domingo, 24 de julho de 2011

Vem aí Joana D'arc, agora sem mim.



Minha cidade é do tipo tradicionalista, com opções restritas e hábitos sociais concretos. Nesse contexto, viveu por anos um "bar-casa-de-show", ponto de encontro durante muito tempo na noite anapolina. Deixo bem claro que este não é um hino de exaltação à Anápolis, nem gosto de viver aqui e pretendo sair logo. Ontem, depois de muito tempo sem sair anoite, fui com meus amigos nesse local e chegando lá tive uma surpresa: era a noite "saideira", o bar fecha definitivamente suas portas. Meus pés saíram do chão, voltei minha história há alguns anos atrás, fui sepultando minhas memórias, estraçalhando cada pedaço, cheia de dor. Minha adolescência escreveu um romance longo, conturbado e emocionante naquele chão. E eu estava ali e vivi cada momento mágico, e agora só posso contar tudo depois. Lá vivi reencontros inesperados, chorei amores, senti frio de tanta saudade, vi decepções com meus próprios olhos, conheci um príncipe encantado... sempre muito bem acompanhada pelos melhores amigos que alguém poderia ter. Fiquei de ressaca no dia seguinte. Não é apego material, aliás, é apego ao abstrato, àquilo que eu não posso mais tocar, àquilo que hoje é só lembrança, por isso é tão difícil dizer "tchau". Senti-me chorosa como se alguém destruísse meu museu pessoal. Olhei o teto, nem quis mais dançar, quis tragar meus últimos minutos de uma bela história. Quis respirar cada gota de suor que eu e meus amigos derramamos ali, quis absorver cada detalhe nas paredes, nos quadros, nos lustres, na falta de luz... As coisas da vida vão mudando, vão ficando mais tristes. As pessoas mudaram, eu mudei, fiquei distante, de olhos afundados. Lamento muito, pois é mais uma coisa da qual sentirei saudades. Completei 20 anos o último dia 17, fase adulta selada e hora de dizer adeus à juventude. Minha história confundiu-se com a história daquela construção. A noite estava gelada, quis ir embora. Talvez, quis partir para não derramar ali mesmo as lágrimas da despedida. Tocava "Suspicious Mind", do Elvis. Eu adorava aquela música.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Que seja cheio de intensidade.



Deixa eu dançar, pro meu corpo ficar odara...
Minha cara, minha cuca ficar odara....
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara...
Pra ficar tudo jóia rara...
Qualquer coisa que se sonhara,
Canto e danço que dará.

sábado, 25 de junho de 2011


Não pinte minhas paredes. Ninguém tem o direito de pintar, de apagar ou de jogar fora as lembranças de alguém. Minha vida foi encaixotada num papelão e ter a encontrado num amontoado de entulhos não me agradou nada. Me doeu, mais uma coisa que dói em mim de você. Quantas mãe deixam o quarto do filho morto intocado por anos e anos? E eu ainda nem morri. Meu quarto deveria permenecer trancado para sempre. Vi minhas letras empoeiradas, deixadas de lado, ao lado também das letras daqueles que comporam minha história antes disso. Meu verde, você pintou de rosa. Você sabe que eu jamais teria feito essa escolha. Aliás, não há mesmo mais nada lá que seja eu ou um pouco de mim. Você poderia ter poupado pelo menos minhas fotos para que meu sorriso, quem sabe num dia nublado, pudesse lhe trazer luz. preciso acreditar que um sorriso, essa coisa simples e difícil de se dar hoje em dia, ainda pode mudar alguma coisa. Já seria um bom motivo para eu continuar de pé. havia ainda um pouco de vida nas minhas cores, tenho certeza. O meu cheiro ainda está naqueles livros? e as emoções que senti quando os li? Fico com medo de que você talvez os venda, hoje em dia até isso dá grana. Não venda parte de mim, minha alma amputada. Acho que minha vida continua a pulsar aí, talvez em forma do mel que eu tanto amo. Não me esqueça ainda mais. Apesar da grama sufocada pelo cimento, num canto que um dia já foi meu. Curioso é partir e continuar prisioneiro da dor.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Parto-me.


Ontem eu lhe dei meus ouvidos. Você também calou a minha alma. Pelo menos, não te ouvi apenas para esperar minha vez de falar. tenho amigos que fazem bastante isso. Mas não. Eu te ouvi. Mas palavras... essas já morreram dentro de mim faz tempo. Agonizam de dor o tempo todo. Quando saem, e se saem, preferem sempre a escrita, nunca a voz. Nunca sei o que falar. O problema de ouvidos é que eles também se alegram com a esperança, é uma pena quando são falsas. Eles têm comunicação direta com o meu coração, logo quando um sorri ou chora, o outro vai logo atrás. Hoje acordei e me dei conta de que só lhe dei os meus ouvidos. Não havia outra coisa que eu pudesse lhe oferecer. Talvez, algumas lágrimas que não são tantas porque seria difícil serem suficientes para me desabafar. Sigo paralisada pela dor, portanto não pude mover meus braços.Ontem, não fui capaz de lhe dar um abraço se quer. E se quer saber, isso também me dói. Segue doendo. Não consegui te atar num laço de afeto. Hoje vi que mudei mais do que estimava. Minha doçura, ou o que era belo em mim, pu virou pó ou pedra. Pode ter desaparecido também, mas sempre preferi brincar de pique-esconde. Você se lembra de quando eu era pequena? Dureza externa, ruína interior. peço perdão por não ter te apertado para que suas lágrimas fosses choradas em meus ombros. talvez, você quisesse algo além de meus ouvidos. Mas é que quando os ouvidos cansam, o coração fica exausto também. Estou muito presa dentro de minhas próprias correntes. E não se assuste com o pálido no meu rosto pois essa foi a hora que mais estive perto de você. O que farei amanhã? Não sei. E nossos sorrisos seguem idênticos.

domingo, 29 de maio de 2011

Coisa de alma.













Uma injustiça bem grande me assusta e me entristece: é um absurdo. Já viu queijo temer goiabada? Borboleta ter medo de flor?
Fico muito chateada quando vejo uma criança com medo de bicho.
De cachorro então, não suporto. É intolerável dois anjos não se reconhecerem.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Crônica da Coca-Cola Zero


Fui descobrindo que a vida é foda, menos romântica que dor de cabeça e as serendipities, raríssimas. Pensei em tatuar Serendipities em forma de espiral, mas não sei onde, talvez atraia sorte. "Adultecendo", vou tentando podar meus rompantes de mau-humor, manter o brilho e a disposição pro riso.

Enfim, no sábado dessa semana a qual meu "biso" faleceu, o porre acumulado tomou conta de todas as minhas veias. E eu fui para a rua, ao invés de flores, esparramar enjôo. Reconheço que eu estava insuportável.
Calma, essa ainda é uma crônica de amor, ou de coca zero. A "rabugice" me deixa metódica. Todo mundo que bebe refrigerante há de trr algum preferido. Mas nesse sábado específico somente um único refrigerante me serviria: minha pupila, coca-cola zero. O "bad humor"não te permite variar, perceber em volta, enxergar algum ponto positivo nas coisas externas a você. Estar de mau-humor é algemar-se e esconder-se dentro de si mesmo, cuspindo cacos de vidro cortantes para fora.

Comeremos pizza, amor? De novo?
Não.


- Cedi!

Não tinha coca zero, eu não gostava da minha vida e nem daquela pizzaria. Mas aquela, era a pizzaria favorita do meu bem. Não me custava, mas é claro que meu grande mau-humor tinha de transparecer: através de um notável bico, claro.


E não tinha coca zero também na lanchonete ao lado, nem no bar da esquina. Somente o breu e meu bico. Me recusei a andar, sentei. E o bico cresceu, dobrou. Teria de comer pizza a seco? Meu bem pôs-se a andar, e demorou.

Voltou, sem nada na mão. Foi pegar dinheiro. Achei que tivesse ido embora, depois disso, e me deu um medo...



Após os minutos de quem espera, meu bem cruzou a rua. Coca Zero geladíssima na mão, segurada pelo gargalo, suspensa como um troféu. Era um troféu, que nocauteou meu bico e minha alma pediu licença ao mau-humor para um sorriso sair. E só consegui dizer ...


- Obrigada!


A prova de amor estava dentro da garrafa. Meu amor me amava ainda mais e apesar de meu sábado irritante.

terça-feira, 5 de abril de 2011


"- Só nós dois; sós os dois; sóis os dois."

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 22 de março de 2011

Será que o mundo é meu?






Um de meus cheiros favoritos é o de vinho tinto, suave. E o tempo mais gostoso é o frio. O fim de um amor deveria ter cheiro de vinho tinto, suave e sempre ser frio. Frio de doer. O ser humano tem a destreza de transformar as coisas belas em horrorosas. Não é a vida que tem culpa de desconstruir e desgastar os momentos de alegria. A culpa é minha e sua.

Sempre tive medo de "Alice no país das maravilhas" quando pequena, nem havia chegado a assistir o desenho até que fosse adulta suficiente para fingir que não tenho medo ou até que fosse adulta suficiente para ter uma mão segurando a minha, apertando o meu medo e me protegendo daquela angústia infantilizada.

O desenho me arrepiava. A menina caía num buraco e de repente tudo virava cores vivas e confusas, tudo girava e eu ia junto. Não passava dessa cena. Meu estômago embrulhava. Alice vem aos sonhos dos enamorados que se separam. Ao menos, nos meus. Seria Alice o puro mistério ou um estranho num mundo que não lhe pertencia?

Entra aqui um protesto: deveria ser crime um casal de enamorados dormir separados, e mais... quando a paixão chega a vida deveria dar um tempo com essa coisa de horário, de trabalho, de tempo. E como passa rápido esse coelho branco. Mas é a ele quem devemos nossos castelos que construímos diariamente. Só não sabia que os castelos eram de cartas de baralho, mas são. Frágeis, como a linha que separa morte e vida.

O amor que se despede lhe transforma em ilusionista. Os sentidos viram mágicos e te levam a voltar no tempo ou a construir um novo agora. O corpo amado de ontem ainda está a esquentar os lençóis revirados e quentes, mas de repente restam só os lençóis e você e suas mãos que passeiam no vazio do colchão e tocam o vazio da alma. Depois, seu amor sentado ao seu lado na mesa segura uma mulher, e eu mágica que sou pisco meus olhos, a colher cai e não há mais a razão do meu afeto. A razão vai e o afeto fica. Escorrendo em lágrimas multicoloridas., inundando a ausência me despenco numa queda livre, na cratera infinita da angústia de Alice. Voar agora não tem nada a ver com liberdade. O céu é escuro e desconhecido. Medo. É uma vida que se vai. É uma morte infinita, enterrada pelas lembranças e prolongada pelo fato de ainda assim continuar respirando, tendo de viver. Somente poções mágicas para aguentar o choque. Podem te engrandecer, você pode até entrar na onda psicodélica de que aquelas cores são belas. Mas no fim, é só você mesmo e bem pequeno. A pequenez despida diante de um mundo horroroso. O ser humano tem a destreza de transformar tudo que é belo em feiúra. E assim resta o mundo e você.

O problema de Alice, de garotas, de humanos é que não se sabe onde é chão, onde acaba ou começa você e o outro, nem o que foi, é ou deixa de ser. O que é não é, a ilusão é real e a realidade é ilusão. Tudo o que resta é amor, que te leva à imensidão, que te engrandece e que te destrói. O amor sim, é o mundo mais perigoso. É por onde Alice, eu e você vagamos e não sabe onde iremos parar. Amar é derrotar diariamente espelhos e gigantes. E viver é escrever um livro e se tiveres sorte, um livro que conte uma história sua que encante crianças e despedace adultos, e que no fim seja a mais impossível realidade de todos os tempos. Que a sua vida caro leitor, seja maior que a saudade.



-"Essa morte constante das coisas é o que mais dói." (C.F.A.)

sexta-feira, 18 de março de 2011

O poema do menino Jesus


Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para
elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair
no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar.



Fernando Pessoa

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Outra ilusão desaparece quarta-feira..."




Psiu! Não podem saber quem eu sou. Psiu! Calem-se. Cale-me. Hoje, um cansaço imenso tomou conta de mim. Um cansaço como meus cansaços, só que bem maior. Talvez nem uma eternidade de sono pudesse me recompor. Viver minha vida anda sendo como viver como uma atriz, interpretando um papel 24 horas por dia. O que "V" disse naquela película hoje não faz mais sentido . O perigo de usar uma máscara não é esquecer-se de quem se é, mas de achar a máscara melhor do que a própria face. O perigo de usar uma máscara é destestar cada segundo que ela cai ou lhe é arrancada. A vergonha pode corroer seus músculos, seu estômago, e escorrer dos olhos. Num dia desse, só quero colo. Ouvi também que o belo, o especial é ser diferente, lutar contra a marcha. Mas a contra-correnteza fadiga os músculos. Hoje só queria faezr parte dessa corrente. Ser eu mesma tem sido dolorido demais, afinal de contas, qualquer deslize que mostre a verdade pode colocar meu mundo em destroços. Perder tudo. Tudo o quê se nada disso é de longe uma realidade que eu conhei para mim. Hoje é o dia do arrependimento. Me arrependo do meu corpo, da minha alma, da minha vida. Hoje queria estar num lugar bem longe daqui. É muito além do que ter beijar o próprio espelho, é questão de vida mantida por aparelhos ou eutanásia?Sorriso amarelo, sem graça. Nunca quis que tal apatia me contruísse como adulta, assim. Na exaustidão eu só queria ser aceita, tudo conforme o figurino. O pior é que quando não finjo, é quando sou mais feliz. Mas fazer o que se o povo dita? Andar, andar, andanças. Até um novo cansaço súbito. Existe coisa mais feia que esbarrar em alguém com uma força tremenda, capaz de arrancar os ombros da outra pessoa? Imagine agora que você é a pessoa que sofreu esse esbarrão, e sem perceber um pedido de desculpas é você quem se desculpa: desculpa por ser quem sou. Quero meu casulo, pois estou com um medo danado do mundo. Enquanto decido que renunciar a mim seja minha condenação para uma eternidade infeliz, hoje só quero é dormir.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Andanças sem andar.


É que tem dias que o palhaço fica assim ao céu, sem teto na cabeça, sem casca nenhuma que lhe faça um pouco mais forte. Se fosse no palco, ele diria que estava um super herói sem capas. Mas piada assim, cá pra nós, não tem graça alguma. Tem coisa mais triste que um palhaço triste? Depois do espetáculo, na rua e sem platéia, a dor escorreu pelos olhos, borrando a maquiagem roxa. A vaia veio de si, ou de partes que lhe compunham. Cada aplauso fora uma vaia que lhe arrebentava as costelas? A lua tem mania de dar o tom de azul às coisas. Lembrou-se então de outras memórias, cobertas pela mesma luz: como era belo o blue daquela pele gélida na madrugada. Blue. Blues. Para acompanhar o choro, uma canção. Como doem as lembranças! E como corroem as incertezas! Não bastasse a zombaria dos outros revirando suas víceras, agora o que lhe restava eram chacotas, deboches de si ou de partes de si para si mesmo. Num cansaço enorme, desabou no picadeiro, teve vontade de abandonar a corda. Mas apagou as luzes e foi pela noite feito coruja pensando o que faria agora sem lar. Ao léu. à lua. Enquanto sua vida envelhecia.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Flor no lixo.



A beleza é ingrata. Ou são os olhos de quem vê? O que é belo é relativo. O que depende, deixa de ser, para parecer. Aparecer? Não. O que é belo pode ser distorcido da beleza na tentativa. Para embelezar-se, esforça-se, espreme-se e o toque final é dado por um sorriso. Mas a beleza é mesmo ingrata. Velhice. Rugas. Curvas. A flor cansou-se de ser bela. E murchou.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Quando se perde um grande amor ...


No primeiro dia uma anestesia te toma, uma dormência de alma e corpo que deixa a vista e os sentimentos embaralhados como se tudo e nada fossem a mesma coisa e ambos completamente possíevis. O segundo dia amanhece sem oxigênio e a cada passo parece existir um cinto comprimindo aos poucos sua caixa toráxica. E essa coisa gradativa lembra a eternidade, e nada pior que perceber que a eternidade agora será vivida assim, só você e o tal cinto. Ah se você der a sorte de chorar... Eu desejo que você chore, pelo menos assim as lágrimas escorrem-se, te desinxam, a cintura fica um pouco mais frouxa. Senão, o esmagamento é inevitável. E por fim, o terceiro dia... a Bíblia fala que é o dia da confirmação, o prazo final para tudo, a última chance de voltar atrás. Daí falta todo o ar, o cinto espreme as víceras, as vistas e os sentimentos. A quietude é assustadora, todo silêncio de arrepia a alma e num desgosto de apatia, o corpo rui e a alma desmancha. Uma semana, duas, três... e então imagino que uma experiência de quase morte te torture e nenhuma realidae é capaz de ocupar seu tempo, que terás de viver sozinho. Os velhos sonhos faziam sentimento e querer à vida, sem eles não haveria como imaginar-se. Um novo ser, desencarnado, impassível. Insoso. Escuro.

Por sorte os pés se encaixavam ainda e de novo. Novo. E qualquer posição que os corpos se jogam é feita da completude que convida ao sono. Um sono gostoso demais. Sono quente de paz.


Abri os olhos e o suor que me esscorria pela testa era apenas o calor daquele quarto repleto de amor. Era só um pesadelo.

- Bom dia, amor!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Minha omissão.


Os olhos vagueavam, de um lado para o outro, passavam pelo filme, pelo escuro, pelo mofo das paredes e caíam por fim dentro de mim, no abismo das lembranças. Eu não sabia o que fazer, onde me esconder ou se era para me mostrar. Quando estava me arrumando o Nando me alertara, havia sempre alguma chance do impossível rolar. O ceticismo não me deixou acreditar, até pagar para ver. E vi, como uma cena estranha de milagre. Agora não sabia nem onde botar as mãos, em que tom respirar para não demonstrar o pavor daquele impossível rolando aos meus olhos. À Deus devotei o deslumbramento das coisas imprevisíveis, e a permissão para que milagres como esses acontecessem. O cheiro era o mesmo, e o abraço exato e humano, dosado, apertado, delicioso. Eu estava com saudade, e meu mundo precisava dessa paz. Não há lugar melhor que a raiz de uma árvore.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Ficando no caminho.


Desta vez a tristeza viera tão forte, tão profunda que nem mesmo as palavras da menina-mulher ousaram confrontá-la, entendê-la e tampouco resolvê-la. Este era o cenário que chamaria de veramente desconhecido - a garota não tinha estado em tal desapontamento sequer por imaginação. E então ela permaneceu como o esperado, ou como quem espera por nada ou por tudo, na verdade permaneceu assim além do tempo previsto; quieta, impassível, impotente. Ela sentia falta das palavras, da caneta borrando seu mindinho. Será que todas as suas memórias lhe faltavam? Pois tudo de repente se desfizera e misturado num borrão grotesco, ausente de beleza, e todas as dores e alegrias passavam a não existir. Agora sim tudo estava realmente confuso e nada que acontecia era verdade ou suficientemente ilusório para ser mentira, ou era. Amélie, olhando os dias que passavam cinza sonhou que vinte anos ficaram para trás como prova dura de todos os seus sonhos fracassados. Nenhum plano sobreviveu às enchentes. E na angústia da falha, ela equilibrou-se novamente no paradoxo. Aceitar seu destino ou revoltar-se pelo insucesso de sua saga? No meio de todo o caos, a mulher enxergou alguns rostos conhecidos e viu que apesar de todas as coisas, mentiras ou não, a vida era a realidade tristemente real. A plantinha que Amélie trazia junto ao peito permeneceu intacta, calando ou tagarelando, mas jamais abandonando a reciprocidade daquele amor. Seu alimento estava na seiva daquele verde esperança. E então ela pensou que o seu futuro estava na raiz de uma árvore.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fiona.


Quero lhe falar do tamanho da falta que você me faz e lhe agradecer por ter salvado a minha vida quando meolhou daquele jeito, com aquele brilho, se estremecendo do amor mais puro do mundo, que só os anjos de Deus são capazes de demonstrar. Naquele dia seu pêlo combinou perfeitamente com o verde da casa e o azul do céu e você me disse o que tanta gente deixou de me dizer. Quero que saiba que sua doçura só podia ter a cor do mel e que eu te amo também. E a falta que você me faz é grande demais...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Para quem queria notícias.



Desliguei a televisão. As luzes ligadas em silêncio fazem o barulho do computador ser tão alto que chega a ser silêncio também. O silêncio mais ensurdecedor. Estar só não é fácil. Bem, na verdade é fácil quando a "auto-companhia" é agradável, quando sua voz não grita de medo, de dor, de angústia, de saudosismo. Todos se foram e de repente notei que estou só. Acho que nunca me notei tão só, e isso me deixa assustada. O tic-tac, que vem lá da sala, me tortura e me traz uma pergunta dificílima mais uma vez ... por que o sopro da vida? Hoje me senti totalmente desimportante, desnecessária, descartável. Como alguns diriam, dramática também. Mas a questão é que isso dói mesmo. Eu gostaria que tudo estivesse diferente, nenhuma faxina ou multirão tem adiantado. Ano desorganizado, inorgânico, desengonçado. Fim de ano aterrorizante, escuro, mortal. Não me reconheço mais porque tenho sido outra pessoa, ando sem chão, sem história, sem conteúdo. Sirvo a um sistema esperando pelo tal ano da transformação. Pelo menos ainda guardo esperança de um 2011 melhor, e que em algum dia da minha vida meus sonhos tornem-se tão claros que enfim eu possa tocá-los. Apenas um bastava para me sacudir essas cinzas, lavar esse presente que me pergue. Já se perguntou se você realmente causa saudade em alguém? De que serve essa existência ( de perdas) se estamos todos sozinhos no final? Sem beijos ou palavras de boa noite. Hoje eu vou dormir só, e qualquer barulho, principalmente os que vêm de dentro, é sinal de perigo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Hoje vou falar de Bossa e Tropicalismo.



Pela manhã assistindo ao telejornal vi uma Belo Horizonte devastada pela chuva e um Rio de Janeiro perfurado por balas e queimado por traficantes. O que me chamou atenção foi a diferença da postura da população em relação aos dois acontecimentos. Sempre me perguntam se morro de vontade de conhecer o Rio, sempre respondo que não. Com a licença dos apaixonados, a Cidade Maravilhosa para mim é uma grande farsa, uma bela embalagem de um produto podre em nome de um cartão postal para os gringos.
O tropicalismo surgiu contra a ditadura militar, como um grito de cansaço, a revolução pelo direito de falar vestida em calças jeans. As músicas eram enérgicas, explícitas ou subliminares só queriam uma coisa: o basta aos horrores da tirania. Foram os que não aceitaram, os que se divergiam da rebeldia sem causa da jovem guarda ou do conformismo da Bossa Nova.
Não havia lugar melhor para o nascimento da Bossa. A beleza natural do Rio chacoalha os músculos das garotas e dos garotos de Ipanema, dá leveza ao Bondinho como se fosse pássaro, e dá nome ao Morro como se fosse doce, surfando nas ondas do mar. Pequena elite da beleza que deixou de herança a apatia para a populção em geral. Ricos e pobres assistem o espetáculo de destruição cíclica, ora é pela chuva, ora é pelo tráfico. Feito marionetes, os cariocas ou choram ou sorriem, nunca gritam ou paralizam o calçadão. Os compositores da Bossa, cantavam canções baixinhas, em melodias excelentemente suaves, dentro de apartamentos, que era para não incomodar certos vizinhos.
Notam a gravidade disso? Não há promessa de um remanejamento estrutural social ou físico, e o povo nem protesta por isso. Atualmente os bandidos estão varrendo a cidade, desconstruindo o que foi estruturado com trabalho popular. Se existe algum protesto ou no mínimo exigência da população pela segurança que lhes é direito? Nada! Só aguardando uma possível aliança com a Força Nacional. Meu Deus, possível! Cadê o exército? Para quê tanto silêncio?
Como Tom, Miúcha, Nara, Vinícius... cantam o sofrimento, assistindo pela janela como se fosse parte do cenário, como se todo caos tivesse realmente a poesia ufânica de Wave.
Eu fico puta com isso.
O Rio é considerado elite intelectual do Brasil, mas é justamente de Minas, os indivíduos quietos por definição, que vem o grito de socorro ou de pare após uma noite de chuva. Foi necessário uma noite de chuva para que a população tumultuasse, berrasse, escancarasse a ferida numa das principais avenidas de BH. No Rio, isso é rotina. Será egoísmo?
Quem diria que os mineirinhos têm o sangue quente de Tom Zé, Gal, Torquato Neto, Os mutantes , Bethânia, Gil, Caetano... Mas é só mais um dia. Mais um. Um dia.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O desabrochar da primavera.




- Hoje faz um mês que nos mudamos. Uma hora dessas, há um mês atrás, estávamos mortas e com a casa toda bagunçada.



- Um mês depois continuamos mortas, com a casa de fora um pouco mais arrumada e com a casa de dentro um caos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Mad world.

"...The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had..."


domingo, 3 de outubro de 2010

É o homem.



"Tem gente que é tão pobre, tão pobre, que só tem dinheiro."

sábado, 4 de setembro de 2010

Mais vida.


A vida é um soco, um jab direto, extra potente na sua bochecha mais bonita. O pescoço gira, deformado, até completar a volta, de 360º. Seguido de morte, ou com uma morte por dia, a cabeça retorna ao ponto de partida.

- E o homem que veio do pó, retorna ao pó.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Neguinha dos olhos.





Por quanto tempo me privarás
Do teu olhar no meu olhar?
Esse olhar que me adoça, me acalma, me delira
Esconde-se atrás dessas pálpebras...

Pálpebras cruéis, cerradas, trancadas
Qualé a chave que te abre?
Qual foi que fiz que te fechei?

Pálpebra nervosa, rígida, gélida
Sabes bem como me castigar
Me botar de joelhos...

Belos cílios da luz de meus olhos
Não fique tanto tempo sem me mirar
Que eu morro de tanta falta tua

Deixa de emburro
Esquece de me matar
Abra-te novamente
E traga a minha grande parte
que pertence a você.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Memorial do Gentileza.

























Tu tens voz, moço!

Então usa esse poder com mansidão
Como instrumento de gentileza
Porque tal qual o poder de um olhar
É o da palavra que não volta

Usa tua fala com candura, seu moço

Porque tal qual um olhar
Pode tua palavra me viver ou me matar

Cuide para não me assassinar com tuas letras

Que essa vida já é dura demais, moço

As frases ardem, cortam e não voltam não

Mas se usadas com sabedoria
Podem ser o jardineiro que colhe,
Que leva, a paz e as flores.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aos livros.


Como o homem foi capaz de inventar uma coisa tão fantástica quanto os livros? Sinceramente essa dureza diária e extensa ganha sentido quando chego em casa tarde da noite, tomo um banho cheiroso, molho os cabelos que é para expulsar a fumaça, como uma comida quentinha, com gosto de mãe... e depois de tudo isso deito naquele sofá iluminado e me escondo atrás das páginas de um bom livro. É no fim da noite que meu dia nasce. Livro é o meio de transporte para o mundo sozinho, em que posso ser tudo, sem cansaço e ainda beber da fonte da beleza que os olhos enxergam, que é pra enfeitar a rotina. Livro é minha luda-de-mel de cada dia, um atalho para a liberdade no meio do sufoco. Meu descanço. O tirar dos sapatos apertados e quentes. Minha prece antes de dormir. Benditos e perpétuos sejam os livros bem escritos!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Com a licenca de Shakespeare....


Já viu quantos textos existem falando sobre o que a maturidade nos ensina? Acho mesmo belo acreditar que as coisas que aprendemos são repletas de beleza, d'até vontade de aquilo tudo ser verdade. Acho que os poetas de antigamente tinham menos cimento nos olhos, ficava mais fácil ver a beleza depois de uma grande queda. A queda tinha altura determinada. Parece que o século XXI é uma queda livre. A beleza na minha opinião não está nas coisas que você percebe no final, acho que está nesse cair desembestado e mesmo assim declarar que se é feliz. A beleza está em se sentir completo com tanta coisa faltando ou com tanta coisa sendo arrancada de voc6e o tempo todo. O mundo é uma desconstrucão constante de tudo aquilo que um dia você acreditou que fosse a verdade que te faria feliz. Hoje deu vontade de falar sobre o que eu aprendi, numa linguagem moderna, numa verdade real e atual. A maturidade me ensinou a ter menos amigos. Não fique com pena, foi uma opcão. A vida caminhou bem melhor quando percebi que muito é apenas quantidade, e muitos amigos podem te causar uma dor de igual grandeza. Então é melhor optar pela qualidade de me dar e receber muito mais, muito melhor, questão de intensidade, dedicacão e lealdade. Lembra daquela teoria que diz que seus amigos verdadeiros não se igualam a quantidade de dedos que você tem na mão? É pura verdade. E a novidade é que isso não é nada ruim e muito menos sinônimo de solidão. O fundamental é mesmo sua família, que é carregada de defeitos. Em família a gente se regaca, expõe-se ao avesso e sempre se ama no final, apesar de quase tudo. Perdoar é realmente muito bonito, mas como diria Quintana: Que trabalheira! Quase ninguém perdoa por completo e quem pede perdão quase sempre fica com o orgulho ferido. Dinheiro é mesmo uma merda, tudo é comprável no mercado e sem ele você não faz nada. Nunca pensei que chegasse aos 19 anos sem carta de motorista, mas a prioridade de ter um carro saiu de cena para dar lugar às minhas 8 viagens anuais à paz das cachoeiras. Virei aventureira. As pessoas que desrespeitam seus hábitos vão te irritar, por exemplo pessoas que jogam papel na rua me irritam e isso, esse pequeno detalhe, pode me impedir sim de desenvolver uma amizade com tal pessoa. Dos meus erros passados herdei muito mais nojo, que aprendizado. Você é uma galeria de coracões partidos. Achou que ia ser sempre a vítima da história? A mocinha que amava platonicamente? Tcharam! você, logo você, já partiu e vai partir outros coracões até o fim da sua vida. Todo mundo é um pouco muito vilão. comer chocolate todo dia engorda. Fazer trocentas coisas por dia não será mais tão possível, porque o corpo pesa, o fôlego diminui e o cansaco aumenta e você, meu amigo, pede arrego. E dentre as coisas que voce deixa de fazer devido ao cansaco, a atividade física ocupa a preferência. As pessoas fazem e insinuam sexo o tempo todo. Fazem sexo sem amor. E sexo nem é tão bom assim como você pensava. Então não se assuste quando te proporem um ménage, isso acontece com grande frequência na era do hedonismo. A capacidade de absorver um idioma ou um curso é diretamente proporcional ao quanto você e seu bolso são responsáveis por você, na idade adulta é muito melhor, mais sério. Se escolher não ser preconceituoso, por favor, faca isso por você. Não quero ter de ver mais pessoas tornando-se skin-heads depois de perceber que o mundo não vai deixar de ser preconceituoso se você não for. Nào seja fanático por religião, a ponto de perder sua capacidade de criticar e transformar em volta. Faca de tudo que for possível para não ter de depender da bondade alheia, as pessoas são ruins e de repente você vira refém e vende sua liberdade por muito pouco. Infelizmente, hoje enxergo o sexo masculino, com duas ou três excessões no máximo, como uma máquina reprodutora e selvagem. Homossexualismo é consequência da destruicão da família, e não o contrário. Todo mundo se cala no final. para passar no vestibular tem de estudar e isso só depende de você mesmo. Existem pessoas que têm só um grande amor da vida, mas existem outras que amam várias vezes durante a vida e isso não é pecado e nem banaliza sua capacidade de amar. Não existe uma lei que te impeca de amar mais de uma vez. Se você namorar, vão dizer que ele nào presta. Se não namorar ninguém vão dizer que é gay. Se nào gostar de sexo, vão dizer que é brocha. Se gostar, dirão que é tarado. Se for gordo, que precisa emagrecer e se for magor, que precisa dar uma engordadinha. Ou seja, não espere nem reconhecimento, nem agrado. Compre belos e grandes fones de ouvidos, com uma potência que te impeca de ouvir o mau tom alheio. Qualquer som que vaze, vai te machucar sim, afinal você se importa e muito com o que os outros dizem. Você e eu somos mesmo um cliché. Então aperte o play numa bela cancão e vá andar pela natureza, porque essa sim é bela e divina.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Rainha Dourada e Soldadinho de Chumbo.




Esse texto de hoje é dedicado aos meus avós. Às vezes nos esquecemos. Qualé? Eu sou de câncer, o que torna esquecer mais espontâneo ainda. Minha calma se perde no meio dessa correria toda. O egoísmo é o ritmo da modernidade. Vivo em funcão do meu emprego, do meu estudo, das minhas refeicões. É tudo meu, entende? E quando tudo fica meu demais, olhar para o nosso ou para o outro vira missão dantesca, falta tempo e sobra comodismo. Eu estressada faco questão de colocar em marcador fluorescente o defeito das pessoas, paciência super saturada. Qualquer pessoa? Não, os mais próximos. É tão fácil ser sorridente com meus clientes. De repente até nossas emocões ficam capitalizadas. Será que é porque eles pagam meu salário? E ainda me perguntam o porquê das minhas preferências pelo mato. Ser urbano me deixa desatenta aos detalhes que me fazem realmente feliz. De repente me esqueco de que minha casa é a simplicidade. Hoje tive um dia diferente. Por precaucão, e gracas ao oftalmologista não trabalhei. E a tarde abriu espaco para que um grande amor meu fosse relembrado. revivido. Falar de amor é tão fácil quando o coracão de concreto permanece gélido. Sentir amor é que gasta tempo, e mestria, exige rebolado e magia. Entre o cafezinho cheiroso, os biscoitinhos doces e risos e vozes roucas só lamentei o tempo que morri de trabalhar ou o tempo que gastei com pessoas que julgava meus amigos ... Pedi perdão pelas vezes que deixei de ver minha vó, toda pequenininha, brigando por mim. Ao invés disso decidi vê-la brigando comigo. Como ela é brava! Luta, argumenta, gesticula em defesa da troca do meu velho colchão como se fosse um grande ideal a ser defendido. Bravo! Eu poderia ter rido de muitas outras piadas do meu avô. Certamente meus avós são partes fundamentais de minhas delícias. E no fundo a gente sempre sabe disso, porque no final das contas é pra cá que eu sempre volto e me encho de paz. Eles têm tanta história para contar! Bom mesmo é esquecer. Como aquela boneca que um dia encontramos no canto do quarto e nos lembramos do quanto é bom brincar. É na perda, quando notamos que estamos sem chão e já não sabemos onde pisar que notamos o porquê de toda essa palhacada que é viver aqui. A saudade é a maior arma da vida contra o egoísmo humano. Eu gosto de ser chamada de "fia", e de ter a barriga doendo de tanto dar risada enquanto caminho com minha vó. Bom mesmo é esquecer, mas para se lembrar depois e antes que a estupidez se torne parte do nosso caráter. Por que sou louca de amor por essas pessoas desde pequenininha? Ah, devem ser as rugas.



P.S.: Desculpem pela falta de cedilhas, coisas de teclado.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Carta ao Cazuza III


Amigo Cazuza,
Nos meus tempos existe uma música que você iria amar deslizá-la em sua língua presa. Canta um verso que "eu sou uma galeria de corações partidos." Eu espero sinceramente que daí do alto, de fora ou onde quer que você esteja alguma coisa faça sentido. Com quantos corações na sua galeria, você partiu? Quantos corações mais eu terei de partir até o fim dessa dolorosa existência? E por mais quantas vezes eu terei de ser forte, ou fraca demais a ponto de me recompor, me desmoronar e fazer outros corações dentro de mim mesma? Eu só liguei mesmo para falar que estava com saudade, não precisava dizer mais nada, só que estava com saudade. Acho que foi isso mesmo que levaram meus dedos ao teclado, mas sabe da força das palavras? é claro que sabe, você fez o caos com elas. A grande força das palavras me fez engolir toda grande saudade que não cabia em mim. Deve ser entendimento de fraqueza, sufoco de orgulho que nos leva a negar verdades vomitadas, explícitas. Dizer não a quem sabe muito bem a quantas andam a alma que vaga. E eu só queria dizer que estava com saudade. Nãos. Mas às vezes não importa o quanto você ou os caminhos mudem ou quantos séculos se passem. Alguns venenos não mudam, são nocivos, corrosivos, necessários. Algumas flores plantadas sempre serão colhidas com amarguras. Parecem juras, que adivinhem só, se realizam, perpetuam-se. Ser o doce pecado de alguém vai ser sempre a dor de ser doce e pecado de alguém. Parece que a eternidade nos ouviu naquele quarto. A voz do outro lado vem e vem de novo com a crueldade mansa do texto (já esperado,decorado) e você que ouve o mesmo desenrolar de letras, sangra-se quantas vezes mais o ritual repetir-se. São venenos nocivos e perpétuos, com poder concedido pelo universo e mistério indecifrável. Por exemplo... qual é o significado dessas coisas que apesar do quanto você ou as coisas mudem ou quantos séculos passem ainda lhe matam em mansas porções? Amor não sei se dura daqui até a eternidade. mas dor, é o cativar eternizado,. Insônia. Angústia. saudade. Eu sabia que tinha algo errado. e se você disser que não, eu vou dizer que te vejo equilibrando-se no talvez, cá e lá, sim e não. E se você disser que não, outra vez, eu vou achar graça porque no fundo a gente sabe que se sabe muito bem.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

00:00 às 06:00.


Você percebeu o quanto somos maiores? As árvores crescem para sobreviver ao ritmo da vida. O tempo gasto no cultivo de um brotinho nunca é perder. Se você contar sua vida, vai perceber que pouquíssimos permanecem. E olha, as decepções podem lhe arrancar despedidas dolorosas eternamente. Mas elas são poquíssimas comparadas áquelas despedidas que às vezes nem nos damos conta do adeus. As pessoas vêm e vão, e a vida dita o ritmo. E puxa! Às vezes a gente nem percebe. Você não sente que você poderia ter feito mais? Eu sempre acho que se mais amor fosse dado, mais força contra a história meus queridos teriam para permanecer. Talvez tivessem ficado cinco, como os dedos da minha mão. Permanecer. Pode ser que olhar pela lente de doze meses, seis meses seguintes pareçam fáceis. Mas é que eu não me acostumo em não lhe ver por muitas horas, meus olhos escorrem sempre, você sabe, num mimo só. Por isso fica combinado que eu cuido daqui e você cuida daí. E se o futuro chegar antes da gente, inventamos outro futuro. Mas outro futuro nosso. Como o jardim suspenso. O desafio é estarmos juntos sem seus olhos nos meus por um tempo maior, como é agora. Mas eu te peço para não desistir, pode contar com minha prece. Vou cuidar para a saudade não ser tão maior que um-metro-e-sessenta-e-sete-centímetros a ponto de me fazer esquecer. Ey, não se esqueça de mim. De hoje. Sabe o que é mais engraçado? Agora eu não tenho medo. Eu tenho coragem para te carregar nas costas quando a madrugada acabar e não desistir nunca de lhe arrancar o sorriso pelo qual me apaixonei. Amar também pdoe ser isso, ter seu corpo tatuado na minha espera. Eu vou estar aqui com um motivo entre os dentes que não lhe faça desistir dos meus beijos. pra velar seu sono, seu cansaço. Pernas são estradas.

domingo, 11 de julho de 2010

"Encontro e perda ao mesmo tempo, eu não vou parar..."


Daqui a sete dias eu completo 19 anos. É estranho neh? Do nada você pensa que... Porra, já têm 19 anos vezes 365 dias, e você não fez grande coisa nesse tempo todo. Meus amigos se sentem muito diferentes com 19. E é claro que é, a gente percebe que cresceu mesmo. É a tênue linha entre adolescência e idade adulta. Tênue e desagradável. Doem mais os corações partidos e as pessoas que já se foram. Como disse Ana, são contas de banco, e correspondências chegando com seu nome... e o Ruan, passou o aniversário trabalhando, e a Jéssica passou o dia internada num hospital. Acho irônico, era pra ser nosso dia. E acaba sendo mais um dia racional. Uma vez assisti a uma reportagem que falava sobre as mudanças que ocorrem nos nossos olhos em relação à interpretação das cores com o passar dos anos. As crianças enxergam as cores num tom mais azulado, é claro que fica tudo mais vivo, como um céu de verão e praia. Na idade adulta, enxergamos as coisas em tons esverdeados, se não percebeu é quando as coisas começam a desbotar. E na velhice... Deus, na velhice as coisas ficam amarronzadas.... Acho que a visão é o reflexo de dentro. Então, fazer 19 anos é isso. Enxergar as cores e a vida, e as cores da vida mais esverdeadas. É realmente quando as coisas, insuportavelmente desbotam-se ladeira a baixo. E é claro que tudo fica bem mais estranho que antes. Eu, por exemplo, morria de medo de virar de ponta cabeça. Agora, é a única coisa que me alivia e me faz sentir um pouco melhor. O máximo que pode acontecer é eu não poder, daqui alguns anos, enxergar as coisas em tons amarronzados. E nem se usa mais bolo de aniversário.

sábado, 3 de julho de 2010

Liquefação.


E de repente as lágrimas costuram os cílios e tricotam uma cortina à prova de desumanidades. Quando chovem os olhos, as luzes da cidade esticam-se aqui e aculá e tranformam-se em estrelas. Estar extra-terrestre deve ser assim, as estrelas passam a iluminar o silêncio blindado de dentro. Se a gente habita o espaço fora de todos os mundos, o vácuo passa a ser nosso lugar. Lá é mais complicado topar com uns e outros. As lágrimas têm o poder telepático de transportar para onde precisa-se buscar a paz. O mundo das estrelas sem voz faz brotar todo descanço para a estranheza desse mundo. Eu não me importaria de passar umas férias por lá.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

No meu coração você sempre vai estar.



Não tenha medo
pare de chorar,
me dê a mão,
venha cá
Vou proteger-te de todo mal, não há razão pra chorar
No seu olhar,
eu posso ver,
a força pra lutar
e pra vencer
O amor nos une, para sempre,

não há razão pra chorar

Pois no meu coração,
você vai sempre estar
O meu amor, contigo vai seguir
No meu coração, aonde quer que eu vá
Você vai sempre estar, aqui

Por que não podem ver o nosso amor?
Por que o medo por que a dor?
Se as diferenças não nos separam
Ninguém vai nos separar.

E no meu coração, você vai sempre estar
O meu amor, contigo

vai seguir

Não deixe ninguém,
tentar lhe mostrar
Que o nosso amor não vai durar
Eles vão ver, eu sei...
Pois quando o destino,
vem nos chamar
(vem nos chamar)
Até separados é preciso lutar
Eles vão ver, eu sei...
Nós vamos provar que...

No meu coração,
eu sei você vai
sempre estar
Eu juro que o meu amor, contigo vai seguir
No meu coração
(dentro do meu coração),
aonde quer que eu vá
Você vai sempre estar, aqui... Aqui... Para sempre...
Meu amor, vai contigo, sempre contigo...

Basta fechar os olhos
É só fechar os olhos
Quando fechar olhos
Vou estar... Aqui...!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dejavú.


A bailarina dança como se fosse despencar
Levanta-se sobre pontas nômades entre sorrisos pláticos e orgânicos...
São tantos corpos que estão no palco, e são platéia...


Dançam por quê?

Se acompanhar a música, é questão de querer?


Quando plástico vira pano de fundo, pilar de apoio, des-bo-ta-men-to

Quando orgânico, almático, espiritual, cutuca a platéia à distância...


Que coragem a da bailarina!

De se jogar sem cascas à frente de olhos famintos... olhos humanos... imperdoáveis.
Sorrisos irônicos... sádicos... sorrisos humanos.

E quando a bailarina tropeça, a orquestra continua
Deve erguer-se novamente, rápida...
Sapateando num sorriso machucado, o espetáculo continua, a-tro-pe-la-do

Bailarinas também falham
E o instrumento mais antigo e perfeito
tem de se reafinar na alma.

Que trabalheira, amada bailarina!
Tranformar-se na música de outro
Tranformar a música de outro em si

Que audácia bailarina!
De poder colher aplausos ou vaias...
dançando o corpo, que para tantos é vergonha...


E não desistir... até outras temporadas....

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Encantamento.


O mundo girava em torno das velas. E as sombras, não eram escuridão, eram frutos da luz que brincava de alma. Almas que se projetavam e se encontravam além de um corpo dentro de mim. E então minha alma se sentiu completa, à noite, eu fui sua primeira vez. Beijaram-se na sede de um amor que vai além. O amor exigiu passagem na história, e tantas vezes teve de rasgar estreitamentos. Cansado, contudo com uma força inquestionável, achou descanço na paciência abrigada pela tua pequenez. Aqueles olhos brilhavam alaranjados, iluminados, pela paz que inundou o mundo em torno de Amélie naquela noite. E a contradição veio apresentar a paz que vem do fogo, escondendo-se atrás de uma dança colada entre dois corações quentes e fortes sobre saltos. E então a mágica não teve de ser inventada. Amélie, que fazia discos em panquecas, foi presenteada pela surpresa de um disco negro raro. Descalça, viu que não era a plataforma das sandálias que a levavam ao céu, era na verdade a magia que aconteceu sem pedir licença. Simplesmente aconteceu, com sua liberdade de ser. Foi beleza. E o que era brotinho, virou incondicional.