solicitude, uma hora haveria de se sentir sozinha mesmo acompanhada, e com isso sofrer. Sofrer muito. É no mínimo estranho, para não dizer o quanto estou triste. Sinto calafrios, cólicas no estômago, os olhos não param de chorar e meus ouvidos ouvem como quem tem a cabeça dentro de um aquário. Longe, longe... Fico buscando de quem é a culpa, pra ver se fica mais fácil encontrar a saída. Tenho acordada apavorada com a separação. As boas lembranças superam as forças dos argumentos que nos fizeram sair. e agora elas fazem cócegas nos meus sonhos de travesseiro, e passam como fotografias de moinho a todo instante que fecho os olhos. Elas são as piores. A dor de um dia de sol que nos fez sorrir, m que nos sabemos de cór, supera a ferida de tudo que já choramos. Se dar conta de que o tempo passou, e que já faz tempo demais para fazermos alguma coisa, tipo, me mata aos pouquinhos. Os dias têm sido para velar e sepultar tudo que já foi definitivamente perdido. Agora entendo a dor de quem perdeu a casa numa catástrofe. Quem perde a casa, perde a casa de dentro, e perde a casa de fora, e perde as casas que construiu dentro dos outros. Hoje eu não encho mais a casa de alegria. E talvez a culpa seja minha, porque me sinto uma entrusa dentro do meu lar. Não caibo no meu quarto. Me arrasto. Eu achei que eu tinha aceitado bem. Mas é que a mente da gente bloqueia certas coisas para depois soltar um avalanche e detonar corpo e alma. Divórcio deveria ser classificado como catástrofe e todos os sonhos que ele destrói, tratado como crime digno de pena de morte. pensa bem? Divórcio está condenado à pena de morte e deixará de existir depois de uma injeção ou de uma cadeira elétrica. No meu caso, foram assassinados dezesseis anos de vida, e agora tenho de sepultá-los, superá-los e ainda ser feliz plenamente em... três anos? Não sou de ferro não, meu Deus. Nada daquilo existe mais. Nada daquilo se repetirá. Os católicos acreditam na trindade como uma unidade indestrutível, inseparável. No começo foi fácil ser três forças que se encostam para não se desequilibrar. Afinal, deixamos a dor para sorrir de novo, três vezes e três bocas mais. Mas o problema é depois que a raiva passa. Sobra o amor. E cada um a seu tempo vai descobrindo que depois que um cristal de quebra sobram os cacos. e do caco que restamos vamos virando pó. Um pó cinza, de matéria orgânica incendiada e destruída. Sem fé, sem vida. E esse é meu tempo de perceber. Não tenho mais raiva, tenho é muito amor. E a dor de um amor impossível, sangra. Vou multiplicando então, essa dor por 4, afinal eu também entrei na dança. talvez a saída seja mesmo sair, quando não se sabe o que fazer. E talvez essas lágrimas sejam o preço ou o único alívio para uma maturidade precoce que demonstrei... e a fragilidade, nessa maior idade, seja ridícula ao conjunto de seus olhos.
sábado, 22 de maio de 2010
Monólogo com quem dialoga.

"- Ele...veio? Elequioquê? -Ele... Elec... Electri... -Electricidade!"
- Oi moço! Tá sentindo?
- Sentindo o quê? Um abraço?
- Não! Além do abraço, bem ali no oco de dentro... viu?
- Hã? Onde menina? Que coco? Tá oco?
- Hã? Não!!! Coco não! Nem o Coco gato, nem o outro. Vazio. Oco. Eco no poço.Que de tão vazio nem cabe acompanhá-lo de outra palavra, a não ser: Vazio.
- Eco? Eco! Que vômito!
- Fede néh? Mas antes cheirava. Era doce. Sabe pirulito, algodão doce, essas coisas? Mas tem que ser colorido pra ser mais cheiroso.
- Sei. Pelo que eu vejo agora é de duvidar. Cuidado! se não você cai! Agora cheira é lágrima com vômito. Só o cheiro que eu sinto, dái acredito. O tal do vazio? Vejo não. Não tô aí dentro! Aliás, quem é você mesmo?
- É cheiro de amor. Parece o nome daquela banda neh? Sei quem eu sou não, oras! -
Sabe sim. Espia mais de perto. Bem aqui, óh!
- Quero olhar não moço! Tá de tarde. Tá salgado. E eu gosto de .... AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
- Viu?
- Vi?
- Quem é essa?
- Eu.
- E quem é "eu"?
- Não sei!
- Mas você já foi você antes?
- Já! Tenho até história, e passado! Mas passado chama passado porque passou. Eu passei. daí o hoje é presente. E Me ganhei de presente no presente. Mas, ôxi. É diferente demais do passado. Ainda nem abri a caixa. E agora mesmo ele já vai virando o que passou. E eu ainda nem abri a caixa. Preciso de uma casa e de um roteiro pra isso.
- Cê vai cair filha! Roteiro? Você sabe onde quer chegar?
- Mas que porra! ( desculpe-me os modos) Mas eu já tô caindo, não vê? Já pulei faz tempo! E isso aqui não acaba. Ainda bem, porque a gente esbarra numas coisas, rala ali e acolá, mas a vista é tão bonita que dá gosto. A gente voa?
- Você quer voltar a ser o ser de antes?
- Eu disse isso?Éh, tenho mesmo de tratar a memória. Nunca quis tanto não querer isso. Quero não. Quero esse presente aí mesmo. Quem sabe tem futuro junto dele?
- Então o que você quer afinal?
- E eu sei? Tô sem fé. Como examinar isso tudo se não acredito em nada?
- Nem nos olhos?
- Muito menos. São os que mais se enganam. Já me chamaram ponto de luz, áurea forte, coelho... - Coelho... Te lembra essa história de vocês e do que ela te mostrou!
- Neh. Moço?
- pois não?
- tem como você trocar meu "eu", por outro eu? Tava querendo um com o coração novinho, que não tema pisar em montanhas russas, e que não tema a segurança dos cintos de segurança das montanhas russas e que nas viradas ponta-cabeça e nas descidas não deixe o chocolate cair... sabe?
- Ih mas tem não! Nesno você achando que não abriu a caixa, ela já lhe pertence. Você pode transformar seu eu (mágico) num eu que você queira se tornar. Agora aguente pois só há você aí dentro! Não esqueça de reconhecer os outros sozinhos que lhe trazem a paz e as flores necessárias para lhe ajudar a não vomitar quando seu eu estiver te enjoando. Quando você estiver cansado de ser você, pense bem... Até que você parece um coelho!
- Éh, e a imagem dos olhos vermelhos é sempre a última coisa que fica.
- Sentindo o quê? Um abraço?
- Não! Além do abraço, bem ali no oco de dentro... viu?
- Hã? Onde menina? Que coco? Tá oco?
- Hã? Não!!! Coco não! Nem o Coco gato, nem o outro. Vazio. Oco. Eco no poço.Que de tão vazio nem cabe acompanhá-lo de outra palavra, a não ser: Vazio.
- Eco? Eco! Que vômito!
- Fede néh? Mas antes cheirava. Era doce. Sabe pirulito, algodão doce, essas coisas? Mas tem que ser colorido pra ser mais cheiroso.
- Sei. Pelo que eu vejo agora é de duvidar. Cuidado! se não você cai! Agora cheira é lágrima com vômito. Só o cheiro que eu sinto, dái acredito. O tal do vazio? Vejo não. Não tô aí dentro! Aliás, quem é você mesmo?
- É cheiro de amor. Parece o nome daquela banda neh? Sei quem eu sou não, oras! -
Sabe sim. Espia mais de perto. Bem aqui, óh!
- Quero olhar não moço! Tá de tarde. Tá salgado. E eu gosto de .... AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
- Viu?
- Vi?
- Quem é essa?
- Eu.
- E quem é "eu"?
- Não sei!
- Mas você já foi você antes?
- Já! Tenho até história, e passado! Mas passado chama passado porque passou. Eu passei. daí o hoje é presente. E Me ganhei de presente no presente. Mas, ôxi. É diferente demais do passado. Ainda nem abri a caixa. E agora mesmo ele já vai virando o que passou. E eu ainda nem abri a caixa. Preciso de uma casa e de um roteiro pra isso.
- Cê vai cair filha! Roteiro? Você sabe onde quer chegar?
- Mas que porra! ( desculpe-me os modos) Mas eu já tô caindo, não vê? Já pulei faz tempo! E isso aqui não acaba. Ainda bem, porque a gente esbarra numas coisas, rala ali e acolá, mas a vista é tão bonita que dá gosto. A gente voa?
- Você quer voltar a ser o ser de antes?
- Eu disse isso?Éh, tenho mesmo de tratar a memória. Nunca quis tanto não querer isso. Quero não. Quero esse presente aí mesmo. Quem sabe tem futuro junto dele?
- Então o que você quer afinal?
- E eu sei? Tô sem fé. Como examinar isso tudo se não acredito em nada?
- Nem nos olhos?
- Muito menos. São os que mais se enganam. Já me chamaram ponto de luz, áurea forte, coelho... - Coelho... Te lembra essa história de vocês e do que ela te mostrou!
- Neh. Moço?
- pois não?
- tem como você trocar meu "eu", por outro eu? Tava querendo um com o coração novinho, que não tema pisar em montanhas russas, e que não tema a segurança dos cintos de segurança das montanhas russas e que nas viradas ponta-cabeça e nas descidas não deixe o chocolate cair... sabe?
- Ih mas tem não! Nesno você achando que não abriu a caixa, ela já lhe pertence. Você pode transformar seu eu (mágico) num eu que você queira se tornar. Agora aguente pois só há você aí dentro! Não esqueça de reconhecer os outros sozinhos que lhe trazem a paz e as flores necessárias para lhe ajudar a não vomitar quando seu eu estiver te enjoando. Quando você estiver cansado de ser você, pense bem... Até que você parece um coelho!
- Éh, e a imagem dos olhos vermelhos é sempre a última coisa que fica.
Reticências.
domingo, 16 de maio de 2010
Desse jeito eu gosto de contar.
domingo, 9 de maio de 2010
Às fotografias que não estão mais no meu mural.

Pessoas são como estrelas. Existem as galáxias que se encontram. Quando as galáxias se encontram, as estrelas se encaixam, como se se fundissem... mas na verdade cada uma continua a ser como sempre fora antes: uma estrela que apesar do encontro com outra estrela, no fim só ela que sobra, só ela continua consigo mesma. Mas isso é para quem olha de fora, porque para as estrelas que vivem a completude, pensam sempre que a fusão realmente aconteceu. As estrelas acreditam na eternidade, e dentro do grande laço onde estão juntas, nada parece nunca passar. O final que é uma ilusão, e não o presente. Mas o que será que determina esse quando, esse onde, esse qual de se encontrar, de se mostrar no outro, de se sentir à vontade na presença de alguém diferente? Tem gente que diz que é destino. Não sei. Acho que a fase de cada estrela esculpe um tipo de peça, e aí a estrela vai viajando, além e além até encontrar uma peça esculpida que se coloque muito bem na sua forma. E daí o encaixe, como imã ou algo assim. Essa atração, esse pertencer. Não deixa de ser um destino. Um fruto da aleatoriedade. E as estrelas que se tocam não enxergam nada além. É como se o universo fosse uma bolha protegida, e dái as estrelas se amam como se não houvesse perigo e nem medo. Mas o encontro não foi coisa de destino? Pois é. Assim também ocorre o desencaixar. Eu não sei porque. É tudo tão mistério. Mas parece que a gente é moldado de novo, e dessa vez nossa peça não encaixa na estrelinha de antes. Nem por isso a gente deixa de ser estrela, mas é que a gente vai ficando maior ou menor demais pra caber na galáxia de outro alguém. O que passa a desencaixar são os caminhos que mudamos. É que mudamos para caminhos diferentes. Cada vez que uma estrela apaga, deixa um buraquinho no céu. Daí talvez a gente encontre a estrelinha dona do buraco por aí e tente encaixá-la de novo no seu devido lugar, mas a borda do céu não abriga perfeitamente mais a peça. Roçá-la no desencaixe, permanecer na tentativa, ranca tinta do céu. Céu é meu coração. Um coração descascado, sabe como é. Essa coisa de machucado e cicatriz. Uma vez eu vi uma estrela morrendo. Ela foi mudando de cor, foi magnífico. Era uma estrela multicolorida, que se não fosse pelo apagão repentino após o espetáculo eu jamais iria chamar aquilo de morte. Porque a beleza era gigante! Dessas de deixar a gente boquiaberta. Tenho certeza que nem toda estrela que morre, que parte deixa uma despedida bonita. Lamentei depois de vê-la morrer, por não mais poder vê-la tão bela. Mas sabe que eu não fiquei decepcionada? Porque essa foi uma estrela que chegou com beleza e morreu com beleza, sutileza, cheia de amor. E amor por mais que vá para outra galáxia sempre deixa o gostoso na boca. Eu também já fui estrela. Agora escrevo isso aqui para outras estrelas, que colocaram anéis nos meus dedos e éramos tão amigas que parecíamos irmãs. Insitir no brilho que se foi, só pela saudade tem sido um erro, porque aí eu deixo de ver toda maravilha de brilho das estrelas que tentam se encaixar em mim agora. A dor de uma estrela chamada amizade deixa na gente o pavor do toque, de ser tocada novamente, do abraço espontâneo. Mas as estrelas elas são assim, dão tchau e quando não morrem belas e roxa e rosa e amarela e azul...Desabotoam-se. E vão ficando longe, longe, longe....
terça-feira, 27 de abril de 2010
Ao preconceito, a música.

When you try your best but you don't succeed
When you get what you want but not what you need...
If we crawl'
Till we can walk again
Then we'll run
Until we're strong enough to jump
Then we'll fly...
Then we'll fly...
Fuck you very, very much
Cause your words don't translate...
Se matar adiantasse. Se o assassinato fosse o remédio para a falta de valores, virtudes e caráter humano... Se todos os problemas da lastimável condição de nossa sociedade fossem questão de tiro, pena de morte e ponto final... Quem sabe Hitler não estivesse tão errado assim, não é mesmo? Agora não me venha com essa hipocrisia de um rosto assustado nas aulas de história ou nos filmes, depois de saber dessa coisa toda de judeus e holocausto e guerra... Falsas penas não refazem a história, o que você faz da sua vida é que constrói uma história diferente. Já começou a desenhar seu bidoginho tirano? Engraçado é a falsa-cristandade e ética que te esconde. Já viu que sua primeira alternativa de salvação à humanidade é tirar a vida de quem tantas vezes chegou muito mais perto que você do que chama-se amor, caráter e verdade? Se você soubesse da dor que suas palavras, seus olhares, seus gestos e suas leis causam em mim, em minha família, nos meus amigos... Se você soubesse que você roubou toda minha alegria com seu ar pesado... e agora, quem é mesmo o criminoso? Há tanta mancha nessa sua túnica de moralidade intacta... vim aqui falar que você tirou minha vida, e assim arrancou a graça da vida dos meus queridos também. Isso é assassinato. E que crime mesmo cometi? Fico imaginando quantas penas de morte seriam justas para punir todos os sonhos que você despedaçou ou todas as vezes que você me deixou apavorado de tanto medo ou por todas as vezes que você me roubou o direito de ver a luz do sol num belo passeio por essa pátria que também é minha, sabia? As lágrimas? Elas secam com o tempo, você acabou endurecendo minha fé. Meu olhar é de uma tristeza tão profunda... Vim também agradecer a Deus pelos risos que dou quando você não está presente, que são muito mais livres, muito mais de coração do que os risos que você solta quando faz de mim uma piada. Vai virando... vai virando esse canhão, esse cano de révolver que o teu alvo está errado. Mira primeiro ali, na criatura que você vê no espelho.
P.S.: Esse texto é dedicado á África. Na verdade aos homossexuais que sofrem com o preconceito e a possibilidade de serem caçados, isolados e mortos a cada nascer do sol devido às leis de seus países. Esse é um apelo aos direitos humanos, um desejo imenso de vida... e que lutemos todos pelos respeito ao outro porque a África, meus irmãos, também é Brasil.
Paz e flores.
Se matar adiantasse. Se o assassinato fosse o remédio para a falta de valores, virtudes e caráter humano... Se todos os problemas da lastimável condição de nossa sociedade fossem questão de tiro, pena de morte e ponto final... Quem sabe Hitler não estivesse tão errado assim, não é mesmo? Agora não me venha com essa hipocrisia de um rosto assustado nas aulas de história ou nos filmes, depois de saber dessa coisa toda de judeus e holocausto e guerra... Falsas penas não refazem a história, o que você faz da sua vida é que constrói uma história diferente. Já começou a desenhar seu bidoginho tirano? Engraçado é a falsa-cristandade e ética que te esconde. Já viu que sua primeira alternativa de salvação à humanidade é tirar a vida de quem tantas vezes chegou muito mais perto que você do que chama-se amor, caráter e verdade? Se você soubesse da dor que suas palavras, seus olhares, seus gestos e suas leis causam em mim, em minha família, nos meus amigos... Se você soubesse que você roubou toda minha alegria com seu ar pesado... e agora, quem é mesmo o criminoso? Há tanta mancha nessa sua túnica de moralidade intacta... vim aqui falar que você tirou minha vida, e assim arrancou a graça da vida dos meus queridos também. Isso é assassinato. E que crime mesmo cometi? Fico imaginando quantas penas de morte seriam justas para punir todos os sonhos que você despedaçou ou todas as vezes que você me deixou apavorado de tanto medo ou por todas as vezes que você me roubou o direito de ver a luz do sol num belo passeio por essa pátria que também é minha, sabia? As lágrimas? Elas secam com o tempo, você acabou endurecendo minha fé. Meu olhar é de uma tristeza tão profunda... Vim também agradecer a Deus pelos risos que dou quando você não está presente, que são muito mais livres, muito mais de coração do que os risos que você solta quando faz de mim uma piada. Vai virando... vai virando esse canhão, esse cano de révolver que o teu alvo está errado. Mira primeiro ali, na criatura que você vê no espelho.
P.S.: Esse texto é dedicado á África. Na verdade aos homossexuais que sofrem com o preconceito e a possibilidade de serem caçados, isolados e mortos a cada nascer do sol devido às leis de seus países. Esse é um apelo aos direitos humanos, um desejo imenso de vida... e que lutemos todos pelos respeito ao outro porque a África, meus irmãos, também é Brasil.
Paz e flores.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Foto roubada.

- Você não faz modificações, você faz sacrifícios.
Fica claro que minha roleta russa está girando, mais uma vez... e por que não? às vezes é bom compartilhar confusão, passar isso para frente, repartir o tijolo nos ombros... Em plena escassez de ombros de gigantes. Existem coisas que passam despercebidas por nós grande parte do tempo, nunca paramos realmente para prestar atenção em tudo. Aí num momento desavisado você tropeça nessas invisibilidades, e como se nunca tivessem cruzado os caminhos, se olham pela primeira vez. É bifurcação à promeora vista, a partir daí pode ser perturbação ou serendipity. Foi assim com a palavra cativar, com o afeto, com os espirais, e outras tantas. E hoje é assim com "modificações e sacrifícios". Depois de oscilar entre o sentimento de "a-merda-que-nunca-faz-nada" e "a-que-tudo-faz-e-nenhuma-merda-é-reconhecida" decidi estudar meu caso. Silêncio é bom quando sinaliza a calma, não quando é o único contra-argumento que a ignorância deixa de alternativa.
Sabe que eu acho que o sentido da vida, pelo menos o da minha vida, é tentar fazer as coisas mais difíceis ( sendo difíceis pela bondade que creditam, e irem então contra a natureza humana) a fim de buscar no final das contas ser excessão, luz que propaga o bem.
Sobre sacrifício:
O dicionário me conta que é "privação; renúncia a favor de outrem; desprezar uma coisa para dar mais destaque a outra; dedicar-se com ardor(paixão). A bíblia conta que o sacrifício mais agradável a Deus é a reconcialiação com o outro, o perdão. O Evangelho de Kardec afirma que há grande mérito quando o sacrifício abjetiva o bem do próximo, mas que as privações não devem martirizar o corpo, enfraquecê-lo sem necessidade, podendo ser um verdadeiro suicídio.
À medida que a gente cresce, a fé vai encolhendo. Manter-se de pé é cada vez mais complicado. Não falo apenas ficar em pé, mas estando de pé e não vivendo em vão. Persistir com o peso do mundo nas costas insistindo em te fazer desistir. Construímos nossas crenças em devoção, admiração e esperança na raça humana, afinal grande parte de nossas emoções e momentos acontecem graças aos nossos companheiros de jornada. O cenário para desenvoltura do enredo individual escrito no coletico é a magnífica natureza. O homem é a base da fé, a paisagem ao redor é o que os homens com fé em homens contemplam. Só que chega certo ponto que você perde a casca protetora da infância e vomitado no mundo, tem suas crenças despedaçados pelos próprios objetos crentes: os homens. No fim você percebe que é tudo uma ilusão, mas no caminho até o fim machuca-se bastante. E agora, o que fazer? Tranferir a fé para o que antes era chamado de cenário? Crescer não é fácil, e a minha prece-de-cada-dia suplica ao Cara que não me deixa padecer carregando um coração duro, apático e arredio.
Aos meus dezenove anos estou doendo todos os músculos e pensar que ainda existem muitos anos para calçar a humanidade às vezes me desperta um certo desespero... é que são gestos, palavras, olhares me cortando em pedacinhos cada vez menores. Mas ainda assim eu não quero desistirdo amor, do nosso amor, do que eu acho essencial, da minha família... eu não posso desistir. Nadar contra essa maré de desilusões fica mesmo cada dia mais desgastante, mas é na dificuldade de perdoar que eu encontro forças para não viver uma vida em vão. Meu maior sacrifício é perdoar o que eu vejo no espelho, o que eu vejo no retrovisor do carro, ou o que eu vejo nas minhas fotografias ou o que eu vejo na televisão... É que é minha última esperança, entende? A última labareda de fé que tira o desespero de cena, nem que a fé precise ser depositada no cenário de vez em quando... Fácil nunca foi, mas é agradável a Deus.
É aqui que entram as modificações. modificar-se é "transformar a forma ou o modo de ser; alterar; acrescentar novo valor, idéia, noção, especificação..." é aqui que você erra. Modificar-se é o que eu escrevo a partir de todo sacrifício que faço. Não há como fazer sacrifício sem modificar-se. Pois o sacrifício é uma escolha, que faz abrir mão de outra escolha... modificação é o desfecho do sacrifício. O caminho alternativo ao sacrifício é a paciência. E eu? Meu bem eu tenho gastrite nervosa e crônica, sou inquieta, não suporto o ócio... O sacrifício é meu único meio de não desistir de mim e lutar pelos meus ideais.
Não me condene! Se eu amputo e no fim fico sempre cansada, e os meus são obrigados a me suportar.... Mas é para o descanço que existem as mais lindas cachoeiras sabe?
É que eu acho que o amor vale a pena e a economia de alma nunca foi um desenvolvimento sustentável. Em cada pouso quero qie você descanse comigo, aliás deitar-me em teu peito já me faz muito descançar.
Acho que você queria falar na verdade é sobre amor-próprio. Esse eu não ignoro, mas passo indiferente. Esse é meu erro de martirizar meu corpo sem necessidade. Acho que preciso de férias maiores.
Fica claro que minha roleta russa está girando, mais uma vez... e por que não? às vezes é bom compartilhar confusão, passar isso para frente, repartir o tijolo nos ombros... Em plena escassez de ombros de gigantes. Existem coisas que passam despercebidas por nós grande parte do tempo, nunca paramos realmente para prestar atenção em tudo. Aí num momento desavisado você tropeça nessas invisibilidades, e como se nunca tivessem cruzado os caminhos, se olham pela primeira vez. É bifurcação à promeora vista, a partir daí pode ser perturbação ou serendipity. Foi assim com a palavra cativar, com o afeto, com os espirais, e outras tantas. E hoje é assim com "modificações e sacrifícios". Depois de oscilar entre o sentimento de "a-merda-que-nunca-faz-nada" e "a-que-tudo-faz-e-nenhuma-merda-é-reconhecida" decidi estudar meu caso. Silêncio é bom quando sinaliza a calma, não quando é o único contra-argumento que a ignorância deixa de alternativa.
Sabe que eu acho que o sentido da vida, pelo menos o da minha vida, é tentar fazer as coisas mais difíceis ( sendo difíceis pela bondade que creditam, e irem então contra a natureza humana) a fim de buscar no final das contas ser excessão, luz que propaga o bem.
Sobre sacrifício:
O dicionário me conta que é "privação; renúncia a favor de outrem; desprezar uma coisa para dar mais destaque a outra; dedicar-se com ardor(paixão). A bíblia conta que o sacrifício mais agradável a Deus é a reconcialiação com o outro, o perdão. O Evangelho de Kardec afirma que há grande mérito quando o sacrifício abjetiva o bem do próximo, mas que as privações não devem martirizar o corpo, enfraquecê-lo sem necessidade, podendo ser um verdadeiro suicídio.
À medida que a gente cresce, a fé vai encolhendo. Manter-se de pé é cada vez mais complicado. Não falo apenas ficar em pé, mas estando de pé e não vivendo em vão. Persistir com o peso do mundo nas costas insistindo em te fazer desistir. Construímos nossas crenças em devoção, admiração e esperança na raça humana, afinal grande parte de nossas emoções e momentos acontecem graças aos nossos companheiros de jornada. O cenário para desenvoltura do enredo individual escrito no coletico é a magnífica natureza. O homem é a base da fé, a paisagem ao redor é o que os homens com fé em homens contemplam. Só que chega certo ponto que você perde a casca protetora da infância e vomitado no mundo, tem suas crenças despedaçados pelos próprios objetos crentes: os homens. No fim você percebe que é tudo uma ilusão, mas no caminho até o fim machuca-se bastante. E agora, o que fazer? Tranferir a fé para o que antes era chamado de cenário? Crescer não é fácil, e a minha prece-de-cada-dia suplica ao Cara que não me deixa padecer carregando um coração duro, apático e arredio.
Aos meus dezenove anos estou doendo todos os músculos e pensar que ainda existem muitos anos para calçar a humanidade às vezes me desperta um certo desespero... é que são gestos, palavras, olhares me cortando em pedacinhos cada vez menores. Mas ainda assim eu não quero desistirdo amor, do nosso amor, do que eu acho essencial, da minha família... eu não posso desistir. Nadar contra essa maré de desilusões fica mesmo cada dia mais desgastante, mas é na dificuldade de perdoar que eu encontro forças para não viver uma vida em vão. Meu maior sacrifício é perdoar o que eu vejo no espelho, o que eu vejo no retrovisor do carro, ou o que eu vejo nas minhas fotografias ou o que eu vejo na televisão... É que é minha última esperança, entende? A última labareda de fé que tira o desespero de cena, nem que a fé precise ser depositada no cenário de vez em quando... Fácil nunca foi, mas é agradável a Deus.
É aqui que entram as modificações. modificar-se é "transformar a forma ou o modo de ser; alterar; acrescentar novo valor, idéia, noção, especificação..." é aqui que você erra. Modificar-se é o que eu escrevo a partir de todo sacrifício que faço. Não há como fazer sacrifício sem modificar-se. Pois o sacrifício é uma escolha, que faz abrir mão de outra escolha... modificação é o desfecho do sacrifício. O caminho alternativo ao sacrifício é a paciência. E eu? Meu bem eu tenho gastrite nervosa e crônica, sou inquieta, não suporto o ócio... O sacrifício é meu único meio de não desistir de mim e lutar pelos meus ideais.
Não me condene! Se eu amputo e no fim fico sempre cansada, e os meus são obrigados a me suportar.... Mas é para o descanço que existem as mais lindas cachoeiras sabe?
É que eu acho que o amor vale a pena e a economia de alma nunca foi um desenvolvimento sustentável. Em cada pouso quero qie você descanse comigo, aliás deitar-me em teu peito já me faz muito descançar.
Acho que você queria falar na verdade é sobre amor-próprio. Esse eu não ignoro, mas passo indiferente. Esse é meu erro de martirizar meu corpo sem necessidade. Acho que preciso de férias maiores.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Louca.
A sede cresce deserticamente com a agonia do tempo que passa. Eu era um cativeiro, e seus dentes, e poros, e lábios, e saliva eram toda liberdade que eu sentia falta na prisão. É como se te beber tivesse toda enzima exata que minha língua tem urgência de sentir. O primeiro gosto que eu quero sentir quando a luz tocar meus olhos, ou o último adeus que quero tocar na escuridão. E agora estar livremente presa...Amar é sempre uma contradição, essa confusão, essa inconstância totalmente apaixonada. São mais de dias a fio a beijar-te e afogar-me na sua boca, e morrendo afogada continuo a sentir sede e mais sede, uma sede de dois corpos desidratados, a sede do molhado que me afoga. Afogo-me nunca pelo excesso, afinal o encaixe cada vez mais perfeito de nossos lábios é ingrato demais para me satisfazer. Afogo-me na saudade. E assim querer mais e mais, e olhar para o relógio e para os lados, e até mesmo para você ao meu lado e mesmo assim sentir saudade de beijar-te efusivamente, ou calmamente. Mas é você entende? E de repente há de se chegar o dia em que beijei deliciosamente os mesmos lábios felizmente para sempre.
-"E sempre, e tanto..."
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O riso que traz a dorzinha empacotada.

Hoje estou com vontade de falar com um caracol, nada contra as outras criaturas... mas é que o caracol é coloido dessas cores que carregam a beleza pigmentada, que vem de longe... preciso dessas cores, nemque seja para me dar a impressão de que ainda existe gente feliz em outro lugar. Esse negócio de carregar a casa nas costas é bem legal. Eu até seria um caracol se um caracol pidesse levar alguém consigo, nas suas jronadas. Já viu como a feiura é perigosa? Se isso te prende, corre o risco de cegar. Por isso cantar a beleza tem de ser em forte tom, de voz aberta e peito quente. É um milagre conseguir uma lanterninha que rasgue um pouco dessa escuridão. A casa de um caracol... hi-la-ri-an-te-men-te é um espiral. Só mesmo um caracol para encontrar abrigo num formato de furacão. Mas eu não sou caracol. E os espirais continuam aparecendo e eu não consigo achar nem a ponta do fim ou do começo dessa espiral maior chamado vida. Eita coisa difícil que é viver depois de grande! Seu expiral existencial é feito de quê? Pirulito cheio de voltas e cores e doçuras? Lençol macio, de uma cama geladinha de chuva? Mistura de tudo? O meu tem sabor de coquetel batido três vezes nas desilusões mais diversas. Nada vai se tornando o que a gente pensou que fosse. Pode ser "um museu de grandes novidades", mas ainda assim é estranho porque se repete algo que é triste, ou tudo que você acreditava que fosse e não é. É volta que não caba mais. Hoje encontrei-me com tudo que já chamei de "eu" e tudo que já chamei de "meu". Acho uma tristeza imensa as coisas passarem. O que mais me dói são os amigos que a gente diz tchau, de forma gratuita ou pagando um preço muito alto... o que dói são os sorrisos fotgrafados na memória, as feridas que alguns nos causaram, e a virgindade e a beleza roubada pela falsidade. Passeei meus dedos por palavras escritas e dedicadas à pessoas que já não existem nos meus moinhos, nas minhas confusões. Rasga o peito saber que de nada adinataria se o tempo voltasse, se eles voltassem ou se eu voltasse atrás. A confiança e o respeito quebram-se em pedaços impossíveis. Existem portas que se fecham com tamanha força que te impedem de levar certas coisas a sério. A porta que bate forte racha o portal e fica uma dificuldade danada de tantar abrir novamente a porta emperrada para novos mundos, novas pessoas. Às vezes sinto sede de amigos, de dar boas risadas... mas sabe a estrutura rachada? Sempre pensa que abrindo-se, os ventos fortes podem entrar depois da brisa e a porta bater e rasgar de novo o portal enfraquecido em mil linhas desordenadas. E talvez o portal um dia não suporte. Com certeza muitos não acreditam mais em mim. E o cansaço? É por isso que você pára de lutar tanto. Ser já é complicado demais. Insistir em ser, ter, crer o tempo todo é como disputar uma maratona por toda a vida. Cansa pra caramba! Por falar em cansaço, tento acietar Irmã Morte passando por aqui novamente, deixando uma promessa de descanço em troca das asas feridas do meu passarinho. Há de estar bem melhor agora, cheio de vida, voando alto. Pássaros t~em de voar alto, ficar em gaiola é uma tristeza. É como só existir. A morte é um sil~encio quente e impertinente. É caracol, arrastar-se não é fácil. Você se sente responsável pelas cores que lhe foram dadas? Cor é dom, para se espalhar. Eu vejo que tem mais gente cansada por aí. O mundo tá pesado. Mas o que eu não entendo é porque, se estamos todos sangrando, não dar as mãos para tentar estancar tudo que nos dói e nos torna desumanos? Essa armadura de ser humano é frágil-forte demais. Só mesmo um milagre para nos fazer abandoná-la, correndo o risco de morrer no campo de batalha, arriscando-se por um contato a mais com o outro além de mim. É foda levantar a cabeça sabendo que todos somos feitos da mesma matéria, da mesma desilusão e da mesma sacanagem. - Espelho, espelho meu.... dá para parar de mostrar esse mesmo rosto todo dia, antes que eu me vomite?
segunda-feira, 29 de março de 2010
Us.

Hoje abri os olhos, e despois daquela morte meu corpo ainda doía. Mas havia alguma coisa diferente, o céu estava claro demais. Foi algo como se um cego, surpreendido por um milagre, enxergasse o mundo pela primeira vez. Imagino que deva ser assustador, de tão belo, de tão novo, pois foi assim que me senti. Me vi na pele do mesmo feto de sempre que sou, mas é tão bonito como as coisas acontecem pela primeira vez, ainda mais quando o milagre que lhe acalenta é o mesmo que você tanto desejou, oferecendo toda moléstia, toda alegria, todo caos e toda inércia. Depois da luz, tão clara e branca que ardia os olhos... depois da luz suguei seu cheiro. Não era um cheiro novo, porque você era tudo que eu tinha perdido e tudo que eu queria de volta, mas era como se fosse, novinho de primeiro dia. Era seu. Era o cheiro que toda noite me fazia dormir para te encontrar em sonho, era o cheiro que venceu distância, torcidas, nós mesmos. Vi lábios entreabertos, grossos, largos, expirando um ar quente repleto de vida... que me hipnotizava como um convite a um beijo lento e molhado... escrevendo contos em dentes que me fazem suplicar mordidas suaves, cheias de dor e carinho. Fui me perdendo numa sede desértica em tua saliva, tua língua, tua anatomia. Eu estava em êxtase. E eu que já era a garota dos shorts curtos, das cores escandalosas, das blusas camas das psicodelias mergulhei mais uma vez na sua imensidão entorpecente e me senti mais alucinada do que sempre. Me encontrei dentro de ti, e não havia contorsão, haviam dois corações, o meu e o seu, respirando iguais, pulsando freneticamente em perfeita sintonia. A sintonia tão perfeita que só dias almas tão opostas conseguem proporcionar. No canto, perto da boca, veio o charme em forma de pinta. Irresistível. Grudei em você. Um corpo que me mostra o relevo do mundo, silhuetas que imitam a mãe natureza, e dando um laço te consagra como filha. Ou será que é a Terra que lhe imita, e faz-se gigante por ser parte de sua alma e você mãe de tudo? Só pode ser um pouco mãe, pelo brilho nos olhos quando sonha e pelo colo encaixado que abriga minha cabeça, minha insegurança e meus suspiros. De olhos arregalados vi dois olhos puxadinhos que sempre me encantam por serem imensos e pela acrobacia de saber ser menina travessa e mulher, dessas que exalam perfume de dona. Sobrancelhas arqueadas e longas, olhos puxados e brilhantes, pinta, bochecha de cumplicidade, nariz arrebitadinho, testa de respeito, queixo de paixão e lábios, da "moça de sorriso aberto". E eu? Feliz. Inacreditávelmente feliz, depois de tudo. Mas Páscoa é ressurreição. Deitada nos edredons intermináveis, afogada nos beijos infinitos, colada na dança, devorada nas besteiras. Tudo delicioso. Eu não quero nunca te dizer tchau. Porque a melhor coisa do mundo é me cegar de novo e de novo e de novo atrás de seus cachos tampando minha visão. Caracóis do meu melhor amor, do meu melhor amigo.
domingo, 21 de março de 2010
" - Como todo namoro, é mais díficil quando acaba."

Tava conversando com o Caio, achei um tipo de oração de fim de namoro.
" Ah: fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada, e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicidios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em sua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas suas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro o cheiro preciso dele (...). Na frente do espelho, nessas manhãs maldormidas, acompanharás com as pontas dos dedos o nascimento de novos fios brancos nas suas têmporas, o percurso áspero e cada vez mais fundo dos negros vales lavrados sob seus olhos profundamente desencantados, sabes de tudo sobre esse possível amargo futuro. Sabes também que já não poderias voltar atrás, que estás inteiramente subjugado e as tuas palavras, assim quais forem, não serão jamais sábias o suficiente para determinar que esta porta conduza ao céu ou ao inferno. Mas sabes principalmente, com uma certza misericórdia doce por ti, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa. Só não saberás nunca que nesse exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva. Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado(...)"
Mais um de Caio Fernando Abreu.
Desconexões III

Uma semana são sete dias. 7 dias de abandono à minha loucura. Eu não me suporto. E a loucura não vai embora. O que me surta ainda mais. A loucura cresce por trás desses meus olhos arregalados e dessa febre custosa. Minha cabeça gira a 100 km por hora, não há o mínimo de organização aqui que me deixe saudável pelo menos. Ao contrário, toda organização deu lugar a uma força que me asfixia e me escurece as vistas.
Chorei três dias sem parar. Choro de culpa, de falta. Buraco fundo de um perdão impossível. Urgência de achar um caminho para reparar as coisas e te ter de volta, ou pra abandonar esse egoísmo da mesma forma que o desejo tanto.
Amigos. Essa palavra tem me feito cócegas doloridas. Grande perda, ou na verdade as coisas tem de ser como tem de ser, então é indiferente. Não foi forte o bastante, então já não quero para mim. Decepção. Eu sou mesmo insuportável. Não sinto rancor, sinto tristeza desenhando e apagando o rosto de cada um. Mais uma deseternidade me fazendo cair na realidade, ou me cuspindo na ilusão da loucura. Sei lá. É tudo frágil demais. É um saco ter que carregar o peso do equilíbrio a todo instante. Só restou eu e Caio, ele deixou o lugar lá onde ele estava tomando seu café sossegado e veio se deitar comigo. Ele pode tocar, apertar, apapar minha ferida, por que ele já esteve nisso. É uma invasão respeitosa, quase de fazer piada com a desgraça alheia. Juntos deliramos de dor. Pro resto eu não mandei nem um beijo.
Doídos. São seus olhos que eu pintei de vermelho. Como eu queria que eles me mandassem embora! Pelo contrário, ata meus olhos em ti e escancara sua dor. Eu não suporto, sempre fui covarde. Lanço tudo para fora de mim em lágrimas incontidas. Todos os nossos sonhos a dois, todos os nossos machucados mútuos... escorrendo nesses dias intermináveis. Os dias de outono são todos laranja-tédio-interminável; nada nem quente nem frio, tudo morno e preguiçoso. Até o barulho do papel higiênico desenrolando-se é alto demais. Outono carrega com ele a espera, sem esperança alguma mas com desespero abundante, em cada folha que cai. Esperamos por um milagre que nos salve do próprio outono, que nos salve de nosso cansaço. Até respirar exige muito esforço. A comida é sem gosto e o corpo padece em mil enfermidades, que expoem a alma necrosada.
De um lado do abismo eu, do outro lado, você. Ousei me aproximar. Vi sua barriga que eu tanto beijei contorcer-se freneticamente de nojo de mim e dos meus lábios. Facada merecida. Ouvi da sua voz que seu corpo já não sente mais nada. Facada merecida. O peito apertou sentindo você se entregar a outros braços. Doente de ciúme. Todas as facadas a partir de hoje são justas e fundas, atingindo a merda da minha memória que me deixa na mão quando eu mais preciso, retorcendo num sangue que não escorre, petrifica. Me apego até ao não parar tentar sobreviver ao seu talvez, porque se houver um sim eu tenho de estar viva. Um sim para vida não tem função quando já está morta.
Tudo num desencanto universal. Meu coração aprendeu uma batida tripla para doer mais. Eu queria você aqui parar me curar, mas não é possível, então eu vou dormir. Caio dá vontade de fumar. Ele faz parecer que quem fuma tem o direito de não ser perturbado por nada e morrer quando bem entender. Deus, nunca quis tanto morrer.
terça-feira, 16 de março de 2010
Toca aqui Caio!
'Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chhuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso. Teve uma hora que eu podia ter tomado um táxi, mas não era muito longe, e se eu tomasse um táxi não poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com força então que seria melhor chegar molhado da chuva, porque aí beberíamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumaríamos beberíamos sem medidas, haveria música, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus músculos. Mas chovia ainda, meus olhos ardiam de frio, o nariz começava a escorrer, eu limpava com as costas das mãos e o líquido do nariz endurecia logo sobre os pêlos, eu enfiava as mãos avermelhadas no fundo dos bolsos e ia indo, eu ia indo e pulando as poças d'água com as pernas geladas. Tão geladas as pernas e os braços e a cara que pensei em abrir a garrafa para beber um gole, mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Começou a acontecer uma coisa confusa na minha cabeça, essa história de não querer que ele soubesse que eu era eu, encharcado naquela chuva toda que caía, caía, caía e tive vontade de voltar para algum lugar seco e quente, se houvesse, e não lembrava de nenhum, ou parar para sempre ali mesmo naquela esquina cinzenta que eu tentava atravessar sem conseguir, os carros me jogando água e lama ao passar, mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, que me abriria a porta, o sax gemido ao fundo e quem sabe uma lareira, pinhões, vinho quente com cravo e canela, essas coisas do inverno, e mais ainda, eu precisava deter a vontade de voltar atrás ou ficar parado, pois tem um ponto, eu descobria, em que você perde o comando das próprias pernas, não é bem assim, descoberta tortuosa que o frio e a chuva não me deixavam mastigar direito, eu apenas começava a saber que tem um ponto, e eu dividido querendo ver o depois do ponto e também aquele agradável dele me esperando quente e pronto.Um carro passou mais perto e me molhou inteiro, sairia um rio das minhas roupas se conseguisse torcê-las, então decidi na minha cabeça que depois de abrir a porta ele diria qualquer coisa tipo mas como você está molhado, sem nenhum espanto, porque ele me esperava, ele me chamava, eu só ia indo porque ele me chamava, eu me atrevia, eu ia além daquele ponto de estar parado, agora pelo caminho de árvores sem folhas e a rua interrompida que eu revia daquele jeito estranho de já ter estado lá sem nunca ter, hesitava mas ia indo, no meio da cidade como um invisível fio saindo da cabeça dele até a minha, quem me via assim molhado não via nosso segredo, via apenas um sujeito molhado sem capa nem guarda-chuva, só uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito. Era a mim que ele chamava, pelo meio da cidade, puxando o fio desde a minha cabeça até a dele, por dentro da chuva, era para mim que ele abriria sua porta, chegando muito perto agora, tão perto que uma quentura me subia para o rosto, como se tivesse bebido o conhaque todo, trocaria minha roupa molhada por outra mais seca e tomaria lentamente minhas mãos entre as suas, acariciando-as devagar para aquecê-las, espantando o roxo da pele fria, começava a escurecer, era cedo ainda, mas ia escurecendo cedo, mais cedo que de costume, e nem era inverno, ele arrumaria uma cama larga com muitos cobertores, e foi então que escorreguei e caí e tudo tão de repente, para proteger a garrafa apertei-a mais contra o peito e ela bateu numa pedra, e além da água da chuva e da lama dos carros a minha roupa agora também estava encharcada de conhaque, como um bêbado, fedendo, não beberíamos então, tentei sorrir, com cuidado, o lábio inferior quase imóvel, escondendo o caco do dente, e pensei na lama que ele limparia terno, porque era a mim que ele chamava, porque era a mim que ele escolhia, porque era para mim e só para mim que ele abriria a sua porta.Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorri mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca. '
olhos ardentes... com o Fernando Abreu.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Cazuza, para mim.
Por onde eu ando
Levo ao meu lado
A minha namorada
Cheirosa e bem tratada
Não sei se o nome dela
É Eva ou Adão
É religiosa por formação
A minha culpa de estimação
Se alguém me ama
Ela diz que não
Se nem me notam
Ela diz: "Por que não?"
É a minha companheira inseparável
Sua fidelidade é incomparável
E me perdoa por não ter razão
A minha culpa de estimação
E me aceita o pior dos tarados
Um ser mesquinho tropeçando no nada
Guarda segredo e diz que não é chantagem
Que ninguém vai saber das minhas bobagens
Me dá um calmante e diz que é pra eu ser bom
A minha culpa de estimação
(Ela é de estimação)
domingo, 7 de março de 2010
40 dias .

Eu estava sentada ali mesmo, naquele pedaço de chão quando vi meu sonho passar por mim. Gritei, pulei, chamei-o até pelo nome... mas ele foi passando por mim, passando, passando e passou... como se nunca houvesse colorido de lilás meus cabelos e minha juventude. Ele preferiu pintar de outras cores outras cabeças, que existiam morando dentro de mim e continuaram existindo quando ele se foi. Ou foi eu quem o deixou escorrer? Faltou garra. Queria ter sido mais mulher. Mas ele passou por mim, então porque ainda dói? No seu último passo lançou-me um dedo de correntes que esfolou minha cara no chão. Doeu como quem abriga um resquício de esperança, como um suspiro antes da morte.
Por esse caminho de mundo encontrei homens vazios de espírito e de capas idênticas. Me senti enjoada e cansada, Pai. Fui parar em outro pouso... Achei homens com capas entusiasmantes, escandalosas, autênticas ... mas eles eram também vazios de espírito ou era eu quem não pertencia àquele lugar. Me senti velha também. Onde estão os ousados no espírito e na carne... de um mundo repleto de cores, derramando humanidade? Por onde se escondem os sonhadores, os que não aceitam, os que buscam o bem, os cheios de defeitos e deseconomistas de vida? A qual lugar me pertenço, afinal? Alguém aí cuide bem dos meus caminhos que são sabidos seus e tome conta desse meu coração para que ele não vire estátua e depois pó, pois ainda não é hora de desistir quando se teve nas mãos a vida e a verdade de um sonho. A realização moço, efêmera ou duradoura, é um oásis no meio desse deserto seco ... e me dá sede, muita sede... e essa sede é acentuada cada vez que uma água de mim parte em formato de lágrima.
O tempo então é meu inimigo e o amor meu maior aliado. Afinal de contas um sonho assim, cheio de fotografias dos sorrisos que um dia desejei desabotoar, não desfila muito tempo por aí sem ser transformado em desilusão. A porta do salão é o limite. Dai-me de beber vida brindada que essa morte é por fim meu caminho para tua entrada!
sexta-feira, 5 de março de 2010
Fascinar.

Univitelino: um vitelo dividido por duas almas distintas que ocupam um corpo só. Mesmo sangue que nutre dois olhos. Signo. Sinal. Rótulo. Verdade. Emoções dobradas à flor da pele. É imenso em sentimentalidades e duplicado na dificuldade de suportar e ser suportado. Conquista o respeito pela instrospecção irônica que carrega sobre seus ombros e pela maturidade natural que exala. É a personificação de deus e demônio e todos seus atributos. Opostos. Metades. Conflitos. Sobreposições. Aquarela de luz e escuridão, paz e guerra, liberdade e prisão, homem e mulher... dualismos de duas almas inteiras num corpo só? Sim, num corpo só. Um vitelo de cosmos compartilhados pela sede e fome de duas almas mendigas num mundo que lhes cabe como luva. Par de dois dedos que acabam numa mesma mão. Corpo sozinho que abre em cores dessa aquarela múltipla que se transformam em dois olhos. Dois olhos num rosto só. São olhos gêmeos, alimentados pelo mesmo coração que pulsa dois caminhos de sangue, oxigênio e vida. São olhos que lançam ganchos em olhos de caranguejos. Ascende. Acende. Afaga. Apaga. Apanha. Atém. São olhos geminianos que vêm e vão e são temidos pelo poder em dobro. E eu? Refém. Poder que me desperta complexo de lixo, que me joga em meio a um lixo imenso de emoções. Imóvel. Mas não apático, em submissão, que me faz conformar. Luxuoso lixo que me desperta na tristeza extrema, na revolta que me faz queimas as veias do anti-braço, que ergue meu corpo em prol de uma revolução. Olhos gêmeos que quando enxergam o horizonte, alcançam o mundo em desejo, alcançam onde querem chegar e me têm nas palmas das mãos. Gêmeo que me destrói e me constrói com seus artifícios infinitos de me fazer viva, e alegre através de uma longa e infernal estrada de mistério de um chamado pela dor. Medo e beleza. Medo do belo. Tão belo que amedronta. Fascínio.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ontem a noite minha barriga doeu de tanto dar rizada junto a uma amiga. Ontem a noite meus olhos incharam de tanto chorar com, para e por outra amiga. Ser humano é essa coisa tão desigual... oposta... essa coisa de paz e guerra, fome e gula, riso e dor... essa coisa de Deus e demônio, por vezes bem misturados e outras bem heterogêneos. Um homem de um jeito, completa outro homem de outro jeito. Falo isso por uma perspectiva cósmica que me permite achar graça nesse caos. Pelo olhar de Deus até a dor faz sentido e encaixe. Mas se visto bem de perto o ser humano é fábrica de razões e emoções em busca do equilíbrio e tem o poder de, em cada passo que dá, matar ou morrer um pouco mais ... ou ser lanterna para os que vêm de mãos dadas. A mão dada pode trazer um punhal ou permanecer enlaçada, caminhando do lado... Ser humano não vive sozinho, foi feito para reconhecer um grupo... por mais que o conjunto seja unitário. Para escapar do erro que é conviver, acabamos por precisar uns dos outros infindávelmente. Abandonam companheiros no passado e com o coração mesmo em pedaços, transplantam-se para dentro, fora e cima de outros companheiros... na busca insesante por gigantes maiores para inspirar, admirar, evoluir, sugar e apoiar quando o chão sumir. O chão é dado e tirado por homens e suas situações. O homem é essa coisa que alguém queria muito apagar, um arrependimento... e simultaneamente essa força propulsora que faz alguém levantar no dia seguinte, um abrigo de sonhos. Homem que constrói castelos de sonhos e os destrói com a mesma facilidade. O amor sem o homem seria nada. Nem a doença, nem a saúde, nem a história, nem o ódio, nem a tristeza, nem a alegria. Nada. Homem-cansaço, homem-vergonha, homem-decepção, homem propaganda de Deus. Homem pequeno e cheio e vida... homem grande e vazio e morte. Morte é a coisa mais fácil. Como é fácil morrer! Homem-frágil. Homem-fúria. Homem-forte que move moinhos.. Homem-mortal, obra-perpétua. Homem livre arbítrio escravo do tempo. Homem-preciso, descartável. Homem-insubstituível, esquecido. Homem-matraca, que silencia. Corpo e alma que usa, abusa é usado e usado. Homem-sexo, tesão de pureza. Homem tudo e nada, tudo ou nada, tudo por nada, nada por tudo. Ligado a mim, a você ... leitor-escritor. Platéia, coral, palco, banda. O homem não vive sozinho, mas feliz de quem cultiva a solicitude. É dependência conquistando independência e jamais deixando de depender. O homem quer ser eterno e a eternidade só existe se for comentada, documentada, esparramada como tinta que cai ao chão. É uma graça desgraçada ter que conviver todo dia sendo humana e tendo humanos. O homem é toda dor e a alegria que vive em mim. Homem melhor sono quando sonha junto. Homem poro, gemido. Homem insônia. Loucura tênue na sanidade, por que não enlouquecer? Quem ainda é normal? Metade do meu amor que me faz inteira por sofrer, me obriga a viver e me mata até o dia que eu morrer pra sempre.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Sobre o afeto.

Afeto é a batalha diária a favor do perdão e do perdoar e a insatisfação rotineira de querer dar mais que ontem e muito além do que se tem por natural... como um grito que tomasse conta de todos os espaços disponíveis no mundo e ecoasse pelo resto da eternidade que discute a infinitude ou a mortalidade do universo... que é muito maior que um ser que ama, mas talvez seja menor que um grande amor.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Auto-patrimônio histórico da minha humanidade.

Hoje a moça da faxina chegou cedo. Acordei sob um céu de espirais rosas e com a voz mais doce me falando ao ouvido. Embaixo desse espiral rosa eu amo o caos e a calmaria de todas as facetas da vida. eu estava com saudades da moça da faxina, é sempre bom conversar com ela e além do mais, agora os cachos que ela sempre teve fazem mais sentido para mim. Acordei bem sonolenta e pronta para o sempre fabuloso café-da-manhã de sábado. Pus-me a perguntar com qual frequência faxino minha alma... porque se minha alma for o reflexo que vejo na minha casa... ai, ai, ai. A moça vai ter muito trabalho hoje. À medida que a gente envelhece vamos ficando mais cansados, descrentes, desleixados... e quando percebe-se estamos com a casa e a alma pesadas de entulhos, escombros. Aqui em casa, quando eu olhava ao redor, assistia um bucado de coisas inúteis, poluindo minhas paredes azuis e mesmo assim na hora do desfazer-me delas, a disposição se escondia de mim. Acho que esse acúmulo era minha consciência implorando alguma demonstração externa que não me deixasse esquecer que se eu não faxinasse minha alma, ela seria cada vez mais esse acúmulo de coisas desagradáveis e dispensáveis. Mas o que me chamou atenção foi que a moça interessou-se por meus entulhos. O que era desnecessário a mim, era necessário a ela e foi preciso uma intervenção externa, bem escancarada para que eu me desfizesse do relicário da minha preguiça. E são tantas as vezes que nossas emoções desenrolam-se dessa forma.. por vezes nos sentimos como uma casa velha, abandonada, feia e desinteressante... assim, nos colocamos como entulhos cuja única função é atrapalhar outros caminhos e observar os passantes, estáticos, inertes. Mas daí, sem aviso, passa alguém que nota os entulhos e mais que isso, necessita de todas as emoções e detalhes nossos que julgamos não ter mais utilidade. É para isso que servem os anjos de carne e osso e calças jeans... os gogantes que não nos deixam cair. Reciclar. Reutilizar. Reconstruir.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Turyia é um bom nome para corujas.
Seja bem-vinda de volta, insônia minha. Da última vez sua visita foi demorada, me custou. O sono é uma dadiva, é a expressão do descanso quando se está em paz. Uma das coisas que mais me deixam fascinada é um ser humano com olhos fechados... é incrível como o ato de dormir deixa que até o bandido exale inocência. Cada ser que dorme, experimenta a sensação da concepção... como um feto inocente, raso, aquecido no útero materno. Os olhos fechados, nesse momento, não carregam a morte nas pálpebras... mas sim a graça de poder ausentar-se do mundo dos vivos por alguma horas e acordar num novo dia, que pode ser mesmo novo. Como quem nasce, ou renasce. Dormir é romper o cabo que nos liga à realidade. É lindo observar alguém que repousa e ver a criança deixada na infância vir à tona para brincar de fazer sonhos dentro de um semblante tênue e leve, num mundo onde tudo é posível e verdadeiro. Dormir é mesmo um dom... tão natural e poderoso quanto o respirar. O que seria de mim se não mais respirasse? Um corpo frio que não pulsa e que, por partir, nada altera no sentido da sociedade humana. E o que é de mim quando não durmo? Dizem que a causa da insônia é dificuldade de abandonar a si mesmo. Talvez ( digo talves porque tudo parece ser de sal, prestes a desmoronar no próximo instante), mas talvez seja isso mesmo. Meu "eu" está em apuros, e ele é o náufrago que eu não posso abandonar nesse mar de ilusões. Seria a assinatura final do pacto com a escuridão, e eu odeio morrer. Meu "eu" pede socorro, corre perigo. Como salvá-lo? Me irrita o fato de ter que trabalhar amanhã com o corpo, sendo que a alma não vai nada bem. Nunca consegui desvoncular corpo de alma; tem gente que é bom em maquiar-se, dividir-se, camuflar-se. É fim de carnaval... o calor vai dando lugar à chuva... e é início de Quaresma. A insônia veio com data marcada, propensa à reflexão e mudança. Eu amo dormir... amo meu quarto escurinho, minha fronha do Mickey e meus sonhos de travesseiro. Por ser tão gostoso isso de quarto, acho que os chamaria de recompensa. Alguma coisa tem de mudar por aqui, para que eu seja merecedora do descanso. Enquanto isso, velai corpo meu ... não desista de pulsar meu coração cansado... até que sua alma esteja de pé, colorindo tudo com as aquarelas abundantes que vêm da saudade que eu sinto de mim.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
A hipocrisia de cada dia nos dai hoje.

Afinal é carnaval. Todo mundo vira palhaço mesmo, um pouco fantasiado. Esquecemos os rótulos do dia a dia, as virtudes, os valores .... e todo mundo cai na mesma roda de samba. Viva o ato de suportar quem se odeia e até cantar uma marchina juntos, por que não? Nesse carnaval quero agradecer em especial aos sorrisos maquiados e àqueles que falam uma coisa e fazem outra. E tenho uma dúvida: por que usar fantasia para quem quer nos despir depois que a folia passar e manter-se sem fantasia para quem, depois da folia, antes ou mesmo agora se nos encontrasse nu... estenderia um mundo de manto e protegeria nosso frio, nossa vergonha, e os confetes muito bem recortados? Que isso minha gente! carnaval a gente pode esquecer. Esqueça tudo, como se o passado simplesmente nunca tivesse existido. Qual sua fantasia? Qual baile você escolheu dançar? Será que vestindo essa fantasia você finge ser quem não é por quatro dias, ou é exatamente vestindo uma fantasia que tua covardia encontra coragem para se mostrar? Aproveitem essa oportunidade anual de beber até cair, lançar palavras a esmo renunciando o poder que elas exercem sobre as emoções humanas... Só cuidado com os disfarces, eles podem querer durar até depois da quarta-feira de cinzas. O disfarce pode enojar o estômago e nem todo lugar é propício ao vômito. Tem gente que é carnavalesco nato, sabe? Aquele moleque da escola que continua a fazer piada mesmo após tudo ter perdido o sentido, morto nas bocas caladas? Tem gente que faz de todo dia um verdadeiro carnaval. Um brinde à vida descartável!
Fé.

"Não estou interessada na indústria dos seguros. Estou cansada de ser cética, a prudência espiritual me irrita e fico entediada e exaurida com o debate empírico. Não quero mais ouvir isso. Estou pouco me lixando para prvas, demonstrações e seguranças. Tudo que eu quero é Deus. Quero Deus dentro de mim. Quero Deus brincando na minha corrente sanguínea da mesma forma que a luz diverte as sombras." (Liz Gilbert, em Comer Rezar Amar)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
To search..

- Estava olhando minhas fotos antigas. É engraçado a forma que tomamos em cada fotografia, não sei se com todos é assim, mas em cada retrato me torno uma pessoa... que se procurarmos em outra fotografia de mim, não encontraríamos pessoa igual à da outra imagem. Acho que conversar pouco vem do fato do meu corpo escancarar tudo que eu sinto por si só. Observei que em minha última fotografia, as pessoas estavam coloridas em pleno show de rock e eu saí cinza, destoei de tudo... e não foi pra fazer justiça à ocasião e aos choros das guitarras. Mesmo encantando o externo, desencatei-me de mim, despedaçando como quem quer derreter. Se eu derretesse agora, seria em fluido transparente. Acho que na verdade faz muito tempo que meus olhos não sorriem junto com minha boca.
domingo, 31 de janeiro de 2010
'Bhuta ia, Dewa ia'

Finalmente encontrei no emaranhado de palavras dos livros meus uma frase que sintetiza o que penso sobre as coisas de bem e mal: - Bhuta ia, Dewa ia. (...) O homem é um deus, o homem é um demônio. Sempre acreditei que o ser humano é a casa de Deus. Que seria inútil eu buscá-lo num bando de templos, quando eu ainda não o tivesse encontrado dentro de mim. Deis está no local mais íntimo e inexplorado do que chamo de eu. É como se por baixo de minhas entranhas, tecidos, vazio... existisse uma pedrinha muito bem escondida que tem como caminho uma exigente disciplina, desapego material, amor inciscriminado e ação para o bem estar alheio. Quando aingirmos esse local entramos em total contemplamento, sorrindo e nos aceitando com toda parte do corpo, amando e enxergando a beleza tanto no caos quanto na calmaria. Êxtase. Paz. Colo de mãe. Creio que esse Deus que criou os homens e nos livra do desespero diário de ter que suportar o tempo, mora dentro de cada homem e mulher. E é por ele que aquela mulher enfrentou o homem que iria estuprar a criancinha de 4 anos, ou por ele que o amigo pulou na água para salvar o desconhecido que estava afogando, ou a moça abraçou a amiga com o coração despedaçado de amor rompido... essa infinitude de compaixão, atruístas é bem verdade, contudo espontâneas é o homem deus atuando extremado. Por algumas vezes essa grandeza de um Deus pode cegar o homem. e assim, brincando de deis-que-tudo-controla ... o homem deus tornou-se Hitler achando que o mundo deveria ser mais puro, e a impureza estaria na figura dos judeus... O ser humano ao brincar com a natureza, esqueceu-se de um grande detalhe: a natureza, assim como ele, também é habitada por Deus. Esqueceu-se que o ser humano, contudo, além de er habitado pelo bem, também abriga o mal dentro de si, por isso torna-se finito, mortal, frágil. E a natureza, repleta somente do bem e da beleza da paz e do caos é infinita, imortal. Um terremoto mata milhares de homens. A natureza não só sobrevive a um terremoto, como torna-se ele mesmo. Então como o mesmo homem habitado por deus, que atua com bondade pode estuprar um bebê de oito meses, assassinar o companheiro da mesma espécie por conta de dez reais, arrancar a pele de esquilos vivos e os matar de dor por isso... desviar o dinheiro que seria para alimentar o pobre a fim de comprar um carro importado? Tenho certeza que esse homem não foi mau durante a vida toda, mas houve momentos de bem e de mal. Algumas religiões colocam a culpa em espíritos malignos, que vêm de fora e tomam posse do corpo de um ser humano, levando-o a fazer o mal. Nunca fui de acreditar muito nisso. Se Deus e Diabo são rivais, opostos de igual poder sobre nossas ações, então ambos deveriam pertencer a uma mesma dimensão, sendo atingidos por caminhos em direções opostas. O Cristianismo prega que Deus está dentro de nós, assim como religiões orientais. Mas entra em contradição quando canta "Vem,vem,vem...', inflamando os fiéis a chamarem algo que vem de fora para dentro. Daí, de repente, eles falam que os espíritos que nos tornam maus, estão do lado de fora de nós. E tudo fica muito confuso. O que eu estou chamando então? Essa mania de colocar culpa no outro é nossa maquiar nossa responsabilidade sobre os fatos que podemos controlar. E a herança desse costume é refletido nos nossos relacionamentos. Exustem acontecimentos inexplicáveis na vida, que não dependem de nós. E os sentimentos que isso tido desperta na gente é tão incontrolável quanto esses fatos, mas nossas atitudes... aquilo que fazemos como o que a vida faz de nós é totalmente de nosso controle. O 'capeta' é aquilo tudo que você vê no seu rosto e na sua consciência quando olha no espelho. E deus é tudo aquilo que você olha no espelho também. Antes de expulsar sei lá quem de você, que tal refletir sobre o que fazer para ser uma pessoa melhor? Acredito que todos os homens nascem com a vocação igualmente espaçada tanto para o bem, quanto para o mau. Essa instinitividade selvagem, num mundo sem leis estaria escancarada num espetáculo que eu não gostaria de pagar para ver. A crueldade humana cada dia me prega um susto maior, e a bondade também. Ambas podem ser grandes demais. É por isso que deixei de ser libertária extrema e me tornei a favor de rédeas... não sei até onde poderíamos chegar. tanto no bem, quanto no mal. Como é bom ser chamada de babaca quando, apesar da oportunidade de vingança, escolhe-se plantar uma semente de perdão e paz. Antes de mudar o mundo é preciso domar o mundo gigante de maldade e bondade que há em nós mesmos. Já somos muito complicados e o que há por fora são bilhões de mundos igualmente pesados, bons e maus quanto o seu. É mercadoria demais. Um pouco do caminho para chegar-se na pedrinha de Deus é passado pela educação que recebemos, pela religião que praticamos, pelas leis de onde vivemos, pelo amor de quem nos cuida e, por fim, pela digestão que você faz disso tudo que lhe é transmitido. Por isso minha amiga, não se assuste mais quando eu gritar: Eu sou o capeta!
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