sábado, 29 de novembro de 2014
Happy Thanksgiving! ou Carta para você, Vida.
Senhoras e senhores,
É com um certo entusiasmo que venho tardiamente celebrar a ação de graças neste ano trágico. Mas não importa.
Tem uma campanha de publicidade acontecendo no Youtube através da rede de Bancos Itaú. É engraçado porque nós sempre adoramos as campanhas deste banco. Chorávamos várias vezes com os vídeos emocionantes que aconteciam antes da execução da nossa playlist. Mas isso é segredo, neh? Se alguém me conta que chora ao ver publicidade devo manter a discrição, e parecer surpresa: Sério? Mal sabem eles...
Mas enfim, esta campanha faz o seguinte questionamento: qual filme mudou sua vida? Houveram tantos que eu não pude escolher um. Até hoje.
É que hoje eu acordei de mais uma noite insone para passar meu tempo vazio neste laboratório frio. E como tudo que tenho feito é rezar para que o tempo passe depressa, resolvi assistir um filme que pudesse acelerar as coisas. De repente caiu na tela: Sob o sol da Toscana. Nunca deu certo de assistirmos juntos.
Assim que começou, eu sabia que eu ia amar. Fala sério: duas atrizes da minha série favorita em um filme só? Ver o rosto das duas me fez lembrar a sensação calorosa que eu encontrava em Grey's Anatomy, grande companheiro de noites em claro. Me senti em casa. E sinceramente, Itália? Toscana? É lá que meu coração bate. Mas isso é um outro texto.
Hoje eu vim aqui dizer que Sob o Sol da Toscana mudou a minha vida porque ontem eu fui dormir monocromática, e hoje consegui notar algumas cores. Mesmo que o futuro pareça obscuro, minha bela história do passado me oferece o sopro para seguir em frente.
Gostaria que hoje fosse quinta-feira para que eu pudesse dividir com o resto do mundo meus agradecimentos. Mas devido ao atraso... gostaria de compartilhar algumas coisas que enxerguei.
Os últimos dias tem sido tão traumáticos que eu não cheguei a te agradecer e nem te trazer flores. Viver ao seu lado me ensinou muito: Gostar de água gelada, aprender a apreciar a arte de fazer nada sem se sentir agoniada, me apaixonar pela poesia, silenciar para ouvir o tac-tac do vinil, pentear o cabelo e comer ingá (eca!). Coisas, várias.
Eu gostava da simplicidade que encontrei descansando em você. É impossível não chorar. Porque é tudo muito bonito. Eu não consigo explicar porque as coisas findam e não sou dessas de colocar pontos finais em sonhos, você sabe.
Nós compartilhamos muito. Muita dor, muita alegria, muita aventura, muito romantismo. Superamos coisas que a maioria das pessoas não conseguiria. Eu sinto muito não ter tido resiliência suficiente para não quebrar. Eu me quebrei, por dentro, por fora e em espírito. Não sei se posso culpar o ano ou não, mas meu corpo não aguentou superar mais. Pelo menos por enquanto, meu corpo não aguenta mais nada.
Se "a casa protege o sonhador" é bem verdade que você me resguardou nestes cinco anos (e três meses?). Você foi meu apoio. Você sempre estava lá.
Tenho assustado muito ao deparar com um mundo mais cruel do que eu pensava. Nem todo mundo gosta de cuidado e de carinho, sabia? E o cuidado e amor que nos dedicamos me salta aos olhos. Porque são nas contradições que as raridades sobressaem.
Deus me abençoou com sua vida na minha. Deus me deu uma segunda família e me fez sentir em casa. E eu agradeço todos os dias por conhecer uma alma grande neste mundo caótico. Você caminhou ao meu lado e pudemos sonhar muito, fazer muito, lutar por uma humanidade e bondade que acreditávamos ser o caminho.
Aliás, eu admiro você por ter encontrado o seu. O amor é a explicação, neh? E aí você descansa em Deus.
Eu ainda não encontrei o meu, mas hoje tive alguns bons sinais. Consegui ver as coisas boas, nossas cores e as duas criaturas que são frutos do nosso grande amor. É um amor que não vai ter fim, você sabe. Mas hoje eu queria agradecer pelas suas mãos e pelas noites em claro que você ouviu meu choro e meu desespero, "não sei se eu saberia, chegar até o final" de 2014 sem você. Você me deu seu ombro para que eu conseguiesse levar a minha cruz até aqui.
Hoje descobri, vendo nosso filme que não preciso me encher de vazios e nem fazer das pessoas minhas muletas, esperando que elas preencham a falta de sentido que há em mim. Devo buscar a minha verdade. Será que tenho o direito de esperar por joaninhas? Como aquelas que fizeram sentido muito tempo para nós. Eu acho que conseguimos tocar o mundo e torná-lo um pouco melhor, mesmo com nosso pequeno alcance, você não acha?
Por fim, quis te dar a notícia primeiro e dizer obrigada por você. E tudo que eu mais quero e te ver feliz. Você, sua mão de ursinho e seu coração de elefante. Não se perca mais também, viu?
Hoje te trago uma flor: Um girassol?
Un bacio, mia dolce vita.
P.S.: Fellini, pra que a gente não se esqueça das nossas macaquisses: "Não importa o que aconteça. Sempre mantenha sua inocência infantil." Ainda há magia, não é mesmo, palhacinho?
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
O mundo (a)colorido.
Hoje eu vi as lágrimas daquele homem. Eu cheguei mais perto e consegui sentir seu tórax convulsionando num anseio por um ar que não chega ao fundo dos pulmões. Acho que foi a primeira vez em trinta dias que eu encontrei semelhança com o que eu sentia.
2014 ficará gravado eternamente na minha memória. Primeiramente porque ele veio coroar o 2013 maravilhoso: o ano que me deu asas, me apresentou o mundo. Mas 2014 foi bruto, de propósito, fincou meus pés no chão. Na verdade, enterrou meus pés no chão.
A cada novo dia acordo com um medo gigante de que esse novo dia possa ser pior que o anterior. A cada novo dia, um funeral. Por um momento, penso: é possível? E coisas inesperadamente terríveis acontecem, para me provar que sim.
Sem meus "bisos", brindei este ano novo, que com muita fé logo se finda. Dei a largada caindo de costas. Faltava raiz, mas eu sabia que poderia encontrar uma casa. E busquei, construí, encontrei: ali estava o sonho de uma vida toda. Até que: "A vida é um espiral. Você gira diversas vezes em torno do mesmo ponto, mas se afasta dele cada vez mais." Vi meu castelo desabar. Eu não mais caía de costas, mas o meu mundo caía em cima de mim, em queda livre infinita.
Tento me lembrar de coisas boas, mas todo brilho que houver está ofuscado por essa imensa dor solidificada em mim.
Eu nunca imaginei tantas coisas. Me decepcionei ao ver que 'ying yang' explodem quando se tocam. Tudo começou faltando meu ar, e fazendo a raiva subir nas minhas veias. Eu já não era mais a mesma. De Gandhi, fui à Hitler. A fúria vomitada.
Pessoas muito boas nos deixaram esse ano. E as que foram antes também nos fazem pensar: o que está acontecendo? O mundo sinceramente precisa de pessoas que cultivem o bem, mas parece que não há tempo para isso. Todos estão de partida. Grandes mentes dão lugar à pessoas que se preocupam com lucro, dinheiro e passam seus dias curtindo a frieza das falsidades e coisas superficiais. Infeliz, mas com um bom salário.
Outra porrada na cara, foi perder a pureza da menina Catarina. O nome quer dizer "pura". Não compreendo esta contradição. Será que Deus é mesmo este cara punitivo, rancoroso e impiedoso? O colo da mãe, vazio, nunca irá se aquecer novamente.
E como explicar que um belo pôr-do-sol pode se transformar no maior inferno de uma família? Porque pior que lidar com os próprios sonhos despedaçados, é ter de lidar com os sonhos despedaçados das pessoas que você mais ama no mundo, sem poder fazer nada a respeito.
Será que Deus é tão sacana e sarcástico, que dá 5 sonhos e te tira todos eles? Nunca pensei que eu fosse ser obrigada a abandonar aqueles que bateram à minha porta para que eu cuidasse. Esta era a minha missão e fracassei. E a condenação para isso são pesadelos diários e um buraco enorme na alma.
É horrendo o poder que as coisas fúteis podem fazer na vida de uma pessoa. É como se Romeu e Julieta tivessem sobrevivido, mas se separassem no final. É tipo assim: mais uma bomba sobre o casamento. E é aqui que eu chego neste homem que chora. E eu olho para ele e vejo os olhos vazios como os meus. Eu olho novamente e vejo umas das pessoas que eu mais admiro neste mundo. E me olho no espelho. Não tenho nada para lhe dar de conforto.
Às vezes tudo que se pode fazer é compartilhar da dor de alguém. Não há nada de bom que eu possa retransmitir, porque assim como ele, eu também quero acordar daqui um ano e torcer para que tudo isto tenha passado. Assim como ele, também sinto saudades e sinto muito que o tempo não volte atrás.
Não há sentido. Não há verdade. Vou terminar este ano muito mais gélida. Longe de Deus, porque não há nem um mínimo de fé para que as cores voltem.
Este ano fez questão de me provar que tudo que eu conhecia do amor era ilusório. Porque algumas coisas simplesmente não existem. E o amor é a mais covarde das mentiras.
É impressionante o que a dor e um quarto vazio e uma alma vazia podem te revelar. É como repassar pela vida novamente, com uma lente de aumento: veja direito. No final das contas, nada é isso tudo. Amizades são conveniências e a única coisa real é que você está sozinho no mundo, afinal.
Por isso hoje é um ótimo dia para dormir.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Consegui achar um sonho.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Texto sobre a paz.
Capelania
Institucional da Associação Educativa Evangélica – Novembro/2014 – no
044
Relacionamentos Saudáveis X – Cuidando dos sentimentos nos
relacionamentos
Poucas coisas
nesta vida são mais desejadas do que a paz. “A paz é a única forma de sentirmos
realmente humanos”, já dizia o ganhador do prêmio Nobel de Física (1921), o
físico teórico alemão Albert Einstein (1879-1955). “Uma vez que a guerra nasce
no espírito dos homens, é no espírito dos homens que se devem erguer as defesas
da paz” - Archibald McLeish (1892-1982), poeta e escritor norte americano.
Vimos na reflexão
anterior as recomendações para nos alegrarmos, sermos amáveis com todos, não
andarmos ansiosos e mais, para colocarmos nossas crises e alegrias diante de
Deus. Tudo isso, mesmo em meio a dificuldades relacionais. Agora o texto nos
apresenta a dica final e maravilhosa, especialmente no quesito de saber se
estamos no caminho certo ao tomar decisões sábias frente às múltiplas opções
apresentadas nos caminhos da existência.
Paz. Poucas coisas são tão ardentemente
desejadas pelo coração humano quanto a paz. A paz é o anseio da alma, por isso
mesmo ela é eminentemente interior. Ainda que tenha seu reflexo no exterior é
no interior do ser humano que a mesma acha guarida e se desenvolve. Qual é o
trabalho da paz? Ou, que trabalho se processa em nosso interior que resulta em
paz? Antes de falar da paz, pensemos no seu oposto. De acordo com nosso
assunto, o oposto da paz não é a guerra, mas a dúvida. O que é a dúvida? De
forma simples, principalmente em se tratando de decisões, a dúvida é o
descompasso entre a mente e o coração. Por mente entenda-se a razão, análise,
pensamentos e consciência; por coração, queremos dizer emoções, sentimentos e
desejos. A dúvida acontece quanto o coração deseja algo e a mente revela que
tal desejo não é bom ou no mínimo é incoerente. Por outro lado, por vezes a
mente aprova algo, mas o coração não anda no mesmo compasso. Cria-se uma
oposição e mesmo uma guerra entre mente e coração. A verdadeira paz implica na
harmonia entre mente e coração. Ela acontece quando os dois andam na mesma
direção.
A sabedoria
bíblica milenar é fantástica ao afirmar: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento,
guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fl 4.7). Não é interessante?
A paz é fruto de um coração e mente guardados e andando no mesmo compasso e
direção. Esse é o fruto da paz. Paulo credita tal ação à pessoa de Cristo Jesus. Outro aprendizado interessante. A paz excede todo o
entendimento. Por vezes se pensa que a fé e os frutos da mesma - como a paz e
amor - são elementos que não dependem da razão, ou seja, são irracionais.
Contudo o texto é claro ao afirmar que a fé não é irracional, mas suprarracional:
“a paz de Deus, que excede todo o entendimento”. A paz vai além dos
raciocínios, é maior que a capacidade de análise, é mais ampla que as conexões
dos neurônios.
Como precisamos
da paz! Paz nos relacionamentos; paz para a tomada de decisões; paz que atrai o
sono; paz, bendita paz. O poeta hebreu escrevera há milênios: “procura a paz e
empenha-te por alcança-la”. Uma das formas de procurar e empenhar por achá-la é
“fugir do mal e praticar o que é bom” (Salmo 34.14). Mais intrigante ainda é
perceber Jesus sendo declarado como o Príncipe da Paz (Is 9.6). O Deus Pai de
Jesus como o Deus da paz (Fl 4.6). O Espírito Santo como aquele que concede
vida e paz (Rm 8.6). E todas
as cartas enviadas, por aqueles que conviveram com Jesus, as comunidades da
época tinham em sua introdução a saudação desejando paz aos destinatários.
Quando nosso coração e mente são
unidos sob a bandeira da paz, temos um bom indício que estamos tomando as
decisões acertas. Se isso não acontece é melhor esperar. É melhor pedir a
direção de Deus. Buscar conselhos com amigos sábios e continuar procurando-a. A
paz tão almejada, seja para nossas decisões e ou relacionamentos, advém do
relacionamento correto com o Príncipe da Paz, com o Deus da paz. Por isso,
desejo a você e aos seus PAZ.
Que o Eterno nos ajude. Rev. Heliel G. Carvalho – heliel.carvalho@unievangelica.edu.br
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
"...o oposto da paz não é a guerra, mas a dúvida."
Quando eu olho no espelho, eu enxergo o nada. Olho para frente e está tudo muito escuro. Percebo que me desconstruí. Tijolinho por tijolinho. Às vezes acho que foi fácil de mais, como num sopro e minha morada já era. Mas aí eu olho mais de perto. Fico triste quando entendo que quem doa demais acaba ficando sem nada. Será que é assim? A maioria das coisas, a gente vai passar sem entender. Por quê ali? Por quê naquele momento? Por quê daquele jeito? Os dias se alternam em gosto de fel, corpo pesado, vontade de dormir e o oposto. De repente me sinto com 15 anos de idade e todas as necessidades biológicas ficam secundárias. É paradoxal desejar a morte e não conseguir abandonar a si mesmo: insone. Não há porquê dormir, nem comer, nem descansar. Nesses dias que não se sabe quem é quem e quem é você mesmo, a vida dá impressão de ser eterna e isso é desesperador. Não se pode piscar, porque não se pode perder nada. De um momento para outro você não tem nada e então não tem nada a perder. A vida se abre numa imensa janela de possibilidades assustadoras e angustiantes. Você se vê obrigado a encaixar-se em lugares que não te cabiam mais. Você se espreme, o coração aperta e lá vem o tique-taque de novo. É tudo uma grande mistura que enjoa o estômago. Você não sabe onde pisar, como se comportar e nem o motivo de sua existência. A paz passa ser o objetivo distante, mas principal. De repente acorda-se num novo dia e pergunta-se: como será hoje? Passou? Já está tudo no lugar? Isso dura por cinco segundos antes de abrir os olhos e ver que respirar ainda dói. Vivo uma mistura do que eu quero, do que eu não quero e daquilo que posso mudar. Viver diariamente na confusão é desesperador. Tenho tentado criar novos preceitos, mas tudo que eu vejo ainda é uma grande interrogação. Quando o cerco se fecha e não se tem para onde fugir, sou obrigada a me encarar de frente. É muito complicado porque tudo é extremo e transborda. É necessário aprender a esperar, a sorrir e ter auto-controle. Acho que não deixar que as emoções tomem conta de você pode ser o primeiro passo. Mas talvez pode não ser. Talvez o melhor seja me entregar a todo esse coquetel de emoções surtadas. Fico esperando o momento de cair, mas esse nó na garganta não deixa meu corpo ruir. E aí vem a vontade de gritar... Mas a pior coisa é não estar no controle da situação, não compreender e nem poder mudar toda essa devastação que me devorou por dentro em alguns segundos de bobeira, me apagou e me jogou no anel do furacão. Será que amanhã vai ser melhor?
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
A loucura, tomando conta de mim.
Música do dia: Quase nada
Abre a palma da sua mão, põe o mindinho na ponta do seu ombro e o polegar até onde ele alcançar nas suas costas. Repita o processo do lado esquerdo e do lado direito. Abaixo de onde o dedão encostar é onde fica a grande dor que sinto. Tudo queima. Afundei o peito no colchão, na esperança que a pressão fizesse aquilo parar. Mas não para.
Hoje acordei na impressão danada de ter passado o domingo inteiro com você. Só depois de pensar muito bem, notei que fiz todos os meus itinerários de forma que eu de alguma maneira circulasse pelo seu mundo. Te li. Me assustei. Li o livro. Me assustei. Almocei. Ouvi a música. Vi aquele céu. Vi uma série. Me lembrei. Corri, como se estivesse livre como realmente já fui.
Eu me divido em duas. É como se eu corresse atrás de alguma coisa. Sempre um passo atrás, eu te observo de costas.
Não sei sumiços doem menos se comunicados ou não.
Também não consigo entender como é possível ter o coração partido várias vezes pelo mesmo motivo. Mas também não consigo entender como é possível não chorar. As lágrimas estão brincando de me apertar.
Já imaginou se a nossa canção fosse o som da chuva? Que ironia ela não estar tocando, hein? Nem gosto de pensar nisso, porque se juntarmos as datas e os pontos teremos seca. Rezo para chover logo.
Numa mistura de querer e não querer me odeio por não conseguir parar. As vezes te odeio também, pela saudade gigante que fica no seu silêncio.
Quando você se despede, não dói só porque não ouço mais sua voz. Mas é porque parece que as almas realmente se desencostam. Sei que você odeia essa coisa de um completar o outro, mas realmente me falta um pedaço que me faz faltar o ar. Falta a coragem, a fome, a paciência também.
As vezes acho que vivemos em dois planos. Um de corpo e o outro dessas duas almas que nos controlam, não se explicam e me deixam assim...
No momento não sei se sou eu o ponto de interrogação, ou se existem milhares deles na sua história. Te confesso que tem dias que falta fé, e que penso em quebra de reflexos e espelhos.
Mas eu te entendo. Eu tento. Você só não pode esquecer.
...setudopassacomoseexplicaoamorqueficanessaparadaamorquechegasemdaravisonãoéprecisosabermaisnada...
Abre a palma da sua mão, põe o mindinho na ponta do seu ombro e o polegar até onde ele alcançar nas suas costas. Repita o processo do lado esquerdo e do lado direito. Abaixo de onde o dedão encostar é onde fica a grande dor que sinto. Tudo queima. Afundei o peito no colchão, na esperança que a pressão fizesse aquilo parar. Mas não para.
Hoje acordei na impressão danada de ter passado o domingo inteiro com você. Só depois de pensar muito bem, notei que fiz todos os meus itinerários de forma que eu de alguma maneira circulasse pelo seu mundo. Te li. Me assustei. Li o livro. Me assustei. Almocei. Ouvi a música. Vi aquele céu. Vi uma série. Me lembrei. Corri, como se estivesse livre como realmente já fui.
Eu me divido em duas. É como se eu corresse atrás de alguma coisa. Sempre um passo atrás, eu te observo de costas.
Não sei sumiços doem menos se comunicados ou não.
Também não consigo entender como é possível ter o coração partido várias vezes pelo mesmo motivo. Mas também não consigo entender como é possível não chorar. As lágrimas estão brincando de me apertar.
Já imaginou se a nossa canção fosse o som da chuva? Que ironia ela não estar tocando, hein? Nem gosto de pensar nisso, porque se juntarmos as datas e os pontos teremos seca. Rezo para chover logo.
Numa mistura de querer e não querer me odeio por não conseguir parar. As vezes te odeio também, pela saudade gigante que fica no seu silêncio.
Quando você se despede, não dói só porque não ouço mais sua voz. Mas é porque parece que as almas realmente se desencostam. Sei que você odeia essa coisa de um completar o outro, mas realmente me falta um pedaço que me faz faltar o ar. Falta a coragem, a fome, a paciência também.
As vezes acho que vivemos em dois planos. Um de corpo e o outro dessas duas almas que nos controlam, não se explicam e me deixam assim...
No momento não sei se sou eu o ponto de interrogação, ou se existem milhares deles na sua história. Te confesso que tem dias que falta fé, e que penso em quebra de reflexos e espelhos.
Mas eu te entendo. Eu tento. Você só não pode esquecer.
...setudopassacomoseexplicaoamorqueficanessaparadaamorquechegasemdaravisonãoéprecisosabermaisnada...
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
"Grande Pátria Desimportante."
Era uma vez um país chamado Brasil. No dia 23 de Setembro houve em Nova York, mais uma tentativa de acordo mundial em prol da proteção daquela que não pode falar por si: a natureza.
"O Brasil, por sua vez, não aderiu à Declaração de Nova York sobre Florestas por discordar do desmatamento zero e pela ausência de distinção no texto entre o que é legal ou não. De acordo com a lei brasileira, é permitido o manejo sustentável de florestas e derrubada de áreas para a agricultura, fatores que restringem a adesão." (http://amazonia.org.br/2014/09/brasil-n%C3%A3o-adere-a-acordo-mundial-que-prev%C3%AA-redu%C3%A7%C3%A3o-do-desmatamento/)
Eu detesto a forma como é feita a política no Brasil. É tudo um jogo de mentiras e uma grande rede de publicidade, tentando vender o produto mais lucrativo da nação: o governo. Quando passo nos sinais e vejo pessoas pulando com bandeiras, vejo meu estômago revirar. Qual é a diferença entre a torcida fanática do Mengão no Maracanã, com suas flâmulas, gritos e agressividade à torcida adversária... e a época de eleições no Brasil?
Em Roma, os gladiadores eram atirados na arena para serem devorados. No Brasil, candidatos estão se devorando na arena, atacando um ao outro em um grande jogo de ofensas, para no final entendermos que de qualquer forma "são todos quadrados".
Ir para fora do Brasil e ter de retornar é um grande choque. O Brasil está anos atrás à organização social dos países desenvolvidos. E ainda se fala que o país está crescendo. Apesar da recessão atual na economia, foi só ela mesma que cresceu. A sociedade anda para trás.
Se você perguntar para um gringo hoje, qual a imagem dele do Brasil, além dos tradicionais bunda e samba, ele irá acrescentar que é uma mina de ouro para as economias estrangeiras. Enquanto isso, a população, a natureza, a saúde e a educação vão muito mal.
Há muito tempo, ganhei uma árvore de presente. E pensando no simbolismo daquilo, ela representava a vontade de crescer saudável, a possibilidade de alcançar os céus, fornecer sombra e favorecer o solo e as águas para que estes perpetuassem pela gerações futuras.
Aqui em Goiás, estamos fritando de calor. A seca abre crateras no solo, nos lábios e nos pulmões. Em São Paulo, a falta de água faz caber um braço nas valas ressecadas da terra. E ainda há aqueles que não acreditam em aquecimento global, mudança climática e defendem que é preciso continuar desmatando para que os bancos e os ricos engordem seus bolsos. A economia cresce.
Uma das melhores definições que já ouvi de meu país foi a de que ele é "um anão diplomático". Uma nação feita de gente que assiste a tudo em cima do muro e não quer sair da zona de conforto para não criar "divergências", só pode ser definida dessa forma.
Agora, querida presidenta, alegar que o Brasil não aderiu ao acordo porque não participou da elaboração dele e não pôde fazer alterações? Francamente, um anão diplomático que nunca reivindicou nada não teria voz alguma para interferir coisa alguma. A Amazônia, o Cerrado, a nascente do São Francisco, o meu Araguaia, seguem desprotegidos enquanto desaparecem da história.
Até os EUA aderiram ao acordo. Fato surpreendente, tratando-se do país mais capitalista do mundo.Enquanto isso, o Brasil caminha para trás, em desrespeito escancarado ao seu povo, ao sofrimento dele e à generosa mãe natureza.
Neste país de falsa democracia e liberdade de expressão, impera a submissão dos alienados ao governo. Será que há perspectiva de melhora para este doente terminal? Sempre defendi Gandhi, mas algumas revoluções só conseguem acordar depois que o chão for manchado de vermelho. Vermelho sangue.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
"Só se pode encher um vaso até a borda. Nem uma gota a mais" - Tao Te-King: Lao-Tse.
Salvo as falhas de memória, acho que de longe este é o surto mais grave que já me ocorreu. Dependendo do ângulo de visão, a gente perde a cabeça por uma coisinha mínima. Mas não é. A coisinha mínima é na verdade a última gota que faz o vaso que carregamos sobre os ombros, transbordar. "O corpo que entorta, para a lata ficar reta." Entortar o corpo para manter o equilíbrio a qualquer custo, dói. E é por isso que um dos assuntos que mais me intrigaram sempre é: o que divide a sanidade da loucura? O que segura a gente?
Hoje veio a chuva. Tive que caminhar sob a água. Por fora, uma moça que caminha para abrir o carro. Por dentro, uma menina que não pode se aguentar de vontade de tomar chuva, tirar a roupa e correr o mais rápido que puder, ali mesmo naquele campo.
Também gostaria de vender o carro agora e voltar a andar de bicicleta. O que será que segura a mão para que ela não aperte o FODA-SE? E quando é que vou saber se a corda arrebentar?
Por um bom tempo, esqueci dos "insetos interiores". Ignoramos que o homem é um complexo de impossibilidades, morte e merda. Tudo em nome de um voto de confiança na ... humanidade? Bondade? E quando se cai: não acredito que caí nessa de novo!
É tudo tão previsível que assusta. E mesmo assim, depois de tanta experiência, o que faz tentar repetidamente?
Ingratidão. Falta de reconhecimento. Doar o máximo e o sono. Pular as refeições. Corpo que padece em múltiplas visões de uma mesma história. Visitas inesperadas. Gritos de dor. Dúvidas da cor do céu. O bem e o mal. Cegueira em período integral. No auge do cansaço moral e generalizado, a visão panorâmica das verdades é jocosa. No que crer? A questão é: para quê fazer isso tudo?
Não há dança, programa ou sexo capaz de colorir o dessabor que o desmoronamento do meu mundo provocou.
De alguma forma, sempre acreditei na abstinência. Para remissão dos pecados. Ou para saciar essa sede maluca de buscar e ir de encontro a si mesmo. Em um mundo isolado, acaba-se por encontrar a si mesmo, nu e cheio de arranhões e amarguras. Tem que ser assim. E o que sobrar será classificado como fé.
Acho que na realidade a culpa não seja de ninguém, além de nós mesmos. Vendemos nossas vidas diariamente. Nos prendemos voluntariamente grades convidativas, promissoras, traiçoeiras e fantasmagóricas.
E a alma exausta e castrada implora pela rendição da covardia em nome de um pedido de liberdade que pulsa a cada segundo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
sábado, 13 de setembro de 2014
Sem chaveco.
Se eu soubesse o quanto o ensino médio seria importante na minha vida, juro que teria prestado muito mais atenção. Em mais uma daquelas histórias de anjos de carne e osso, forma-se a imagem que tenho hoje de maus professores da época. Um deles, um dia, estava citando algum autor e de repente, me vi congelada em uma frase: Case-se com alguém que você goste de conversar.
Ironicamente, nós não acreditamos em casamento. E dentre tantas incógnitas, estou certa de que foi você quem a vida escolheu para a minha eternidade. "Calma! Não estou te pedindo em casamento." É que, dando nome às pessoas, te chamaria de sombra de uma interrogação.
Existe uma história de uma menina que tenta fugir da própria sombra. Ela se mexe, ergue os pés, vira pirueta, mas nada faz com que a sombra pare de acompanhar a menina para onde quer que ela vá. Fiz oração, promessa, renúncia; mudei os passos, os continentes e até as pessoas. A sombra atravessa oceanos, sonhos e acasos para me achar. E nos sinais mais singelos, eu sei, como num sussurro: você está ali. E sempre vai estar.
Eu gosto de ser parte desta incógnita. Porque eu te juro que os anos estão passando, a gente se transformando e tudo continua ali, me lembrando de nunca esquecer da magia que pode ser os mistérios da vida.
Há gente que crê em outras vidas. Outras não. Outras acreditam em anjos. Outras em carma. E não importa para onde olhar, tentando compreender esse sentimento. Ele pode ser tudo. Ou pode ser nada. Talvez sejamos almas gêmeas de vidas passadas que são anjos eternos de carne e osso nessa única vida, vivda e aproveitada por nós. À nossa maneira. Confuso, como eu. E de repente, nada disso faz sentido. Somos nada. Recalque mal resolvido. Atração evolutiva. Cama mal acabada. Refúgio ou projeção. Nada ou tudo. Não há quem explique a inseparação.
Há um grande fascínio por trás das coisas que não conseguimos controlar. Se você some na realidade, é visitante assíduo dos meus sonhos. Sabe... quando estamos à beira da piscina gelada nos preparando para pular? É você quem grita: Pule!
Gosto de ser quem eu posso mostrar a você. Você é realmente a única pessoa no mundo que já me viu verdadeiramente. De porre. De drama. De alma. E até triste.Adoro não precisar de escrúpulos, de ter anulado a palavra 'desculpa' do nosso vocabulário e da juventude que a sua voz me traz. É você quem tem nas mãos meu coração totalmente aberto. Gosto também quando você me assombra pelas ruas, pelas músicas e pelas pessoas.
Amo você saber que é preciso ser bom com os outros, afinal este pode ser o único sentido real da vida. Sei que às vezes é muito difícil. Mas se me pedirem uma fotografia sua, entregarei a de alguém que salvou minha vida várias vezes.
O cheiro da chuva. Os melhores planos. Que eu tenho a certeza íntima que um dia se realizarão. E seremos avisados quando esse dia chegar (AMEM!). Você me ensinou a esperar, sem ficar irritada. Simplesmente, porque a vida é assim. Será que somos feitos de arrepio ou de temperatura? De sexo ou de amor? De superfície ou de alma? O meu "não sei". Voltando agora ao começo do texto.
Fico feliz porque a vida escolheu para a minha eternidade aquele que eu mais gostei de conversar. Há assuntos que nunca se findam.
Ironicamente, nós não acreditamos em casamento. E dentre tantas incógnitas, estou certa de que foi você quem a vida escolheu para a minha eternidade. "Calma! Não estou te pedindo em casamento." É que, dando nome às pessoas, te chamaria de sombra de uma interrogação.
Existe uma história de uma menina que tenta fugir da própria sombra. Ela se mexe, ergue os pés, vira pirueta, mas nada faz com que a sombra pare de acompanhar a menina para onde quer que ela vá. Fiz oração, promessa, renúncia; mudei os passos, os continentes e até as pessoas. A sombra atravessa oceanos, sonhos e acasos para me achar. E nos sinais mais singelos, eu sei, como num sussurro: você está ali. E sempre vai estar.
Eu gosto de ser parte desta incógnita. Porque eu te juro que os anos estão passando, a gente se transformando e tudo continua ali, me lembrando de nunca esquecer da magia que pode ser os mistérios da vida.
Há gente que crê em outras vidas. Outras não. Outras acreditam em anjos. Outras em carma. E não importa para onde olhar, tentando compreender esse sentimento. Ele pode ser tudo. Ou pode ser nada. Talvez sejamos almas gêmeas de vidas passadas que são anjos eternos de carne e osso nessa única vida, vivda e aproveitada por nós. À nossa maneira. Confuso, como eu. E de repente, nada disso faz sentido. Somos nada. Recalque mal resolvido. Atração evolutiva. Cama mal acabada. Refúgio ou projeção. Nada ou tudo. Não há quem explique a inseparação.
Há um grande fascínio por trás das coisas que não conseguimos controlar. Se você some na realidade, é visitante assíduo dos meus sonhos. Sabe... quando estamos à beira da piscina gelada nos preparando para pular? É você quem grita: Pule!
Gosto de ser quem eu posso mostrar a você. Você é realmente a única pessoa no mundo que já me viu verdadeiramente. De porre. De drama. De alma. E até triste.Adoro não precisar de escrúpulos, de ter anulado a palavra 'desculpa' do nosso vocabulário e da juventude que a sua voz me traz. É você quem tem nas mãos meu coração totalmente aberto. Gosto também quando você me assombra pelas ruas, pelas músicas e pelas pessoas.
Amo você saber que é preciso ser bom com os outros, afinal este pode ser o único sentido real da vida. Sei que às vezes é muito difícil. Mas se me pedirem uma fotografia sua, entregarei a de alguém que salvou minha vida várias vezes.
O cheiro da chuva. Os melhores planos. Que eu tenho a certeza íntima que um dia se realizarão. E seremos avisados quando esse dia chegar (AMEM!). Você me ensinou a esperar, sem ficar irritada. Simplesmente, porque a vida é assim. Será que somos feitos de arrepio ou de temperatura? De sexo ou de amor? De superfície ou de alma? O meu "não sei". Voltando agora ao começo do texto.
Fico feliz porque a vida escolheu para a minha eternidade aquele que eu mais gostei de conversar. Há assuntos que nunca se findam.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Querida irmã.
Você sabe o quanto o silêncio faz parte de mim. É
exageradamente difícil conseguir falar quando tudo que o seu coração quer é
permanecer calado. Tenho a impressão de que o mundo está em silêncio, parado. A
casa vazia parece muito fria sem você e minha mãe por perto. Todos os dias,
quando acordo , tenho 5 segundos de impressão que tudo não passa de um grande
pesadelo e que nesse novo dia, acabou. Tenho torcido pra que o tempo passe de
pressa e que você volte logo pra casa.
Eu não sei se você se lembra, mas quando éramos pequenas,
viajávamos nós duas no banco de trás, em meio a edredons e travesseiros. Nossos
pais iam à frente. Nós gostávamos de dormir no caminho e um dia tivemos uma de
nossas grandes ideias. E se a gente se encostasse, de forma que você deitasse
no meu colo e ao mesmo tempo eu deitasse nas suas costas? Neste dia encontramos
a posição mais confortável do mundo para seguir qualquer viagem.
Muito tempo depois, na última conferência que participei,
a moça abriu a palestra com uma fotografia idêntica àquele jeito nosso de
descansar. Ela definiu a imagem como reciprocidade. Simplificando, isso quer
dizer cumplicidade. E eu não sei se falo primeiro do nome, do jeito ou da
tatuagem.
Confesso que tenho um velho costume de colocar nome nas
pessoas de acordo com o que elas significam pra mim. O seu sempre foi cúmplice.
Segundo o dicionário, quer dizer “Alguém
que participa de algo”.
Quando a imagem apareceu na tela da convenção, não pensei
em alguém que participa de algo. Pensei que estamos juntas, aconteça o que acontecer. Pensei na sorte que eu tenho de te ter como
irmã. Estradas podem nos levar a cair, ou bater a cabeça, ou passar em um
buraco. Assim como a vida.
Lembra-se da nossa música? Em Contatos, dizemos que não
devemos nos desencostar, vá que por acaso falte o equilíbrio? E nessa jornada
toda, quando eu olhava pra você eu via o equilíbrio que me sustentava. Não
importava o caos que a vida se encontrava ou a loucura que meus sonhos alcançavam.
Você sempre estava ali para me apoiar, contra tudo e contra todos.
Eu não me esqueço de tudo que já tivemos que passar. Eu
não me esqueço das dores e nem das confidências. E não me esqueço da África. Você foi e sempre será minha primeira
concepção de confiança no mundo. Sei que posso contar com você e que posso
contar para você. Mas acima de tudo, eu lembro que passamos por toda essa
jornada de mãos dadas.
Seu nome e o meu tem a mesma origem. Assim como nossas
vidas. Tamires quer dizer “alta”. E você cresceu muito. Assisti sua alma se
tornar gigante e dar orgulho a todos que a cercam. Ficar sem o seu sorriso e
suas risadas sem nexo é insuportável.
Se pararmos para pensar, são os irmãos que vão nos
acompanhar pelo resto da vida. São eles nossos únicos vínculos com o passado. E
tenho certeza que estamos escrevendo uma linda história. Te espero para
conhecer a Disney, para ir ao seu casamento e pra que você seja madrinha dos
meus filhos.
Me lembro das vezes que você teve que me carregar nos
braços. Mesmo com sua pequenez, a irmã caçula, você não me deixou cair quando a
minha vida esteve mais escura. Neste momento eu te carrego em meus braços e meu
coração bate junto ao seu. Te peço que não tenha medo. Se eu puder pegar seu
medo e sua dor e colocar dentro de mim, eu vou buscar. Na verdade tatuamos a
alma. Infinito. Incondicional. Indefinível. Incomparável. Amor. Amizade, Esperança. Te peço um grande favor: que você
continue a ser meu milagre. Te amo além da eternidade.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Santo Agostinho
“Ama e faça o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Novelo.
A primeira reação é espontânea, de um ciumento. Tudo tende à quebra, o real pende para a mentira. Tudo que se quer é bater. O engano foi seu, de seus olhos e de sua fé. O senso de ser uso, não útil, mas descartável, te joga no lixo. Nada era especial. Eram só estrelas e existem milhares delas. Você foi mais uma ou acreditou em estrela cadente? Depois, a segunda reação. A amiga ferida é um soco no coração da menina. Revolta. inacreditável. Pasmem! Como isso é possível. Acho que isso não cabe dentro da minha cabeça. Será que a destruição é requisito do fim? O feio é exigência do belo? Será que todo fim tem um recomeço? Ou existem fins definitivos, coisas e corações que não se colam nunca mais. Tudo que você toca certamente morre. A vontade aqui também é de bater. Em todas as faces. Fases. Tudo passa. Não há consideração. Toda forma de amor, justifica qualquer desvalor? Não há homem. Não há mulher. Não há humanidade. Não há a mínima lógica. E agora a face natural da razão. E se por fim, só se encontraram, o cuidado e aquele que sempre careceu. E se fosse para ser? E se o Russo estava certo, 'quem um dirá irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração'? E se fosse só um grande amor? Que sejam felizes. Que deixem a paz em paz. E se nada for? Sábio aquele filósofo. Só sei que nada sei. Acho que se a gente soubesse, nada seríamos. Cabeças explodiriam. Mas quê sou eu? Só sei que sinto. Imensa dor.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
'É triste a saudade longe de você...'
Perder faz parte da vida. Temos que perder a proteção do seio materno e o medo de dar o primeiro passo. Depois, temos de perder os dentes para outros nascerem. Perdemos amigos porque mudamos de escola. Perdemos coisas o tempo todo: o lápis, o óculos, as chaves. A maioria das perdas servem para melhorias, aquele caminho era necessário por causa disso. O outono é necessário por causa da primavera. Mas eu fui a primeira das bisnetas. E perdi muita coisa. É curioso como perdemos muita coisa também por deixarmos de ver. Nos decepcionamos e deixamos aos poucos de acreditar no outro. Vemos um show de horrores, e paramos de acreditar nas belezas do mundo. Mas parece que só damos conta do ciclo da vida e da nossa impotência, quando aqueles que nos deram início, as raízes começam a partir. Partir para uma dimensão que eu não posso frequentar. Ainda. Demorei a começar a ir em velórios, parece que minha mãe sabia que quando um começasse, sequenciaria uma reação em cadeia. O primeiro a partir foi o vô Geraldo. Dele eu não pude me despedir, porque era pequena demais para estar em hospital. Com ele, tive de dizer adeus às brincadeiras de lego e à coragem que ele demonstrou enfrentando todos quando minha mãe solteira ficou grávida de mim. Ele e a dona Norma foram os únicos. Foi dele também que meu avô herdou o me chamar de "fia". Quando a bisa Maria se foi, eu tinha pouco contato com ela, mas mesmo assim, com ela morreram ave-marias de seis da tarde, o barracão grande da fazenda, os deliciosos cachorros-quentes. Depois, foi a bisa Norma. Ela foi de fato meu grande choque, minha saudade cicatriz. Tive de dar tchau à minha parte Italiana, a uma das melhores pessoas que já existiram na Terra, da paixão por futebol e comida, dos Natais-matinês. Com ela, pilar central, caiu toda a minha família, que está espalhada por aí, em algum lugar. Há dois anos, meu segundo grande choque: um biso saudável que partiu do nada. Padeceram a alegria nata, o dom de contar piadas, o fanatismo pelo São Paulo e pela Rubra e as balinhas sortidas que fizeram meus dias. Sobrou a dona Morena. Personalidade forte, a última das minhas bisavós. Sem seu bem, perdeu o gosto pela vida. E eu a entendo. Em mortes de repente sempre me lembro do texto que o Pedro Bial publicou no dia da morte do Bussunda: morrer é ridículo. Acordar com a morte gritando é silencioso. Dona América foi-se. Ela avisou que estava indo. Sentada do lado de seu túmulo custei a acreditar. Ontem tive de me despedir da última parte antepassada. Adeus fogueiras de São João, batismos e pés de figos, melhor pão de queijo do mundo, mãos que me davam banho, teimosia natural. Engraçado que durante muito tempo vários pensadores questionaram de que eram feitos os homens. Pobre homem, preso à matéria, quis definir-se por água, fogo, terra e água, depois, por sistemas, órgãos, células e átomos. Eu não. Eu sou feita de lego, barracão de fazenda, ave-maria, chá que cura, cachorro-quente, Itália, Natal, futebol, piada, balinha, fanatismo, banho, pé de figo, fogueira e pão de queijo. Com eles morreram grandes pedaços de mim. É difícil viver quando se sabe que a morte realmente existe e pode te surpreender a qualquer hora. O padre disse que a morte não é o fim. Espero em Deus que não. Caso contrário, morrer seria mais ridículo do que viver. Me sinto caindo de costas. Primeira bisneta sem todos os seus 'bisos'. Canceriana sem raiz. Como herança, espero que tudo que me compõe fique e que a bondade, a graça, a teimosia, a bravura, a simplicidade, a coragem e o amor incondicional se encravem em meu DNA para que eu posso passar aos meus filhos aquilo que grandes pessoas me ensinaram e eles não tiveram a chance de conhecer. Espero um dia ser bisa de alguém.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Incompleto.
Uma das coisas que mais me encantam e me assustam é a dualidade da vida. Se um dia é verde, o outro é creme ou sangue. É a imprevisibilidade da vida que me faz perder o sono. Quando o telefone da sua casa toca às 5 da manhã de uma segunda-feira, você reage: põe o coração pela boca. Coisas boas quase nunca acontecem na segunda-feira. Hoje não poderia ter sido diferente. A semana inicia-se com sabor de medo, medo de perder, perder uma pessoa que brilha. Perder alguém de vista é um até logo, dói, mas ainda há o acaso. Mas perder alguém para outra vida, só Deus sabe quando acontecerá o encontro novamente. Nesse dia, vagamos em alerta. À espera do próximo desastre, do resultado do exame. Nesse dia somos colocados frente à frente com nossos fracassos e a impotência nos diminui. O que será que o grande Maestro está fazendo agora? Não é dia de desacreditar, ainda mais em pessoas. Mas é complicado, quando a pessoa a perder a credibilidade é você mesmo e para você mesmo. Dá vontade de ficar quieta, mas não dá. Por causa disso e aquilo, do calor e do céu amarelo. E quando as perdas dependem de nós, ou quando nós poderíamos evitar a perda, um frio retrospecto toma as pernas que bambeiam. Será que poderíamos ter feito mais? O quanto poderíamos ter evitado esta situação? Quem seria capaz de perder tanta gente em uma noite só. Tempo lento, lábio caído, coração angustiado. O fracasso deixa e gente atônito. Com o quê encheremos a alma? A alma que é tanto vazia e que não sabe parar. Como iremos contar o tempo que não pára? A assombrosa estupidez humana! Inesperada. Dia estranho.
sábado, 31 de agosto de 2013
Minha vó acredita na cura pelo amor. É curioso como tal método antiquado contraria as expectativas. Se a cura dependesse de mim, eu optaria pelo caminho mais racional, palpável. O choque da força dura sempre foi a escolha da maioria das partes. Mas ela permaneceu firme, forte, em sua baixa estatura que guarda um coração gigante. E nesses cinco dias ela triunfou. Foi maravilhoso assistir seus olhos brilhantes e suas palavras doces avaliarem o resultado. Minha avó me faz lembrar aquele líder que um dia eu quis tanto tomar como exemplo, o Gandhi. Apesar de todo sofrimento e sacrifício, que se faz necessário, e ela sabe, jamais abandonou suas crenças. E enquanto o mundo todo grita violência, pessoas de paz silenciam. Ao espiar-se talvez cheguemos à conclusão falsa de que nada fazem, quando na verdade é o amor o grande condutor à liberdade. Pode ser que a cura não seja eterna, mas porque você se tornaria humano, senão pela paz de alguns segundos de ternura plena? A violência de uma dor duradoura talvez seja nada comparada à breve paz dos momentos em que o amor toma a direção da nossa cura. No meio de tanto barulho, eu fecho meus olhos e tento escutar quais são os corações que batem junto ao meu. Esse silêncio cala meu medo. Eu ainda não sei o que farei com aquela parte que tiraram uma das coisas que eu mais gostava de fazer na vida. Não posso correr, mas posso nadar. Infelizmente ainda é cedo. E ainda precisarei e muito desses corações - confesso que alguns me surpreenderam- e de seus ombros para que me façam enxergar melhor.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Eu mereço mais que um beliscão na verdade! Eu não fui, eu não vou, e eu não fiquei. Esta tem sido quase que a totalidade da minha rotina. Eu não sei explicar o porquê o tempo me escapa. Não é o tempo e nem a vida que me controla. Logo eu que era tão romântica, que me deixava agir pelo impulso de qualquer paixão. Logo eu que compunha canções à liberdade, estou aqui, marionete do capitalismo. E isso não me agrada nada. Porque o tempo que me tem faltado me impede de estar com meus amigos ou de amar. Me impede de correr, de dormir cedo e na maioria das vezes, não sou eu mesma. Engraçado que semana passada falávamos sobre abraçar o mundo com as pernas. E é exatamente isso que eu faço com cada dia da minha vida, mas além de abraçar o mundo com as pernas, eu meto os pés pelas mãos. Assumi responsabilidades demais, e quase sempre me vejo apenas como a mesma menina. O mundo vai acontecendo, e eu vou me assustando porque em apenas um momento eu faço parte desse mundo, da grande massa. Minha grande frustração é ter que admitir que eu não sou mais senhora do meu destino. Tem tanta coisa fora do lugar, eu estou tão perdida! Queria deitar no colo de Deus e descansar. Eu nunca fui de cumprir muitas promessas, mas agora eu não consigo cumprir uma sequer. E me vejo ficando sozinha, numa bolha gélida, automática e desumana. Qual será minha missão? Acontece que eu não estou dando conta. Hoje meu corpo todo dói como flores, pulsos, tudo cortado. E eu continuo viva. Não entendo porquê. Por que isso tudo se justifica? Hoje mesmo não me aguentei e chorei. Chorei pelo cansaço físico, pela morte diária, pela ingratidão terrestre. Choro pelas ironias que o destino nos prega. Por ter de viver 'da caridade de que me detesta'. Ou de depender do que eu detesto para ficar um pouco menos sozinha. Hoje são projeções de vozes e imagens que me seguram pelo triz de não enlouquecer. Agora me explica. Me explica tudo que eu não entendo. E mata a minha curiosidade de saber porquê um dia frio com cheiro de café e perfume, pode acabar assim, cheio de sangue? Vem falar que isso tudo é normal. Essa estranheza dá vontade de gritar, mas não sei se minha impotência, miudeza ou alma fantasma me permitiria tal alívio.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Target 2
Essa é a primeira vez que vou escrever sobra a viagem da África aqui. Sabe, antes de ir, eu esperava uma reação de comoção gerada pela pobreza do lugar. Acho que na verdade todos tem essa ideia. Acho que todos esperam que a pobreza te comova de alguma forma, te torne uma pessoa melhor de alguma forma, que você aprenda a valorizar o que faz parte da sua vida cotidiana. Falo de bem material. E assim eu fui. Ou melhor e assim eu sonhei que seria minha viagem. Só que até eu chegar lá o caminho foi tão doloroso que quando de fato cheguei, não senti o impacto. Tudo que poderia ser impactante, no final das contas tornou-se curiosidades que se toma conhecimento em uma viagem. Para partir foi necessário romper amarras que nem eu sabia ter. Para partir foi necessário que minha face fosse estapeada, milhões de vezes, para finalmente enxergar que não só o mundo era ingrato, mas também aqueles que estavam muito perto de mim. Tive de ser machucada e decepcionada. Tive que perder noites sem dormir. Tive que sobreviver à mortes diárias. Nos olhos dos meus eu via uma tristeza que parecia que eles estavam me vendo pela última vez. Tive de partir sem a benção. Eu achava que meu escudo era todo amor que havia à minha volta. E eu tive de ir sem escudo. Eu não sabia, mas Deus iria usar muitos anjos desconhecidos para me ajudar e em várias situações ele me carregaria pessoalmente em seu colo. Por isso, enquanto eu estava sozinha no avião em meio a uma tempestade ou a uma turbulência horrorosa, na verdade estava eu e Ele. Quando meus pés congelaram em Paris e eu achava que não podia mais andar, era eu e Ele. Ou até mesmo quando eu tinha de engolir algo que meu estômago se recusava a engolir, éramos Ele e eu. E principalmente quando eu tive sede, saudade ou insônia, ele me colocava de frente para mim mesma. O mais desafiador foi ter de deixar de lado minha dores para servir aos outros. Os outros também tinham dores profundas. Aprendi também que energia negativa pode ser poderosa, eu só não entendo porque tinha de vir de onde eu considerava minha segunda casa. E quando meu corpo ameaçava desabar... Eu cumpri a missão. Sobrevivi ao tempo. Deus não permitiu que eu ficasse doente. Voltei para casa e muitas pessoas me perguntam porque eu não falo sobre a África. Daí eu comento o básico, porque é isso o que eles querem: um guia turístico. Essa foi na verdade uma experiência infernal entre eu, minhas mais contraditórias emoções e Deus. E é nesses dias que percebo o quanto me modifiquei. Eles estavam festejando e eu não estava lá. Eu aprendi a amar não só o amor, mas também o ódio. A África me mudou profundamente. É impossível passar imune por um continente desta proporção. Meus olhos encontram-se bem abertos. E o que me mantém viva é saber que quando existe eu e um sorriso sincero, é na verdade eu e Deus.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Sinais de fogo queimam os dedos.
domingo, 21 de abril de 2013
À espera de um milagre.
Enquanto embarco no ônibus para a minha cidade favorita, penso: onde se escondem essas pessoas interessantes na minha cidade? Porque elas se escondem se deveriam estar nas ruas que é para tornar minha cidade um pouco melhor? Mas não, elas fogem como eu. Fogem de uma cidade que não faz questão de que você se sinta em casa e nem de acolher os filhos teus. Temo que minha cidade favorita esteja infestando-se de feiura também e isso seria uma dor gigante. Onde está o refúgio? Para onde os passarinhos voltam? Onde foi parar minha fé? Nesse escuro gelado sussurrado pelo vento sobre rodas, minha cabeça gira de felicidade por partir. No ônibus assisti a um rapaz que muito me lembrava o que eu era algum tempo atrás ou o que eu acreditava ser o exemplo de ser humano. Ele carregou a mala pesada da senhora pequena e cedeu lugar para uma outra velhinha. Ele vestia roupas de hippie. Olhei pra ele e fiquei triste pois só consegui pensar em ilusão e me perguntei o que ainda mantinha a fé daquele garoto tão viva. Fico me perguntando como me tornei isso e se algum dia essa caminhada para o me tornar mais um irá cessar-se.
Quase que eu eu.
As pessoas falam, falam e falam demais. O mais difícil é perceber quando falam com o coração. Tem chovido muito e assim como as águas, eu caio. Sei que chover é necessário e sempre amei tomar banho de chuva. Assim como as águas, caem perigosamente minhas verdades e minha fé. Sei que 'Deus está na chuva' e por isso ela traz vida. Mas enquanto cai, a chuva destrói, para depois restaurar com esperança. Apesar de amar os banhos de chuva, ainda não é hora, pois por enquanto... Caio.
Minha fé deu um nó (cego?)
terça-feira, 9 de abril de 2013
Hoje me senti vomitada pelo mundo. Tudo aconteceu de repente.De repente não porque foi do nada, visto que teve uma causa muito em definida e delineada. Foi de repente porque no meio do corredor eu pensei que hoje eu até que estava indo bem, já que eu estava até sorrindo mais e já tinha ganhado quatro abraços seguidos. A vida trágica e cômica me faz rir de tanta dor.E daí vem o de repente, quando você acha que está conseguindo respirar no meio da areia movediça e te estapeia diretamente na cara. Dias assim me dão vergonha de pertencer à raça humana. Na série que eu assisto o personagem principal adora falar que uma mudança de caminho mudou a vida dele toda. E é verdade. Às vezes o destino faz coisas que só vou entender mais tarde, e essa é uma delas. Hoje quero gritar porque a vida da gente se transforma em um furacão da noite pro dia. Nesses dias a culpa é toda minha e eu me envergonho de ser eu. Não bastasse isso, sempre tem um idiota que vem de algum lugar para esbarrar em você e fazer um grande estrago quando você está no máximo da sua fragilidade. E o que acontece? D-E-S-A-B-A. E hoje não tem quem segure porque as somas dos pesares pesam muito mais que eu nos meus próprios ombros. A crueldade humana me faz querer pertencer à outra raça. Lamento muito. Acho que talvez Deus queira me mostrar que a melhor forma de me relacionar com as pessoas seja essa forma breve, que dura 21 dias, inocentes o bastante para impedir que haja qualquer risco de um envolvimento maior o que, sem importar o tipo de relação estabelecida, encerra-se em flagelação, machucado, perca da fé. Seja por culpa minha e do meu poder auto-destrutivo, ou por outros, na uma gélida incapacidade de lidar com um outro ser humano utilizando-se pelo menos da educação. Lembro também da Espera de um Milagre, e a dor de John Coffee quando finalmente falou sobre o que acontecia na verdade todos os dias no mundo, as pessoas se matam com o próprio amor. Hoje eu consigo entender o cansaço que aquele personagem se referia, mal posso aguentar meu corpo. Alma? Está de brincadeira. Não consigo entender a lógica do que as pessoas fazem com esse mundo e uns com os outros. Se eu não viajar para algum lugar mental longe daqui não sei se poderei ficar em pé amanhã. Outro dia, eu e minha mãe falávamos de Coríntios 13, minha passagem da Bíblia preferida. passeando por essa cidade e sentindo nas veias tudo que as lembranças podem me contar através dos lugares que andei queria voltar num tempo em que eu acreditava e tinha uma fé gigante na certeza de um amor inabalável. Amor pelas pessoas. Achei que tinha me recuperado em orlando, mas a minha fé era trilhões de vezes menor que um grão de mostarda. A dor dilacera meu coração neste quarto escuro, que gira e me leva a cair. No lugar do coração, trago um buraco, cultivado a cada dia por milhares de insetos interiores. Hoje eu me pergunto, que amor é esse? Pertence a raça humana ou somente um Deus poderia senti-lo e praticá-lo? As pessoas me dão uma grande cansaço e o ideal seria dormir por dias e dias. Mas já que eu não posso e tenho que continuar não sei porque, vou girar neste quarto vazio, com meu coração vazio, apertando meus machucados, vomitando tudo aquilo que me mata e abraçando tudo que eu não entendo.
domingo, 7 de abril de 2013
Declaração de Independência.
- Esse é para te ajudar.
De hoje em diante, declaro que você nunca mais terá que tomar coca-cola zero. Faz mal para os rins. Nem comer no McDonald's quando já não aguentar mais. Ou sujar seu jeans na terra molhada do morro da Capuava, porque lá me dava paz. Você não terá que acordar domingo as dez da manhã pra preparar o café para alguém que está morrendo de fome, ou dormir de janela fechada, quando na verdade o que você gosta é de olhar o céu. Menos chocolate, e mais sorvete. Menos séries de humor e mais criminalísticas. Menos desconfianças e promessas e mais realizações.
Amém.
sábado, 6 de abril de 2013
Não tinha medo o tal João de Santo Cristo era o que todos diziam quando ele se perdeu.
Sabe andar de avião encoberto em neblina? Não dá pra ver nada, cara. Não enxergo um palmo á minha frente. Como eu previa o final de semana chegou, rasgando tudo o que há por dentro, fora e ao redor. Em uma cidade que eu não gosto não há mais nada que me prenda e por isso essas lágrimas e os socos no volante. o pé vai bem, roxo. Mas dor física nem se compara à dilaceração que está tudo por dentro. Nesse muito tempo que tenho tido para pensar me lembro sempre de uma amiga. Primeiro olho para o meu quarto que está um regaço. Penso, vou te arrumar logo. E o ânimo? Não vem mesmo. Daí eu me lembro dessa amiga. um dia ela me disse que o quarto da gente é o retrato da nossa alma. Putz! Acho que estou perdida. Lamento pela minha mãe, sabe. Mãe sempre preocupa com essas coisas. calma, ainda tenho 21 anos. essa amiga dizia também que a gente só dá conta de arrumar quarto e o armário depois de organizar as coisas por dentro. O problema é que eu não sei por onde começar e não estou querendo. esse cansaço casado com a falta de sono deixa um lilás escuro nos nossos olhos, que não conseguem sorrir, apenas úmidos. Eu estou nesse avião, porque é péssimo a sensação de estar em um, eu espalho a fumaça, mergulho na neblina, é fumaça para lá e para cá e nada. Fico me perguntando se Deus ainda tem planos para minha vida. tento ver alguma coisa de um futuro, mas que futuro? E se Ele não tiver? Eu rezo para que tudo cicatrize da melhor forma possível, mas por enquanto tudo o que vejo é nada.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Por que Talita Confusão? II
domingo, 24 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Let's go to a place where we can be alone and get some rest. ( Mark 6:31)
Se Paris fosse de algodão doce, ele seria... experimente tentar fazer marrom claro usando tinta guache. Pegue cinza, depois vermelho e mergulhe o pincel em um copo cheio de água. É a cor de Paris. Como é bom sentir frio! Paris é uma geladeira que te contamina com vida! Absurdamente, a cidade da luz é gigantescamente monumental. Quase tive de me beliscar para sentir na realidade onde eu poderia estar. E ainda tem as gostosuras. Por entre prédios gigantes, barraquinhas fofíssimas e confeitarias de boneca, escondem-se maravilhas doces. Chocolate. Morangos suculentos. Tudo isto é regado a quentíssimas e aconchegantes confeitarias de cappuccinos e cafés, porque são nos contrastes mais gritantes que as melhores coisas da vida se revelam. Ao pisar em terra firma, meus pulmões inflaram-se, inundando-se de seus perfumes. As belezas de seus rostos encantaram meus olhos. Não importa o tamanho do sonho, o sonho, ou o tempo. Sonho que se realiza sempre tem o sabor único de um waffle de nutela, o toque da brisa e o desejo desfilar. Na terra da liberdade, na época dos miseráveis, Amélie desfilei em uma pintura surrealista.
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