Minha cidade é do tipo tradicionalista, com opções restritas e hábitos sociais concretos. Nesse contexto, viveu por anos um "bar-casa-de-show", ponto de encontro durante muito tempo na noite anapolina. Deixo bem claro que este não é um hino de exaltação à Anápolis, nem gosto de viver aqui e pretendo sair logo. Ontem, depois de muito tempo sem sair anoite, fui com meus amigos nesse local e chegando lá tive uma surpresa: era a noite "saideira", o bar fecha definitivamente suas portas. Meus pés saíram do chão, voltei minha história há alguns anos atrás, fui sepultando minhas memórias, estraçalhando cada pedaço, cheia de dor. Minha adolescência escreveu um romance longo, conturbado e emocionante naquele chão. E eu estava ali e vivi cada momento mágico, e agora só posso contar tudo depois. Lá vivi reencontros inesperados, chorei amores, senti frio de tanta saudade, vi decepções com meus próprios olhos, conheci um príncipe encantado... sempre muito bem acompanhada pelos melhores amigos que alguém poderia ter. Fiquei de ressaca no dia seguinte. Não é apego material, aliás, é apego ao abstrato, àquilo que eu não posso mais tocar, àquilo que hoje é só lembrança, por isso é tão difícil dizer "tchau". Senti-me chorosa como se alguém destruísse meu museu pessoal. Olhei o teto, nem quis mais dançar, quis tragar meus últimos minutos de uma bela história. Quis respirar cada gota de suor que eu e meus amigos derramamos ali, quis absorver cada detalhe nas paredes, nos quadros, nos lustres, na falta de luz... As coisas da vida vão mudando, vão ficando mais tristes. As pessoas mudaram, eu mudei, fiquei distante, de olhos afundados. Lamento muito, pois é mais uma coisa da qual sentirei saudades. Completei 20 anos o último dia 17, fase adulta selada e hora de dizer adeus à juventude. Minha história confundiu-se com a história daquela construção. A noite estava gelada, quis ir embora. Talvez, quis partir para não derramar ali mesmo as lágrimas da despedida. Tocava "Suspicious Mind", do Elvis. Eu adorava aquela música.
domingo, 24 de julho de 2011
Vem aí Joana D'arc, agora sem mim.
Minha cidade é do tipo tradicionalista, com opções restritas e hábitos sociais concretos. Nesse contexto, viveu por anos um "bar-casa-de-show", ponto de encontro durante muito tempo na noite anapolina. Deixo bem claro que este não é um hino de exaltação à Anápolis, nem gosto de viver aqui e pretendo sair logo. Ontem, depois de muito tempo sem sair anoite, fui com meus amigos nesse local e chegando lá tive uma surpresa: era a noite "saideira", o bar fecha definitivamente suas portas. Meus pés saíram do chão, voltei minha história há alguns anos atrás, fui sepultando minhas memórias, estraçalhando cada pedaço, cheia de dor. Minha adolescência escreveu um romance longo, conturbado e emocionante naquele chão. E eu estava ali e vivi cada momento mágico, e agora só posso contar tudo depois. Lá vivi reencontros inesperados, chorei amores, senti frio de tanta saudade, vi decepções com meus próprios olhos, conheci um príncipe encantado... sempre muito bem acompanhada pelos melhores amigos que alguém poderia ter. Fiquei de ressaca no dia seguinte. Não é apego material, aliás, é apego ao abstrato, àquilo que eu não posso mais tocar, àquilo que hoje é só lembrança, por isso é tão difícil dizer "tchau". Senti-me chorosa como se alguém destruísse meu museu pessoal. Olhei o teto, nem quis mais dançar, quis tragar meus últimos minutos de uma bela história. Quis respirar cada gota de suor que eu e meus amigos derramamos ali, quis absorver cada detalhe nas paredes, nos quadros, nos lustres, na falta de luz... As coisas da vida vão mudando, vão ficando mais tristes. As pessoas mudaram, eu mudei, fiquei distante, de olhos afundados. Lamento muito, pois é mais uma coisa da qual sentirei saudades. Completei 20 anos o último dia 17, fase adulta selada e hora de dizer adeus à juventude. Minha história confundiu-se com a história daquela construção. A noite estava gelada, quis ir embora. Talvez, quis partir para não derramar ali mesmo as lágrimas da despedida. Tocava "Suspicious Mind", do Elvis. Eu adorava aquela música.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Que seja cheio de intensidade.
Minha cara, minha cuca ficar odara....
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara...
Pra ficar tudo jóia rara...
Qualquer coisa que se sonhara,
Canto e danço que dará.
sábado, 25 de junho de 2011

Não pinte minhas paredes. Ninguém tem o direito de pintar, de apagar ou de jogar fora as lembranças de alguém. Minha vida foi encaixotada num papelão e ter a encontrado num amontoado de entulhos não me agradou nada. Me doeu, mais uma coisa que dói em mim de você. Quantas mãe deixam o quarto do filho morto intocado por anos e anos? E eu ainda nem morri. Meu quarto deveria permenecer trancado para sempre. Vi minhas letras empoeiradas, deixadas de lado, ao lado também das letras daqueles que comporam minha história antes disso. Meu verde, você pintou de rosa. Você sabe que eu jamais teria feito essa escolha. Aliás, não há mesmo mais nada lá que seja eu ou um pouco de mim. Você poderia ter poupado pelo menos minhas fotos para que meu sorriso, quem sabe num dia nublado, pudesse lhe trazer luz. preciso acreditar que um sorriso, essa coisa simples e difícil de se dar hoje em dia, ainda pode mudar alguma coisa. Já seria um bom motivo para eu continuar de pé. havia ainda um pouco de vida nas minhas cores, tenho certeza. O meu cheiro ainda está naqueles livros? e as emoções que senti quando os li? Fico com medo de que você talvez os venda, hoje em dia até isso dá grana. Não venda parte de mim, minha alma amputada. Acho que minha vida continua a pulsar aí, talvez em forma do mel que eu tanto amo. Não me esqueça ainda mais. Apesar da grama sufocada pelo cimento, num canto que um dia já foi meu. Curioso é partir e continuar prisioneiro da dor.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Parto-me.
Ontem eu lhe dei meus ouvidos. Você também calou a minha alma. Pelo menos, não te ouvi apenas para esperar minha vez de falar. tenho amigos que fazem bastante isso. Mas não. Eu te ouvi. Mas palavras... essas já morreram dentro de mim faz tempo. Agonizam de dor o tempo todo. Quando saem, e se saem, preferem sempre a escrita, nunca a voz. Nunca sei o que falar. O problema de ouvidos é que eles também se alegram com a esperança, é uma pena quando são falsas. Eles têm comunicação direta com o meu coração, logo quando um sorri ou chora, o outro vai logo atrás. Hoje acordei e me dei conta de que só lhe dei os meus ouvidos. Não havia outra coisa que eu pudesse lhe oferecer. Talvez, algumas lágrimas que não são tantas porque seria difícil serem suficientes para me desabafar. Sigo paralisada pela dor, portanto não pude mover meus braços.Ontem, não fui capaz de lhe dar um abraço se quer. E se quer saber, isso também me dói. Segue doendo. Não consegui te atar num laço de afeto. Hoje vi que mudei mais do que estimava. Minha doçura, ou o que era belo em mim, pu virou pó ou pedra. Pode ter desaparecido também, mas sempre preferi brincar de pique-esconde. Você se lembra de quando eu era pequena? Dureza externa, ruína interior. peço perdão por não ter te apertado para que suas lágrimas fosses choradas em meus ombros. talvez, você quisesse algo além de meus ouvidos. Mas é que quando os ouvidos cansam, o coração fica exausto também. Estou muito presa dentro de minhas próprias correntes. E não se assuste com o pálido no meu rosto pois essa foi a hora que mais estive perto de você. O que farei amanhã? Não sei. E nossos sorrisos seguem idênticos.
domingo, 29 de maio de 2011
Coisa de alma.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Crônica da Coca-Cola Zero

Fui descobrindo que a vida é foda, menos romântica que dor de cabeça e as serendipities, raríssimas. Pensei em tatuar Serendipities em forma de espiral, mas não sei onde, talvez atraia sorte. "Adultecendo", vou tentando podar meus rompantes de mau-humor, manter o brilho e a disposição pro riso.
Enfim, no sábado dessa semana a qual meu "biso" faleceu, o porre acumulado tomou conta de todas as minhas veias. E eu fui para a rua, ao invés de flores, esparramar enjôo. Reconheço que eu estava insuportável. Calma, essa ainda é uma crônica de amor, ou de coca zero. A "rabugice" me deixa metódica. Todo mundo que bebe refrigerante há de trr algum preferido. Mas nesse sábado específico somente um único refrigerante me serviria: minha pupila, coca-cola zero. O "bad humor"não te permite variar, perceber em volta, enxergar algum ponto positivo nas coisas externas a você. Estar de mau-humor é algemar-se e esconder-se dentro de si mesmo, cuspindo cacos de vidro cortantes para fora.
Comeremos pizza, amor? De novo?
Não.
- Cedi!
Não tinha coca zero, eu não gostava da minha vida e nem daquela pizzaria. Mas aquela, era a pizzaria favorita do meu bem. Não me custava, mas é claro que meu grande mau-humor tinha de transparecer: através de um notável bico, claro.
E não tinha coca zero também na lanchonete ao lado, nem no bar da esquina. Somente o breu e meu bico. Me recusei a andar, sentei. E o bico cresceu, dobrou. Teria de comer pizza a seco? Meu bem pôs-se a andar, e demorou.
Voltou, sem nada na mão. Foi pegar dinheiro. Achei que tivesse ido embora, depois disso, e me deu um medo...
Após os minutos de quem espera, meu bem cruzou a rua. Coca Zero geladíssima na mão, segurada pelo gargalo, suspensa como um troféu. Era um troféu, que nocauteou meu bico e minha alma pediu licença ao mau-humor para um sorriso sair. E só consegui dizer ...
- Obrigada!
A prova de amor estava dentro da garrafa. Meu amor me amava ainda mais e apesar de meu sábado irritante.
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