
terça-feira, 22 de março de 2011
Será que o mundo é meu?

sexta-feira, 18 de março de 2011
O poema do menino Jesus

Num meio-dia de fim de primavera eu tive um sonho como
uma fotografia: eu vi Jesus Cristo descer à Terra.
Ele veio pela encosta de um monte, mas era outra vez
menino, a correr e a rolar-se pela erva
A arrancar flores para deitar fora, e a rir de modo a
ouvir-se de longe.
Ele tinha fugido do céu. Era nosso demais pra
fingir-se de Segunda pessoa da Trindade.
Um dia que DEUS estava dormindo e o Espírito Santo
andava a voar, Ele foi até a caixa dos milagres e
roubou três.
Com o primeiro Ele fez com que ninguém soubesse que
Ele tinha fugido; com o segundo Ele se criou
eternamente humano e menino; e com o terceiro Ele
criou um Cristo eternamente na cruz e deixou-o pregado
na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois Ele fugiu para o Sol e desceu pelo primeiro
raio que apanhou.
Hoje Ele vive na minha aldeia, comigo. É uma criança
bonita, de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito, chapinha nas poças
d'água, colhe as flores, gosta delas, esquece.
Atira pedras aos burros, colhe as frutas nos pomares,
e foge a chorar e a gritar dos cães.
Só porque sabe que elas não gostam, e toda gente acha
graça, Ele corre atrás das raparigas que levam as
bilhas na cabeça e levanta-lhes a saia.
A mim, Ele me ensinou tudo. Ele me ensinou a olhar
para as coisas. Ele me aponta todas as cores que há
nas flores e me mostra como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem na mão e olha devagar para
elas.
Damo-nos tão bem um com o outro na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro. Vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer nós brincamos as cinco pedrinhas no
degrau da porta de casa. Graves, como convém a um DEUS
e a um poeta. Como se cada pedra fosse todo o Universo
e fosse por isso um perigo muito grande deixá-la cair
no chão.
Depois eu lhe conto histórias das coisas só dos
homens. E Ele sorri, porque tudo é incrível. Ele ri
dos reis e dos que não são reis. E tem pena de ouvir
falar das guerras e dos comércios.
Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da
minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo
materno até Ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes Ele acorda de
noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar,
põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho,
sorrindo para os meus sonhos.
Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais
pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro a Tua
casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e
humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu
tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu
brincar.
quarta-feira, 9 de março de 2011
"Outra ilusão desaparece quarta-feira..."

Psiu! Não podem saber quem eu sou. Psiu! Calem-se. Cale-me. Hoje, um cansaço imenso tomou conta de mim. Um cansaço como meus cansaços, só que bem maior. Talvez nem uma eternidade de sono pudesse me recompor. Viver minha vida anda sendo como viver como uma atriz, interpretando um papel 24 horas por dia. O que "V" disse naquela película hoje não faz mais sentido . O perigo de usar uma máscara não é esquecer-se de quem se é, mas de achar a máscara melhor do que a própria face. O perigo de usar uma máscara é destestar cada segundo que ela cai ou lhe é arrancada. A vergonha pode corroer seus músculos, seu estômago, e escorrer dos olhos. Num dia desse, só quero colo. Ouvi também que o belo, o especial é ser diferente, lutar contra a marcha. Mas a contra-correnteza fadiga os músculos. Hoje só queria faezr parte dessa corrente. Ser eu mesma tem sido dolorido demais, afinal de contas, qualquer deslize que mostre a verdade pode colocar meu mundo em destroços. Perder tudo. Tudo o quê se nada disso é de longe uma realidade que eu conhei para mim. Hoje é o dia do arrependimento. Me arrependo do meu corpo, da minha alma, da minha vida. Hoje queria estar num lugar bem longe daqui. É muito além do que ter beijar o próprio espelho, é questão de vida mantida por aparelhos ou eutanásia?Sorriso amarelo, sem graça. Nunca quis que tal apatia me contruísse como adulta, assim. Na exaustidão eu só queria ser aceita, tudo conforme o figurino. O pior é que quando não finjo, é quando sou mais feliz. Mas fazer o que se o povo dita? Andar, andar, andanças. Até um novo cansaço súbito. Existe coisa mais feia que esbarrar em alguém com uma força tremenda, capaz de arrancar os ombros da outra pessoa? Imagine agora que você é a pessoa que sofreu esse esbarrão, e sem perceber um pedido de desculpas é você quem se desculpa: desculpa por ser quem sou. Quero meu casulo, pois estou com um medo danado do mundo. Enquanto decido que renunciar a mim seja minha condenação para uma eternidade infeliz, hoje só quero é dormir.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Andanças sem andar.

É que tem dias que o palhaço fica assim ao céu, sem teto na cabeça, sem casca nenhuma que lhe faça um pouco mais forte. Se fosse no palco, ele diria que estava um super herói sem capas. Mas piada assim, cá pra nós, não tem graça alguma. Tem coisa mais triste que um palhaço triste? Depois do espetáculo, na rua e sem platéia, a dor escorreu pelos olhos, borrando a maquiagem roxa. A vaia veio de si, ou de partes que lhe compunham. Cada aplauso fora uma vaia que lhe arrebentava as costelas? A lua tem mania de dar o tom de azul às coisas. Lembrou-se então de outras memórias, cobertas pela mesma luz: como era belo o blue daquela pele gélida na madrugada. Blue. Blues. Para acompanhar o choro, uma canção. Como doem as lembranças! E como corroem as incertezas! Não bastasse a zombaria dos outros revirando suas víceras, agora o que lhe restava eram chacotas, deboches de si ou de partes de si para si mesmo. Num cansaço enorme, desabou no picadeiro, teve vontade de abandonar a corda. Mas apagou as luzes e foi pela noite feito coruja pensando o que faria agora sem lar. Ao léu. à lua. Enquanto sua vida envelhecia.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Flor no lixo.

A beleza é ingrata. Ou são os olhos de quem vê? O que é belo é relativo. O que depende, deixa de ser, para parecer. Aparecer? Não. O que é belo pode ser distorcido da beleza na tentativa. Para embelezar-se, esforça-se, espreme-se e o toque final é dado por um sorriso. Mas a beleza é mesmo ingrata. Velhice. Rugas. Curvas. A flor cansou-se de ser bela. E murchou.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Quando se perde um grande amor ...

No primeiro dia uma anestesia te toma, uma dormência de alma e corpo que deixa a vista e os sentimentos embaralhados como se tudo e nada fossem a mesma coisa e ambos completamente possíevis. O segundo dia amanhece sem oxigênio e a cada passo parece existir um cinto comprimindo aos poucos sua caixa toráxica. E essa coisa gradativa lembra a eternidade, e nada pior que perceber que a eternidade agora será vivida assim, só você e o tal cinto. Ah se você der a sorte de chorar... Eu desejo que você chore, pelo menos assim as lágrimas escorrem-se, te desinxam, a cintura fica um pouco mais frouxa. Senão, o esmagamento é inevitável. E por fim, o terceiro dia... a Bíblia fala que é o dia da confirmação, o prazo final para tudo, a última chance de voltar atrás. Daí falta todo o ar, o cinto espreme as víceras, as vistas e os sentimentos. A quietude é assustadora, todo silêncio de arrepia a alma e num desgosto de apatia, o corpo rui e a alma desmancha. Uma semana, duas, três... e então imagino que uma experiência de quase morte te torture e nenhuma realidae é capaz de ocupar seu tempo, que terás de viver sozinho. Os velhos sonhos faziam sentimento e querer à vida, sem eles não haveria como imaginar-se. Um novo ser, desencarnado, impassível. Insoso. Escuro.
Por sorte os pés se encaixavam ainda e de novo. Novo. E qualquer posição que os corpos se jogam é feita da completude que convida ao sono. Um sono gostoso demais. Sono quente de paz.
Abri os olhos e o suor que me esscorria pela testa era apenas o calor daquele quarto repleto de amor. Era só um pesadelo.
- Bom dia, amor!
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Minha omissão.

Os olhos vagueavam, de um lado para o outro, passavam pelo filme, pelo escuro, pelo mofo das paredes e caíam por fim dentro de mim, no abismo das lembranças. Eu não sabia o que fazer, onde me esconder ou se era para me mostrar. Quando estava me arrumando o Nando me alertara, havia sempre alguma chance do impossível rolar. O ceticismo não me deixou acreditar, até pagar para ver. E vi, como uma cena estranha de milagre. Agora não sabia nem onde botar as mãos, em que tom respirar para não demonstrar o pavor daquele impossível rolando aos meus olhos. À Deus devotei o deslumbramento das coisas imprevisíveis, e a permissão para que milagres como esses acontecessem. O cheiro era o mesmo, e o abraço exato e humano, dosado, apertado, delicioso. Eu estava com saudade, e meu mundo precisava dessa paz. Não há lugar melhor que a raiz de uma árvore.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Ficando no caminho.

Desta vez a tristeza viera tão forte, tão profunda que nem mesmo as palavras da menina-mulher ousaram confrontá-la, entendê-la e tampouco resolvê-la. Este era o cenário que chamaria de veramente desconhecido - a garota não tinha estado em tal desapontamento sequer por imaginação. E então ela permaneceu como o esperado, ou como quem espera por nada ou por tudo, na verdade permaneceu assim além do tempo previsto; quieta, impassível, impotente. Ela sentia falta das palavras, da caneta borrando seu mindinho. Será que todas as suas memórias lhe faltavam? Pois tudo de repente se desfizera e misturado num borrão grotesco, ausente de beleza, e todas as dores e alegrias passavam a não existir. Agora sim tudo estava realmente confuso e nada que acontecia era verdade ou suficientemente ilusório para ser mentira, ou era. Amélie, olhando os dias que passavam cinza sonhou que vinte anos ficaram para trás como prova dura de todos os seus sonhos fracassados. Nenhum plano sobreviveu às enchentes. E na angústia da falha, ela equilibrou-se novamente no paradoxo. Aceitar seu destino ou revoltar-se pelo insucesso de sua saga? No meio de todo o caos, a mulher enxergou alguns rostos conhecidos e viu que apesar de todas as coisas, mentiras ou não, a vida era a realidade tristemente real. A plantinha que Amélie trazia junto ao peito permeneceu intacta, calando ou tagarelando, mas jamais abandonando a reciprocidade daquele amor. Seu alimento estava na seiva daquele verde esperança. E então ela pensou que o seu futuro estava na raiz de uma árvore.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Fiona.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Para quem queria notícias.

Desliguei a televisão. As luzes ligadas em silêncio fazem o barulho do computador ser tão alto que chega a ser silêncio também. O silêncio mais ensurdecedor. Estar só não é fácil. Bem, na verdade é fácil quando a "auto-companhia" é agradável, quando sua voz não grita de medo, de dor, de angústia, de saudosismo. Todos se foram e de repente notei que estou só. Acho que nunca me notei tão só, e isso me deixa assustada. O tic-tac, que vem lá da sala, me tortura e me traz uma pergunta dificílima mais uma vez ... por que o sopro da vida? Hoje me senti totalmente desimportante, desnecessária, descartável. Como alguns diriam, dramática também. Mas a questão é que isso dói mesmo. Eu gostaria que tudo estivesse diferente, nenhuma faxina ou multirão tem adiantado. Ano desorganizado, inorgânico, desengonçado. Fim de ano aterrorizante, escuro, mortal. Não me reconheço mais porque tenho sido outra pessoa, ando sem chão, sem história, sem conteúdo. Sirvo a um sistema esperando pelo tal ano da transformação. Pelo menos ainda guardo esperança de um 2011 melhor, e que em algum dia da minha vida meus sonhos tornem-se tão claros que enfim eu possa tocá-los. Apenas um bastava para me sacudir essas cinzas, lavar esse presente que me pergue. Já se perguntou se você realmente causa saudade em alguém? De que serve essa existência ( de perdas) se estamos todos sozinhos no final? Sem beijos ou palavras de boa noite. Hoje eu vou dormir só, e qualquer barulho, principalmente os que vêm de dentro, é sinal de perigo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Hoje vou falar de Bossa e Tropicalismo.

Pela manhã assistindo ao telejornal vi uma Belo Horizonte devastada pela chuva e um Rio de Janeiro perfurado por balas e queimado por traficantes. O que me chamou atenção foi a diferença da postura da população em relação aos dois acontecimentos. Sempre me perguntam se morro de vontade de conhecer o Rio, sempre respondo que não. Com a licença dos apaixonados, a Cidade Maravilhosa para mim é uma grande farsa, uma bela embalagem de um produto podre em nome de um cartão postal para os gringos.
O tropicalismo surgiu contra a ditadura militar, como um grito de cansaço, a revolução pelo direito de falar vestida em calças jeans. As músicas eram enérgicas, explícitas ou subliminares só queriam uma coisa: o basta aos horrores da tirania. Foram os que não aceitaram, os que se divergiam da rebeldia sem causa da jovem guarda ou do conformismo da Bossa Nova.
Não havia lugar melhor para o nascimento da Bossa. A beleza natural do Rio chacoalha os músculos das garotas e dos garotos de Ipanema, dá leveza ao Bondinho como se fosse pássaro, e dá nome ao Morro como se fosse doce, surfando nas ondas do mar. Pequena elite da beleza que deixou de herança a apatia para a populção em geral. Ricos e pobres assistem o espetáculo de destruição cíclica, ora é pela chuva, ora é pelo tráfico. Feito marionetes, os cariocas ou choram ou sorriem, nunca gritam ou paralizam o calçadão. Os compositores da Bossa, cantavam canções baixinhas, em melodias excelentemente suaves, dentro de apartamentos, que era para não incomodar certos vizinhos.
Notam a gravidade disso? Não há promessa de um remanejamento estrutural social ou físico, e o povo nem protesta por isso. Atualmente os bandidos estão varrendo a cidade, desconstruindo o que foi estruturado com trabalho popular. Se existe algum protesto ou no mínimo exigência da população pela segurança que lhes é direito? Nada! Só aguardando uma possível aliança com a Força Nacional. Meu Deus, possível! Cadê o exército? Para quê tanto silêncio?
Como Tom, Miúcha, Nara, Vinícius... cantam o sofrimento, assistindo pela janela como se fosse parte do cenário, como se todo caos tivesse realmente a poesia ufânica de Wave. Eu fico puta com isso.
O Rio é considerado elite intelectual do Brasil, mas é justamente de Minas, os indivíduos quietos por definição, que vem o grito de socorro ou de pare após uma noite de chuva. Foi necessário uma noite de chuva para que a população tumultuasse, berrasse, escancarasse a ferida numa das principais avenidas de BH. No Rio, isso é rotina. Será egoísmo? Quem diria que os mineirinhos têm o sangue quente de Tom Zé, Gal, Torquato Neto, Os mutantes , Bethânia, Gil, Caetano... Mas é só mais um dia. Mais um. Um dia.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O desabrochar da primavera.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
sábado, 4 de setembro de 2010
Mais vida.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Neguinha dos olhos.
Por quanto tempo me privarás
Do teu olhar no meu olhar?
Esse olhar que me adoça, me acalma, me delira
Esconde-se atrás dessas pálpebras...
Pálpebras cruéis, cerradas, trancadas
Qualé a chave que te abre?
Qual foi que fiz que te fechei?
Pálpebra nervosa, rígida, gélida
Sabes bem como me castigar
Me botar de joelhos...
Belos cílios da luz de meus olhos
Não fique tanto tempo sem me mirar
Que eu morro de tanta falta tua
Deixa de emburro
Esquece de me matar
Abra-te novamente
E traga a minha grande parte
que pertence a você.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Memorial do Gentileza.

Tu tens voz, moço!
Então usa esse poder com mansidão
Como instrumento de gentileza
Porque tal qual o poder de um olhar
É o da palavra que não volta
Usa tua fala com candura, seu moço
Porque tal qual um olhar
Pode tua palavra me viver ou me matar
Cuide para não me assassinar com tuas letras
Que essa vida já é dura demais, moço
As frases ardem, cortam e não voltam não
Mas se usadas com sabedoria
Podem ser o jardineiro que colhe,
Que leva, a paz e as flores.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Aos livros.

Como o homem foi capaz de inventar uma coisa tão fantástica quanto os livros? Sinceramente essa dureza diária e extensa ganha sentido quando chego em casa tarde da noite, tomo um banho cheiroso, molho os cabelos que é para expulsar a fumaça, como uma comida quentinha, com gosto de mãe... e depois de tudo isso deito naquele sofá iluminado e me escondo atrás das páginas de um bom livro. É no fim da noite que meu dia nasce. Livro é o meio de transporte para o mundo sozinho, em que posso ser tudo, sem cansaço e ainda beber da fonte da beleza que os olhos enxergam, que é pra enfeitar a rotina. Livro é minha luda-de-mel de cada dia, um atalho para a liberdade no meio do sufoco. Meu descanço. O tirar dos sapatos apertados e quentes. Minha prece antes de dormir. Benditos e perpétuos sejam os livros bem escritos!
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Com a licenca de Shakespeare....

Já viu quantos textos existem falando sobre o que a maturidade nos ensina? Acho mesmo belo acreditar que as coisas que aprendemos são repletas de beleza, d'até vontade de aquilo tudo ser verdade. Acho que os poetas de antigamente tinham menos cimento nos olhos, ficava mais fácil ver a beleza depois de uma grande queda. A queda tinha altura determinada. Parece que o século XXI é uma queda livre. A beleza na minha opinião não está nas coisas que você percebe no final, acho que está nesse cair desembestado e mesmo assim declarar que se é feliz. A beleza está em se sentir completo com tanta coisa faltando ou com tanta coisa sendo arrancada de voc6e o tempo todo. O mundo é uma desconstrucão constante de tudo aquilo que um dia você acreditou que fosse a verdade que te faria feliz. Hoje deu vontade de falar sobre o que eu aprendi, numa linguagem moderna, numa verdade real e atual. A maturidade me ensinou a ter menos amigos. Não fique com pena, foi uma opcão. A vida caminhou bem melhor quando percebi que muito é apenas quantidade, e muitos amigos podem te causar uma dor de igual grandeza. Então é melhor optar pela qualidade de me dar e receber muito mais, muito melhor, questão de intensidade, dedicacão e lealdade. Lembra daquela teoria que diz que seus amigos verdadeiros não se igualam a quantidade de dedos que você tem na mão? É pura verdade. E a novidade é que isso não é nada ruim e muito menos sinônimo de solidão. O fundamental é mesmo sua família, que é carregada de defeitos. Em família a gente se regaca, expõe-se ao avesso e sempre se ama no final, apesar de quase tudo. Perdoar é realmente muito bonito, mas como diria Quintana: Que trabalheira! Quase ninguém perdoa por completo e quem pede perdão quase sempre fica com o orgulho ferido. Dinheiro é mesmo uma merda, tudo é comprável no mercado e sem ele você não faz nada. Nunca pensei que chegasse aos 19 anos sem carta de motorista, mas a prioridade de ter um carro saiu de cena para dar lugar às minhas 8 viagens anuais à paz das cachoeiras. Virei aventureira. As pessoas que desrespeitam seus hábitos vão te irritar, por exemplo pessoas que jogam papel na rua me irritam e isso, esse pequeno detalhe, pode me impedir sim de desenvolver uma amizade com tal pessoa. Dos meus erros passados herdei muito mais nojo, que aprendizado. Você é uma galeria de coracões partidos. Achou que ia ser sempre a vítima da história? A mocinha que amava platonicamente? Tcharam! você, logo você, já partiu e vai partir outros coracões até o fim da sua vida. Todo mundo é um pouco muito vilão. comer chocolate todo dia engorda. Fazer trocentas coisas por dia não será mais tão possível, porque o corpo pesa, o fôlego diminui e o cansaco aumenta e você, meu amigo, pede arrego. E dentre as coisas que voce deixa de fazer devido ao cansaco, a atividade física ocupa a preferência. As pessoas fazem e insinuam sexo o tempo todo. Fazem sexo sem amor. E sexo nem é tão bom assim como você pensava. Então não se assuste quando te proporem um ménage, isso acontece com grande frequência na era do hedonismo. A capacidade de absorver um idioma ou um curso é diretamente proporcional ao quanto você e seu bolso são responsáveis por você, na idade adulta é muito melhor, mais sério. Se escolher não ser preconceituoso, por favor, faca isso por você. Não quero ter de ver mais pessoas tornando-se skin-heads depois de perceber que o mundo não vai deixar de ser preconceituoso se você não for. Nào seja fanático por religião, a ponto de perder sua capacidade de criticar e transformar em volta. Faca de tudo que for possível para não ter de depender da bondade alheia, as pessoas são ruins e de repente você vira refém e vende sua liberdade por muito pouco. Infelizmente, hoje enxergo o sexo masculino, com duas ou três excessões no máximo, como uma máquina reprodutora e selvagem. Homossexualismo é consequência da destruicão da família, e não o contrário. Todo mundo se cala no final. para passar no vestibular tem de estudar e isso só depende de você mesmo. Existem pessoas que têm só um grande amor da vida, mas existem outras que amam várias vezes durante a vida e isso não é pecado e nem banaliza sua capacidade de amar. Não existe uma lei que te impeca de amar mais de uma vez. Se você namorar, vão dizer que ele nào presta. Se não namorar ninguém vão dizer que é gay. Se nào gostar de sexo, vão dizer que é brocha. Se gostar, dirão que é tarado. Se for gordo, que precisa emagrecer e se for magor, que precisa dar uma engordadinha. Ou seja, não espere nem reconhecimento, nem agrado. Compre belos e grandes fones de ouvidos, com uma potência que te impeca de ouvir o mau tom alheio. Qualquer som que vaze, vai te machucar sim, afinal você se importa e muito com o que os outros dizem. Você e eu somos mesmo um cliché. Então aperte o play numa bela cancão e vá andar pela natureza, porque essa sim é bela e divina.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Rainha Dourada e Soldadinho de Chumbo.

P.S.: Desculpem pela falta de cedilhas, coisas de teclado.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Carta ao Cazuza III

Amigo Cazuza,
Nos meus tempos existe uma música que você iria amar deslizá-la em sua língua presa. Canta um verso que "eu sou uma galeria de corações partidos." Eu espero sinceramente que daí do alto, de fora ou onde quer que você esteja alguma coisa faça sentido. Com quantos corações na sua galeria, você partiu? Quantos corações mais eu terei de partir até o fim dessa dolorosa existência? E por mais quantas vezes eu terei de ser forte, ou fraca demais a ponto de me recompor, me desmoronar e fazer outros corações dentro de mim mesma? Eu só liguei mesmo para falar que estava com saudade, não precisava dizer mais nada, só que estava com saudade. Acho que foi isso mesmo que levaram meus dedos ao teclado, mas sabe da força das palavras? é claro que sabe, você fez o caos com elas. A grande força das palavras me fez engolir toda grande saudade que não cabia em mim. Deve ser entendimento de fraqueza, sufoco de orgulho que nos leva a negar verdades vomitadas, explícitas. Dizer não a quem sabe muito bem a quantas andam a alma que vaga. E eu só queria dizer que estava com saudade. Nãos. Mas às vezes não importa o quanto você ou os caminhos mudem ou quantos séculos se passem. Alguns venenos não mudam, são nocivos, corrosivos, necessários. Algumas flores plantadas sempre serão colhidas com amarguras. Parecem juras, que adivinhem só, se realizam, perpetuam-se. Ser o doce pecado de alguém vai ser sempre a dor de ser doce e pecado de alguém. Parece que a eternidade nos ouviu naquele quarto. A voz do outro lado vem e vem de novo com a crueldade mansa do texto (já esperado,decorado) e você que ouve o mesmo desenrolar de letras, sangra-se quantas vezes mais o ritual repetir-se. São venenos nocivos e perpétuos, com poder concedido pelo universo e mistério indecifrável. Por exemplo... qual é o significado dessas coisas que apesar do quanto você ou as coisas mudem ou quantos séculos passem ainda lhe matam em mansas porções? Amor não sei se dura daqui até a eternidade. mas dor, é o cativar eternizado,. Insônia. Angústia. saudade. Eu sabia que tinha algo errado. e se você disser que não, eu vou dizer que te vejo equilibrando-se no talvez, cá e lá, sim e não. E se você disser que não, outra vez, eu vou achar graça porque no fundo a gente sabe que se sabe muito bem.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
00:00 às 06:00.
Você percebeu o quanto somos maiores? As árvores crescem para sobreviver ao ritmo da vida. O tempo gasto no cultivo de um brotinho nunca é perder. Se você contar sua vida, vai perceber que pouquíssimos permanecem. E olha, as decepções podem lhe arrancar despedidas dolorosas eternamente. Mas elas são poquíssimas comparadas áquelas despedidas que às vezes nem nos damos conta do adeus. As pessoas vêm e vão, e a vida dita o ritmo. E puxa! Às vezes a gente nem percebe. Você não sente que você poderia ter feito mais? Eu sempre acho que se mais amor fosse dado, mais força contra a história meus queridos teriam para permanecer. Talvez tivessem ficado cinco, como os dedos da minha mão. Permanecer. Pode ser que olhar pela lente de doze meses, seis meses seguintes pareçam fáceis. Mas é que eu não me acostumo em não lhe ver por muitas horas, meus olhos escorrem sempre, você sabe, num mimo só. Por isso fica combinado que eu cuido daqui e você cuida daí. E se o futuro chegar antes da gente, inventamos outro futuro. Mas outro futuro nosso. Como o jardim suspenso. O desafio é estarmos juntos sem seus olhos nos meus por um tempo maior, como é agora. Mas eu te peço para não desistir, pode contar com minha prece. Vou cuidar para a saudade não ser tão maior que um-metro-e-sessenta-e-sete-centímetros a ponto de me fazer esquecer. Ey, não se esqueça de mim. De hoje. Sabe o que é mais engraçado? Agora eu não tenho medo. Eu tenho coragem para te carregar nas costas quando a madrugada acabar e não desistir nunca de lhe arrancar o sorriso pelo qual me apaixonei. Amar também pdoe ser isso, ter seu corpo tatuado na minha espera. Eu vou estar aqui com um motivo entre os dentes que não lhe faça desistir dos meus beijos. pra velar seu sono, seu cansaço. Pernas são estradas.
domingo, 11 de julho de 2010
"Encontro e perda ao mesmo tempo, eu não vou parar..."

Daqui a sete dias eu completo 19 anos. É estranho neh? Do nada você pensa que... Porra, já têm 19 anos vezes 365 dias, e você não fez grande coisa nesse tempo todo. Meus amigos se sentem muito diferentes com 19. E é claro que é, a gente percebe que cresceu mesmo. É a tênue linha entre adolescência e idade adulta. Tênue e desagradável. Doem mais os corações partidos e as pessoas que já se foram. Como disse Ana, são contas de banco, e correspondências chegando com seu nome... e o Ruan, passou o aniversário trabalhando, e a Jéssica passou o dia internada num hospital. Acho irônico, era pra ser nosso dia. E acaba sendo mais um dia racional. Uma vez assisti a uma reportagem que falava sobre as mudanças que ocorrem nos nossos olhos em relação à interpretação das cores com o passar dos anos. As crianças enxergam as cores num tom mais azulado, é claro que fica tudo mais vivo, como um céu de verão e praia. Na idade adulta, enxergamos as coisas em tons esverdeados, se não percebeu é quando as coisas começam a desbotar. E na velhice... Deus, na velhice as coisas ficam amarronzadas.... Acho que a visão é o reflexo de dentro. Então, fazer 19 anos é isso. Enxergar as cores e a vida, e as cores da vida mais esverdeadas. É realmente quando as coisas, insuportavelmente desbotam-se ladeira a baixo. E é claro que tudo fica bem mais estranho que antes. Eu, por exemplo, morria de medo de virar de ponta cabeça. Agora, é a única coisa que me alivia e me faz sentir um pouco melhor. O máximo que pode acontecer é eu não poder, daqui alguns anos, enxergar as coisas em tons amarronzados. E nem se usa mais bolo de aniversário.
sábado, 3 de julho de 2010
Liquefação.

E de repente as lágrimas costuram os cílios e tricotam uma cortina à prova de desumanidades. Quando chovem os olhos, as luzes da cidade esticam-se aqui e aculá e tranformam-se em estrelas. Estar extra-terrestre deve ser assim, as estrelas passam a iluminar o silêncio blindado de dentro. Se a gente habita o espaço fora de todos os mundos, o vácuo passa a ser nosso lugar. Lá é mais complicado topar com uns e outros. As lágrimas têm o poder telepático de transportar para onde precisa-se buscar a paz. O mundo das estrelas sem voz faz brotar todo descanço para a estranheza desse mundo. Eu não me importaria de passar umas férias por lá.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
No meu coração você sempre vai estar.
Não tenha medo
pare de chorar,
me dê a mão,
venha cá
Vou proteger-te de todo mal, não há razão pra chorar
No seu olhar,
eu posso ver,
a força pra lutar
e pra vencer
O amor nos une, para sempre,
não há razão pra chorar
Pois no meu coração,
você vai sempre estar
O meu amor, contigo vai seguir
No meu coração, aonde quer que eu vá
Você vai sempre estar, aqui
Por que não podem ver o nosso amor?
Por que o medo por que a dor?
Se as diferenças não nos separam
Ninguém vai nos separar.
E no meu coração, você vai sempre estar
O meu amor, contigo
vai seguir
Não deixe ninguém,
tentar lhe mostrar
Que o nosso amor não vai durar
Eles vão ver, eu sei...
Pois quando o destino,
vem nos chamar
(vem nos chamar)
Até separados é preciso lutar
Eles vão ver, eu sei...
Nós vamos provar que...
No meu coração,
eu sei você vai
sempre estar
Eu juro que o meu amor, contigo vai seguir
No meu coração
(dentro do meu coração),
aonde quer que eu vá
Você vai sempre estar, aqui... Aqui... Para sempre...
Meu amor, vai contigo, sempre contigo...
Basta fechar os olhos
É só fechar os olhos
Quando fechar olhos
Vou estar... Aqui...!
terça-feira, 22 de junho de 2010
Dejavú.

Levanta-se sobre pontas nômades entre sorrisos pláticos e orgânicos...
São tantos corpos que estão no palco, e são platéia...
Dançam por quê?
Se acompanhar a música, é questão de querer?
Quando plástico vira pano de fundo, pilar de apoio, des-bo-ta-men-to
Quando orgânico, almático, espiritual, cutuca a platéia à distância...
Que coragem a da bailarina!
De se jogar sem cascas à frente de olhos famintos... olhos humanos... imperdoáveis.
Sorrisos irônicos... sádicos... sorrisos humanos.
Deve erguer-se novamente, rápida...
Sapateando num sorriso machucado, o espetáculo continua, a-tro-pe-la-do
Bailarinas também falham
E o instrumento mais antigo e perfeito
tem de se reafinar na alma.
Tranformar-se na música de outro
Tranformar a música de outro em si
Que audácia bailarina!
De poder colher aplausos ou vaias...
dançando o corpo, que para tantos é vergonha...
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Encantamento.

O mundo girava em torno das velas. E as sombras, não eram escuridão, eram frutos da luz que brincava de alma. Almas que se projetavam e se encontravam além de um corpo dentro de mim. E então minha alma se sentiu completa, à noite, eu fui sua primeira vez. Beijaram-se na sede de um amor que vai além. O amor exigiu passagem na história, e tantas vezes teve de rasgar estreitamentos. Cansado, contudo com uma força inquestionável, achou descanço na paciência abrigada pela tua pequenez. Aqueles olhos brilhavam alaranjados, iluminados, pela paz que inundou o mundo em torno de Amélie naquela noite. E a contradição veio apresentar a paz que vem do fogo, escondendo-se atrás de uma dança colada entre dois corações quentes e fortes sobre saltos. E então a mágica não teve de ser inventada. Amélie, que fazia discos em panquecas, foi presenteada pela surpresa de um disco negro raro. Descalça, viu que não era a plataforma das sandálias que a levavam ao céu, era na verdade a magia que aconteceu sem pedir licença. Simplesmente aconteceu, com sua liberdade de ser. Foi beleza. E o que era brotinho, virou incondicional.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
La pasta, que plasta, não passa.

Ontem à noite no jantar travei uma briga com o namorado da minha mãe - mesmo que essa guerra aconteça dentro de mim. Eu estava embriagada de vinho, e parece que algumas pessoas têm o dom de nos atacar quando estamos mais vulneráveis. E de repente ele me pergunta:
- Não existe nenhuma religião em especial que você segue?
- Não.
- Por que não?
- Tive muita decepção quando fazia parte, e assim seguiu-se com as que eu conheci depois.
- Mas isso tem em todo lugar. Você tem é que fazer sua parte e pronto.
... eu explodindo, e com tpm.
- Não, comigo não é assim. Fazer minha parte nesse caso é o mesmo que fazer-se de cego diante de tanta hipocrisia que eu vi diante dos meus olhos. É não lutar pelo que eu acredito ser justiça e verdade. É ser mais um acomodado, que só sabe olhar para o próprio umbigo. Eu não concordo. Eu não vou fazer parte. Eu tenho que ser responsável pelo que eu vivo. Deus vai comigo por toda parte. Ele não é um lugar. falo com ele mais de três vezes por dia.
- Também não precisa tanto. Podem ser só duas vezes.
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Primeiro quero dizer que das decepções que eu passei só eu sei, só eu sei do que me fez sair da convivência de um lugar que eu tanto amava. Segundo: entendo que alguém tão ligado a coisas materiais só consiga encontrar Deus num templo ou numa religião cheia de regras, afinal, está tudo no mesmo campo mesmo de ver e ter parar crer. Terceiro, não concordo com esse tipo de comportamento e não espero nenhum tipo de compaixão de alguém com essa índole. E por último, eu falo com Deus quantas vezes eu quiser, porque não o faço por obrigação. Decepção? Não. Já é sabido. Conclusão? Talvez viver junto a uma oposição possa causar uma onda destrutiva. E daí? O não.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Minhas mulheres (eu também).
Sou da tribo dos pés descalços e sujos, que encardem as sandálias claras no formato exato dos dedinhos quase iguais, mas que são únicos e mesmo assim se completam como peças perfeitas. Sou da tribo do sal de frutas que cura a barriga grande depois de uma noitada de massas embriagada de vinho docinho, amor dançante e músicas que cantadas em coro dão a certeza de que nos pertencemos. Sou da tribo do sol nos seios de fora e das tpms estrondosas que dividem a casa em três partes, e depois de quatro dias reafirma seu chão como se fosse o primeiro dia de amor de nossas vidas.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Alaranjidade Zaratustreando.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Quase extra Via-Láctea, numa perspectiva quase cósmica.

domingo, 23 de maio de 2010
"Por que os ossos doem quando a gente dorme?"

Não bastava amar a solicitude, uma hora haveria de se sentir sozinha mesmo acompanhada, e com isso sofrer. Sofrer muito. É no mínimo estranho, para não dizer o quanto estou triste. Sinto calafrios, cólicas no estômago, os olhos não param de chorar e meus ouvidos ouvem como quem tem a cabeça dentro de um aquário. Longe, longe... Fico buscando de quem é a culpa, pra ver se fica mais fácil encontrar a saída. Tenho acordada apavorada com a separação. As boas lembranças superam as forças dos argumentos que nos fizeram sair. e agora elas fazem cócegas nos meus sonhos de travesseiro, e passam como fotografias de moinho a todo instante que fecho os olhos. Elas são as piores. A dor de um dia de sol que nos fez sorrir, m que nos sabemos de cór, supera a ferida de tudo que já choramos. Se dar conta de que o tempo passou, e que já faz tempo demais para fazermos alguma coisa, tipo, me mata aos pouquinhos. Os dias têm sido para velar e sepultar tudo que já foi definitivamente perdido. Agora entendo a dor de quem perdeu a casa numa catástrofe. Quem perde a casa, perde a casa de dentro, e perde a casa de fora, e perde as casas que construiu dentro dos outros. Hoje eu não encho mais a casa de alegria. E talvez a culpa seja minha, porque me sinto uma entrusa dentro do meu lar. Não caibo no meu quarto. Me arrasto. Eu achei que eu tinha aceitado bem. Mas é que a mente da gente bloqueia certas coisas para depois soltar um avalanche e detonar corpo e alma. Divórcio deveria ser classificado como catástrofe e todos os sonhos que ele destrói, tratado como crime digno de pena de morte. pensa bem? Divórcio está condenado à pena de morte e deixará de existir depois de uma injeção ou de uma cadeira elétrica. No meu caso, foram assassinados dezesseis anos de vida, e agora tenho de sepultá-los, superá-los e ainda ser feliz plenamente em... três anos? Não sou de ferro não, meu Deus. Nada daquilo existe mais. Nada daquilo se repetirá. Os católicos acreditam na trindade como uma unidade indestrutível, inseparável. No começo foi fácil ser três forças que se encostam para não se desequilibrar. Afinal, deixamos a dor para sorrir de novo, três vezes e três bocas mais. Mas o problema é depois que a raiva passa. Sobra o amor. E cada um a seu tempo vai descobrindo que depois que um cristal de quebra sobram os cacos. e do caco que restamos vamos virando pó. Um pó cinza, de matéria orgânica incendiada e destruída. Sem fé, sem vida. E esse é meu tempo de perceber. Não tenho mais raiva, tenho é muito amor. E a dor de um amor impossível, sangra. Vou multiplicando então, essa dor por 4, afinal eu também entrei na dança. talvez a saída seja mesmo sair, quando não se sabe o que fazer. E talvez essas lágrimas sejam o preço ou o único alívio para uma maturidade precoce que demonstrei... e a fragilidade, nessa maior idade, seja ridícula ao conjunto de seus olhos.
sábado, 22 de maio de 2010
Monólogo com quem dialoga.

- Sentindo o quê? Um abraço?
- Não! Além do abraço, bem ali no oco de dentro... viu?
- Hã? Onde menina? Que coco? Tá oco?
- Hã? Não!!! Coco não! Nem o Coco gato, nem o outro. Vazio. Oco. Eco no poço.Que de tão vazio nem cabe acompanhá-lo de outra palavra, a não ser: Vazio.
- Eco? Eco! Que vômito!
- Fede néh? Mas antes cheirava. Era doce. Sabe pirulito, algodão doce, essas coisas? Mas tem que ser colorido pra ser mais cheiroso.
- Sei. Pelo que eu vejo agora é de duvidar. Cuidado! se não você cai! Agora cheira é lágrima com vômito. Só o cheiro que eu sinto, dái acredito. O tal do vazio? Vejo não. Não tô aí dentro! Aliás, quem é você mesmo?
- É cheiro de amor. Parece o nome daquela banda neh? Sei quem eu sou não, oras! -
Sabe sim. Espia mais de perto. Bem aqui, óh!
- Quero olhar não moço! Tá de tarde. Tá salgado. E eu gosto de .... AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
- Viu?
- Vi?
- Quem é essa?
- Eu.
- E quem é "eu"?
- Não sei!
- Mas você já foi você antes?
- Já! Tenho até história, e passado! Mas passado chama passado porque passou. Eu passei. daí o hoje é presente. E Me ganhei de presente no presente. Mas, ôxi. É diferente demais do passado. Ainda nem abri a caixa. E agora mesmo ele já vai virando o que passou. E eu ainda nem abri a caixa. Preciso de uma casa e de um roteiro pra isso.
- Cê vai cair filha! Roteiro? Você sabe onde quer chegar?
- Mas que porra! ( desculpe-me os modos) Mas eu já tô caindo, não vê? Já pulei faz tempo! E isso aqui não acaba. Ainda bem, porque a gente esbarra numas coisas, rala ali e acolá, mas a vista é tão bonita que dá gosto. A gente voa?
- Você quer voltar a ser o ser de antes?
- Eu disse isso?Éh, tenho mesmo de tratar a memória. Nunca quis tanto não querer isso. Quero não. Quero esse presente aí mesmo. Quem sabe tem futuro junto dele?
- Então o que você quer afinal?
- E eu sei? Tô sem fé. Como examinar isso tudo se não acredito em nada?
- Nem nos olhos?
- Muito menos. São os que mais se enganam. Já me chamaram ponto de luz, áurea forte, coelho... - Coelho... Te lembra essa história de vocês e do que ela te mostrou!
- Neh. Moço?
- pois não?
- tem como você trocar meu "eu", por outro eu? Tava querendo um com o coração novinho, que não tema pisar em montanhas russas, e que não tema a segurança dos cintos de segurança das montanhas russas e que nas viradas ponta-cabeça e nas descidas não deixe o chocolate cair... sabe?
- Ih mas tem não! Nesno você achando que não abriu a caixa, ela já lhe pertence. Você pode transformar seu eu (mágico) num eu que você queira se tornar. Agora aguente pois só há você aí dentro! Não esqueça de reconhecer os outros sozinhos que lhe trazem a paz e as flores necessárias para lhe ajudar a não vomitar quando seu eu estiver te enjoando. Quando você estiver cansado de ser você, pense bem... Até que você parece um coelho!
- Éh, e a imagem dos olhos vermelhos é sempre a última coisa que fica.
domingo, 16 de maio de 2010
Desse jeito eu gosto de contar.
domingo, 9 de maio de 2010
Às fotografias que não estão mais no meu mural.

Pessoas são como estrelas. Existem as galáxias que se encontram. Quando as galáxias se encontram, as estrelas se encaixam, como se se fundissem... mas na verdade cada uma continua a ser como sempre fora antes: uma estrela que apesar do encontro com outra estrela, no fim só ela que sobra, só ela continua consigo mesma. Mas isso é para quem olha de fora, porque para as estrelas que vivem a completude, pensam sempre que a fusão realmente aconteceu. As estrelas acreditam na eternidade, e dentro do grande laço onde estão juntas, nada parece nunca passar. O final que é uma ilusão, e não o presente. Mas o que será que determina esse quando, esse onde, esse qual de se encontrar, de se mostrar no outro, de se sentir à vontade na presença de alguém diferente? Tem gente que diz que é destino. Não sei. Acho que a fase de cada estrela esculpe um tipo de peça, e aí a estrela vai viajando, além e além até encontrar uma peça esculpida que se coloque muito bem na sua forma. E daí o encaixe, como imã ou algo assim. Essa atração, esse pertencer. Não deixa de ser um destino. Um fruto da aleatoriedade. E as estrelas que se tocam não enxergam nada além. É como se o universo fosse uma bolha protegida, e dái as estrelas se amam como se não houvesse perigo e nem medo. Mas o encontro não foi coisa de destino? Pois é. Assim também ocorre o desencaixar. Eu não sei porque. É tudo tão mistério. Mas parece que a gente é moldado de novo, e dessa vez nossa peça não encaixa na estrelinha de antes. Nem por isso a gente deixa de ser estrela, mas é que a gente vai ficando maior ou menor demais pra caber na galáxia de outro alguém. O que passa a desencaixar são os caminhos que mudamos. É que mudamos para caminhos diferentes. Cada vez que uma estrela apaga, deixa um buraquinho no céu. Daí talvez a gente encontre a estrelinha dona do buraco por aí e tente encaixá-la de novo no seu devido lugar, mas a borda do céu não abriga perfeitamente mais a peça. Roçá-la no desencaixe, permanecer na tentativa, ranca tinta do céu. Céu é meu coração. Um coração descascado, sabe como é. Essa coisa de machucado e cicatriz. Uma vez eu vi uma estrela morrendo. Ela foi mudando de cor, foi magnífico. Era uma estrela multicolorida, que se não fosse pelo apagão repentino após o espetáculo eu jamais iria chamar aquilo de morte. Porque a beleza era gigante! Dessas de deixar a gente boquiaberta. Tenho certeza que nem toda estrela que morre, que parte deixa uma despedida bonita. Lamentei depois de vê-la morrer, por não mais poder vê-la tão bela. Mas sabe que eu não fiquei decepcionada? Porque essa foi uma estrela que chegou com beleza e morreu com beleza, sutileza, cheia de amor. E amor por mais que vá para outra galáxia sempre deixa o gostoso na boca. Eu também já fui estrela. Agora escrevo isso aqui para outras estrelas, que colocaram anéis nos meus dedos e éramos tão amigas que parecíamos irmãs. Insitir no brilho que se foi, só pela saudade tem sido um erro, porque aí eu deixo de ver toda maravilha de brilho das estrelas que tentam se encaixar em mim agora. A dor de uma estrela chamada amizade deixa na gente o pavor do toque, de ser tocada novamente, do abraço espontâneo. Mas as estrelas elas são assim, dão tchau e quando não morrem belas e roxa e rosa e amarela e azul...Desabotoam-se. E vão ficando longe, longe, longe....
terça-feira, 27 de abril de 2010
Ao preconceito, a música.

Then we'll fly...
Se matar adiantasse. Se o assassinato fosse o remédio para a falta de valores, virtudes e caráter humano... Se todos os problemas da lastimável condição de nossa sociedade fossem questão de tiro, pena de morte e ponto final... Quem sabe Hitler não estivesse tão errado assim, não é mesmo? Agora não me venha com essa hipocrisia de um rosto assustado nas aulas de história ou nos filmes, depois de saber dessa coisa toda de judeus e holocausto e guerra... Falsas penas não refazem a história, o que você faz da sua vida é que constrói uma história diferente. Já começou a desenhar seu bidoginho tirano? Engraçado é a falsa-cristandade e ética que te esconde. Já viu que sua primeira alternativa de salvação à humanidade é tirar a vida de quem tantas vezes chegou muito mais perto que você do que chama-se amor, caráter e verdade? Se você soubesse da dor que suas palavras, seus olhares, seus gestos e suas leis causam em mim, em minha família, nos meus amigos... Se você soubesse que você roubou toda minha alegria com seu ar pesado... e agora, quem é mesmo o criminoso? Há tanta mancha nessa sua túnica de moralidade intacta... vim aqui falar que você tirou minha vida, e assim arrancou a graça da vida dos meus queridos também. Isso é assassinato. E que crime mesmo cometi? Fico imaginando quantas penas de morte seriam justas para punir todos os sonhos que você despedaçou ou todas as vezes que você me deixou apavorado de tanto medo ou por todas as vezes que você me roubou o direito de ver a luz do sol num belo passeio por essa pátria que também é minha, sabia? As lágrimas? Elas secam com o tempo, você acabou endurecendo minha fé. Meu olhar é de uma tristeza tão profunda... Vim também agradecer a Deus pelos risos que dou quando você não está presente, que são muito mais livres, muito mais de coração do que os risos que você solta quando faz de mim uma piada. Vai virando... vai virando esse canhão, esse cano de révolver que o teu alvo está errado. Mira primeiro ali, na criatura que você vê no espelho.
P.S.: Esse texto é dedicado á África. Na verdade aos homossexuais que sofrem com o preconceito e a possibilidade de serem caçados, isolados e mortos a cada nascer do sol devido às leis de seus países. Esse é um apelo aos direitos humanos, um desejo imenso de vida... e que lutemos todos pelos respeito ao outro porque a África, meus irmãos, também é Brasil.
Paz e flores.






