quarta-feira, 28 de novembro de 2012

terça-feira, 27 de novembro de 2012



Tem gente que tem tanta facilidade em deletar. Mesmo sabendo que literalmente não deve ser fácil (não pode ser), admiro quem tem a coragem de apertar a tecla e apagar tudo. Embora tudo o que vem depois deva ser uma tarefa árdua, apertar a tecla é um salto enorme. Não consigo. Sempre tive certa facilidade em apagar as coisas ruins. Às vezes ainda deleto pequenos detalhes que para outra pessoa poderia ser importante. Mas as coisas boas, sinto falta de todas. Não consigo nem com reza brava. E olha que fervor! O inconsciente empurra tudo aquilo que queremos esquecer. É um vômito pela contramão. Só que pelos olhos. (Bem nojento mesmo!) A teimosia da alma humana me irrita escancarando que nem tudo que queremos podemos, é a graça da vida, que morre de rir da gente afinal. Pense que agora você é a tecla delete, e alguém te toca e todos seus poros vão se derretendo em pequenas partículas. Quem te apagou foi alguém que você muito quis bem. Dói tanto, demais. Agora pense que a vida empurrou seu dedinho na tecla delete. De repente as coisas e as pessoas que você tanto quer bem vão desaparecendo. É uma surra e tanto. Começar a dizer adeus a quem você ama é uma dor assustadoramente imensa e inexplicável. É estranho que ,de repente, seus queridos não estejam mais na mesma Terra que você. E falo de morte e vida. Me gela os ossos ver meus avós ficarem velhinhos e caminharem de alguma forma para uma direção oposta à minha que na verdade também será o meu fim. Mas eu não posso parar. Eu não posso pará-los. Não consigo entender que meus amigos tenham se espalhado, sumido por aí ou que eu tenha sumido de todos eles, afinal deletar está presente em todas as histórias. A vida se encarrega, mas acho que a culpa no final é mesmo nossa. Que envelhecemos e passamos a parar de lutar pelas coisas em cima de um muro mofado. E é tão difícil encontrar pessoas boas. Quer dizer, e é tão difícil deixar que alguém novo penetre sua alma. Não fazer novos amigos, não se permitir. Para mim é dificílimo. Não sei pra você. Qual a espessura dessa sua casa e desconfiança? A melhor possibilidade sempre foi convivermos todos em paz. Se é a melhor, não entendo porque não fazemos. Não vivemos. E de repente se está sentado no sofá, comendo doce de abóbora, vendo um jogo do Cruzeiro, e alguém conta uma piada quando começa a chover. Lá vem a dor. Cruel. A saudade insaciável enfraquece as pernas e não se esvai. Não podemos esquecer que nossa condenação por condição, ou não, é viver de saudade. Morrer cada dia. E sim, já pensei que tenho uma só vida.

domingo, 25 de novembro de 2012

Infinita.


Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra do sorriso que eu deixei...


Domingo de um horizonte trêmulo.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


Esses dias eu falava sobre placas. Sempre fui fã de fotografar todas. Placas são pontas de imaginação que podem me lembrar coisas, não deixar que eu me perca ou me levar para algum caminho. Também são capazes de me matar de raiva quando são escritas erradas. Nesse dia que eu falava sobre placas, a atividade impressa no livro dos meus pequeninos propunha a criação de justamente: um placa. Adorei. Meus neurônios deram cambalhotas. Placas abrem portas e a nossa destrancou tudo aquilo que não se pode falar dentro da casa de um burguês. Em meio as cores, as mão dadas, o amor estava tão presente que só vinha confirmar o que eu já sabia tinha tempo. Naquele momento não deveríamos estar em outro lugar. As mãos tão claras e tão verdadeiras só podiam ser de crianças. Decidimos saudar quem adentrasse nosso canto com toda a alegria de ser bem-vindo. A placa ficou bela.

Mas há os ossos do ofício. E hoje falei de placas novamente. Acho que o foda não é pendurar na porta do quarto : Don't disturb me! Porque quem perturba vem sem avisar e quem vem sem avisar às vezes traz belas flores e muita paz. O foda é colocar na porta do quarto: Don't disappoint me! Aí sim é ser rebelde, porque a decepção vem todos os dias bater a nossa porta. Daí nada-se contra a correnteza. Não falo de falsas expectativas ou projeções, falo de pessoas com a alma peqquena mesmo, aquelas que são capazes de decepcionar pela falta de um bom dia ou por uma cara mais amarrada do mundo. Decepção dói para caralho. E dói cada dia mais, deixando um buraco. Dizem os otimistas que junto com ela vem a coisa boa que é crescer. Sei lá, meu estômago dói muito.

Agora mesmo já me lembrei de outras placas. As da estrada. Que poderiam me levar muito bem para longe daqui. Encantando meus olhos com paz e com flores.

?

" ... Eu me sentia da mesma forma. Talvez nunca tivesse sido amor o que havia entre nós, mas o sentimento estava lá, forte, sincero e especial. Ali dissera que não ficaríamos juntos para sempre. No caso de Terese, bem, provavelmente não ficaríamos juntos todos os dias, mas havia algo que nos unia, algo difícil de definir, um sentimento que podíamos deixar na gaveta durante anos sem nunca duvidar de que ele continuaria lá. Talvez as coisas devessem ser mesmo assim. "

Harlan Coben - Quando ela se foi.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012



Houve um tempo em que tudo girava ao meu redor
Dos meus desejos e vontades
E todo mundo ria de tudo que eu dizia
E eu dizia um monte de bobagens
Eu achava que tinha de tudo para sempre
Que eu tinha amigos de verdade
Mas a verdade sempre vem bater à porta
A gente tenha ou não vontade
Já tive carro e grana
E um monte de convites pra qualquer lugar
Hoje eu só ando a pé
Mas eu continuo a andar

E aquelas pessoas que andavam ao meu redor
Hoje escolheram uma menina
Que por enquanto acredita em tudo que eles dizem
É a mesma história toda vida
O que eu sei eu sei que ela só vai descobrir
Quando ela sair de moda
Um tropeço ensina mais do o sucesso
É tudo bem mais claro agora

quarta-feira, 11 de julho de 2012

As boas novas.


Estou a três dias de, quem sabe, conhecer sua mãe. Será que o bairro das laranjeiras irá sorrir satisfeito quando me ver? Acho que vou chorar quando ver o mar. Vou me lembrar de Camõs, das guerras e do seu samba. Tenho pensado no porquê de eu gostar de você e sei que é grave. A droga era teu defeito, sempre detestei. Ainda não consegui pensar do seu jeito para entender o vício. Acho que sua essência está na audácia, as vezes ofensiva que te acompanhava. Esta tua parte, que te permitia cavalgar os limites seria uma projeção do que sinto faltar em mim. Lembro de um depoimento da Bebel dizendo de um conselho seu. Queria ter esse dom de pronunciar palavras significativas. Mas eu não tenho argumento. Ando achando uma tristeza danada essa falta de amor que assisto diarimanete daqui de cima do muro. De vez em quando, penso gargalhar, não há coisa mais sem sentido que brigar. Parecem marionetes destrambelhadas a se arrepender do que já foi belo, a se esquecer do que um dia denominou por pura e espontânea vontade: Vida.  De cima do muro é impossível notar algum fluido. Mas quase sempre, ao destampar os ouvidos, os gritos são reais. A humanidade agoniza, longe ou perto de mim. O que se pode fazer com um bando de informações? Nada. Informação não é conhecimento. Não há contra-argumento para a ignorância. Os ferimentos em hemorragia, ocorrem a todo instante. Neste surto coletivo os sorrisos desabrocham, murcham e despetalam-se no inverno infinito da alma. São diversos os tipos de calamidades, brandas ou fortíssimas, todas me assustam. Onde chega os demônios que moram em cada um de nós? Tenho a impressão que essa frieza tende a ser glacial. É um pesadelo ver o vilão acontecendo, dois amigos se destruindo, pais violentando suas crias. Sei que é sujo, sei que é estúpido, e sei que é imensamente triste. Mas não sei explicar. Problema. Acho que hoje, o sentido da vida é, mais do que nunca para raros, continuarem a fazer amor. Fazer amor o tempo todo. Bem além do corpo dos hippies, fazer amor com a alma em todo lugar. Poucos entendem. Afinal de contas, não enlouquecer com tanta falta e ausência é uma trabalheira.

Atenciosamente,

T.L.S.L.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

sábado, 31 de março de 2012

E eu seria o instrumento de todos os outros instrumentos.



"Life is sad Life is a bust All ya can do is do what you must. You do what you must do and ya do it well, I'll do it for you." Dylan 
Tenho observado, numa visão exterior, essa montanha-russa que é a vida. A vida flui a numerosos quilômetros por hora, e percebo que realmente após grandes picos, altos topos, vem uma queda abismal, uma queda que arrepia os cabelos, flutua sua vísceras no ventre, numa sensação de quase morte com vontade absurda de morrer. Acho que nesse momento, sem enxergar um outro possível fim, desaparecer é a única solução aos olhos. Mas após os abismos, talvez venha outro topo, e repentinamente está-se de pé novamente e é inacreditável a força de superação que tem o homem. Certa vez eu li que o perigo em machucar um sobrevivente é que ele sabe que pode sobreviver. Entretanto, talvez venha um looping, enorme ou não, sempre servem para te virar de cabeça para baixo, e não há nada mais desesperador para mim que estar de cabeça para baixo. O mundo te pressiona e seus miolos te tiram o sono, estouram sua cabeça. Porque o looping são os olhos fechados de tudo que a gente desconhece. Nunca se sabe  se depois de um looping, subiremos de novo ou nos colocaremos em queda livre. Ultimamente tenho assistindo alguns queridos desmoronarem, pessoas que eu nunca imaginei que enfraqueceriam as pernas. Mas olha eu aqui, que já passei por tudo isso e hoje corro com pernas até fortes. Sempre fui aquela pessoa que nunca soube o que dizer, o silêncio sempre foi minha reação natural, até porque, em situações de tristeza, acho que me ouvir falando soa como um livro de auto-ajuda, o que me enoja. Mas um mistério permanece bem grande, que é o porquê de os destinos se cruzarem tão absurdamente. Sempre atribuí aos meus encontros e desencontros uma missão determinada pela vida. SInto uma espécie de amor, que atravessa o universo, e faz dos homens uma espécie de anjo. Tenho certeza que este é um motivo que permanecerá desconhecido. Mas tenho certeza que se aprendêssemos a ver, mais missões teriam êxito, e talvez fosse a solução simples para esse tipo de caos do século XXI. E já que estamos todos aqui, seria menos assustador se ao lado, no nosso carrinho de montanha-russa, alguém segurasse nossa mão.

domingo, 25 de março de 2012

" A futilidade encarrega-se de maestrá-los."


Ora amigo, não são os encantamentos que tem me inspirado, mas a revolta. Quando ouvi a expressão TROTE SOLIDÁRIO, logo meus olhos brilharam, pensei ainda haver esperança. Mas seguido o desfecho, os olhos retornaram à opacidade de antes. O cenário foi uma sala de aula, em uma universidade. Vejam só que o curso é pedagogia, responsável pela formação de professores de vários futuros. E eis que a senhora, professora dos professores adentrou a sala e contraditoriamente apontou como razão para participação em tal trote: atestado para faltar ao trabalho, ou um lanche no final da sessão de doação de sangue. Citando e concordando com Nietzsche, não há são verdadeiramente filantrópica, sendo que na prática a filantropia consiste em uma forma de busca de recompensas egoístas. Nietzsche fala isso assistindo a promessa de leveza espiritual procurada por quem pratica a caridade. Me pergunto então se meu filósofo não ficaria pasmo ao se deparar com o tipo de recompensa que o homem do século XXI busca agora em troca da filantropia. O fato é que atestado, lanche ou dinheiro em espécie, trata-se de matéria. Entretanto, se compramos e vendemos tudo, porque não a solidariedade? Em um mundo no qual o materialismo latente cresce, espande, atinge todos os campos e sentidos da existência e convivência humana, mencionar a espiritualidade e seus frutos, tal como a paz de consciência, seria ridículo, não é? Se não houver matéria, lucro, não há compensação que movimente grande parte da humanidade. E tal cultura materialista é divulgada, repassada de pessoa para pessoa, geração para geração. E dessa vez foi em uma sala de aula. E infelizmente eu, que estava na posição de aluna, tive de ouvir tamanha...  asneira. Tudo o que eu quis foi voltar a fita, chacoalhar aquela mulher e alertá-la que aquela era uma sala para formação de futuros professores, que lá dentro deveria ser um espaço diferente, utilizado para cultivo de verdadeiras virtudes e ética, e que, como brasileiros que somos, sofríamos de falta de filtro e alienação, e logo aquela baboseira toda estaria nos ouvidos de diversos alunos desses mesmos professores. Infelizmente, para que uma revolução aconteça é preciso mais que uma voz, e para minha felicidade alguns risos de deboche me faziam companhia. Também deve-se primeiro integrar-se à sujeira, para depois modificar as coisas. Todo gigante tem seu ponto fraco.

terça-feira, 13 de março de 2012

Ouça.


Even brighting than the moon.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Queria ser um pato.


No aguardo inútil


 
 
Acho ruim e feio cobrar, pedir, chamar a atenção. Certas coisas não tinham que ser ditas, eram para ser percebidas. E, me desculpe, isso nada tem a ver com expectativas. Isso tem a ver com enxergar o outro.
 
Clarissa Corrêa

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
Manoel de Barros

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

De quando a gente descobre o que não quer ser.

Os corpos vagavam naquele lugar. Logo percebi que eram apenas corpos, todos vítimas, de uma dor dilacedora assim como eu. Me identifiquei, me juntei. Aonde é que a alma se esconde nessas horas? No fundo, bem no fundo... Quase ninguém pode chegar e a gente não quer nem ver. A alma abandona o corpo e só ela que sofre, o corpo nada mais é que um simples objeto, a casca mais espessa que nos faz permanecer como zumbis. Passei a ser só copro, flutuando pesadamente. Mal podia conter minhas pernas. O corpo se controla sozinho, rumo à auto-flagelação. Acordei sobre meu próprio vômito. Daí a alma ficou triste, sangrou, hemorragicamente falando. E o corpo já não respondia. Não dormia, não comia, não sentia frio. A água tava gelada e a pele nem aí. A alma também ficou revolta, gelada, nem aí, afundada na sua própria dor já não se importava com nenhuma coisa além de si. O corpo agora era sujo, um lixo. A existência me doía, a imagem no espelho ficou difusa, a ressaca dura além do dia seguinte. Às vezes é preciso - na verdade não é preciso porcaria nenhuma, pois a dor jamais cicatriza e o tempo não volta, a vida ainda segue e te arrasta com ela - trilhar o caminho dos erros para se inventar o próprio pecado.  Traí então todas as minhas orações de todos os dias de manhã, destruí minha vida, e as de outras pessoas. Faltava tanta alma. Achava que aqueles corpos de cenário eram uma exceção num mundo que ainda era bom. Na verdade percebi que já haviam centenas de músicas que cantavam aquela paisagem, que traziam a tendência da auto-destruição. A marcha caminha para a extrema superficialidade, para a ausência de alma e de bondade. Todos éramos regras nesse mundo corroído pela dor de uma existência vazia, material. Eu que sempre acreditei que o mal e o bem habitam igualmente em cada um de nós, era só escolher, bebia agora de um arrependimento dantesco. O mundo carece urgentemente de pessoas de alma grande, que ainda acreditem em milagres e em amor. Ao contrário disso essa existência vazia e confusa não teria justificativas. Seríamos como zumbis a caminhar desordenadamente por uma natureza destruída por nós. É certo que eu nunca soube o que fazer da vida, mas isso eu não quero ser. "Vou subir o morro, enquanto ainda tenho pernas."

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eet, it, shit.


It's like forgetting the words to your favorite song.
You can't believe it; you were always singing along.
It was so easy and the words so sweet.
You can't remember; you try to feel the beat.

ou spend half of your life trying to fall behind.
You're using your headphones to drown out your mind.
It was so easy and the words so sweet.
You can't remember; you try to move your feet.



EET.

=(

domingo, 2 de outubro de 2011

Uau!

Lágrima:
sf 1. saudade na forma líquida; 2. mistura de água do mar com alma moída; 3. secreção aquosa expelida através dos canais lacrimais quando se espreme o coração; 4. felicidade que escorre pela face; 5. estrela cadente que despenca do céu dos olhos de quem ama; 6. motivo da existência de lenços brancos; 7. resultado da fusão de sentimentos contraditórios quando submetidos a altas temperaturas; 8. nome comumente dado ao fim de um romance; 9. momento que antecede o adeus; 10. pedaço de ontem; 11. antônimo de desprezo; 12. matéria-prima das jujubas; 13. grande inspiração dos poetas; 14. fado de Amélia Rodrigues; 15. na Europa, folha que cai da árvore quando chega o outono; 16. na infância, associada ao berro, alarme de fome; 17. na velhice, fome de colo; 18. névoa úmida que cobre o mundo quando chove dentro da gente. (Ex.: “Não, isso não é lágrima, não. É que a felicidade virou mar dentro de mim e a maré acabou de subir”.)

André Gonçalves

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


As melhores coisas da vida são invisíveis. É por isso que nós fechamos nossos olhos quando nos beijamos, dormimos e sonhamos.

Cazuza

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Minhas bodas de algodão.



Tempo é ternura. Perder tempo é a maior demonstração de afeto. A maior gentileza.(...) O tempo sempre foi algoz dos relacionamentos. Convencionou-se explicar que a paixão é biológica, dura apenas dois anos e o resto da convivência é comodismo. Não é verdade, amor não é intensidade que se extravia na duração.Somente descobriremos a intensidade se permitirmos durar. Se existe disponibilidade para errar e repetir. Quem repete o erro logo se apaixonará pelo defeito mais do que pelo acerto e buscará acertar o erro mais do que confirmar o acerto. Pois errar duas vezes é talento, acertar uma vez é sorte. Acima da obsessão de controlar a rotina e os próximos passos, improvisar para permanecer ao lado da esposa. Interromper o que precisamos para despertar novas necessidades.Intensidade é paciência, é capricho, é não abandonar algo porque não funcionou. É começar a cuidar justamente porque não funcionou. Casais há mais de três décadas juntos perderam tempo. Criaram mais chances do que os demais. Superaram preconceitos. Perdoaram medos. Dobraram o orgulho ao longo das brigas. Dormiram antes de tomar uma decisão.Cederam o que tinham de mais precioso: a chance de outras vidas. Dar uma vida a alguém será sempre maior do que qualquer vida imaginada.


Fabrício Carpinejar

quinta-feira, 15 de setembro de 2011


- Deixa chover, deixa.

A água lágrima divina vai purificar.
Semente que cair na terra já pode brotar.



... Lembro a flor esqueço o espinho...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Osciloscópio.


Que eu busque sempre a simplicidade.

Confundi facilidade com simplicidade. Facilidade tem a ver com o caminho, amplo e sem obstáculos. Simplicidade tem a ver com a alma que se conduz por qualquer caminho. Na labuta ou no descanso, o simples sabe se portar sem perder sua essência. Facilidade é promessa, futuro vazio, estátua de sal. Simplicidade salta, rasteja se for preciso, mas não desmancha. O perigo sempre foi embaralhar uma com a outra. E já é tão difícil, neh? Tenho a leve impressão que ser simples nunca foi fácil, assim como amar e permanecer apesar de todas as coisas que tentam te fazer parar. Algo me diz que ser fácil, nunca foi ser feliz. Ser fácil, é fácil e só. É como cair no vácuo.

Como eu descobri que eu te amo? Vinha do seu cheiro queimando minhas fornalhas. Passou por meu coração e entrou nos teus ouvidos. O carinho fuxicou e o escuro espalhou magia. Eu te amei na sua presença e não precisa mais nada que a eternidade de dois corpos deitados, juntos, transpirando o calor que a vida do outro emana. Mas veio também a sua ausência. Enquanto estive sozinha, slides de milhares de fotografias que tirei bem de perto, polaroide. Projeções escuras de um lugar sem você e sem os seus. Veio da dor de derreter do que se provou milagre, do que nós fizemos milagre. Com você, aprendi a não desistir. Eu quero permanecer e te guiar para casa. Vou ser tua casa, você já mora em mim. Amor é sempre, sublime, subliminar.

- O caminho mais fácil, nem sempre é o melhor que o da dor.

Olá, Setembro!


Que você seja bem-vindo e supere as dificuldades de seu antepassado, Agosto.
Gosto de você porque você tem feriado, geralmente chove e as flores... Ah!
As flores colorem esse cerradão da gente.
Passei Agosto rastejando, o corpo todo coberto de pó e os pulmões secos.
Agora quero ficar verde, correr na chuva e dar muitos frutos.
Senhor, hoje eu tenho uma prece: que o azedo desse mundo não destrua o que sobrou de doce em mim.
E que as promessas de vida se cumpram.
Amém.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Cheiromorfismo


Sentimento é que nem planta xerófita. Eis que nasce, do nada, num deserto. Acha o chão que combina e pronto. E se a gente não rega, ele permanece. E se a gente ignora, ele cresce. E se a gente tenta sufocar, ele cresce e quem sufoca somos nós . Cresce cada dia mais, no esconderijo. Dá flores, frutos e espinhos e nos deleitamos em cada um deles. Seus ramos vão rompendo barreiras, quebrando as barreiras, demolindo as barreiras. Nada de não. Nada os interrompe, nem caatinga, nem rotina, nem sertão. Até que não possamos mais ignorá-los, afinal, existem cactos de quase vinte metros de altura. E isso porque eles nascem no descaso total da natureza, na tentativa de homicídio constante. Estão lá, bem no fundo de nosso estômago, na eminência de nos fazer perder o controle de vez. Cactos deveriam se chamar teimosia, mas de tão teimosos que são, teimam em se chamar amor.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"Vida fácil, fácil, fácil."


Acho que tenho retribuído a vida com muita raiva, nem vou me aprofundar se não me afogo em pessimismos. Enfim ela me deu em troca: uns dias de molho, devo continuar a trabalhar porém nas horas de folga, alço voo. Meu corpo tá arrebentado esses dias, nem agulhas chegam à minha dor. O que era de dentro foi pra fora e como dói, carah. Enfim, tenho tido tempo pra pensar. Hoje vim pra agradecer a oportunidade daquela rotina gostosa que a gente vive quando é criança, e principalmente os rituais, que faziam crer e esperar que todo dia fosse Natal. Valeu pela oportunidade,vida.

Outra coisa, qualquer dia desses você podia me devolver o Cazuza. Ou me emprestar ele.

Tô tentando fazer o que eu posso com o que você fez de mim, mas tá difícil.

sábado, 13 de agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Seta.

Segredos de liquidificador. Minha cabeça liquidifica, mistura. Quem sou eu? O estômago embrulha. Castrar deve ser o rumo da redenção. Pós-vida, porque nessa vida não há. Sem jeito, a gente morre todo dia aqui. O que a vida quer de mim? Outra parte pior também é enterrar os medos. Vamos nos segurar, porque o horóscopo previu impulsão. Não se pode ter impulsos quando se é um adulto. Mais um comum, me tornei. Isso. Não aquilo, não imaginava um monte de coisa na minha vida e aconteceu. Trem sem freios, mas no trilho. Que é pra ser. A vida é triste meu amigo, e a gente se sufoca a cada dia. No fim, a pele nem é lisa mais. Só as asperezas das cicatrizes. Uma merda só, danada. Será que sua vida, leitor é tão ruim? Será que é só comigo. Deve ser carma. E nas minhas mãos a destruição, a capacidade de bagunçar tudo. E carregar uma culpa enorme. Aquela gente livre, ficou na lembrança. Agora dei meus pulsos, por isso me atei. O jeito é ficar quieta. Não se pode machucar assim os outros. A prece que fica, é que meu passado seja feliz, muito feliz. Quem sabe assim, poderei ressurgir. Quem sabe a vida, depois dessa, sei lá aonde, seja bonita. Os cheiros corroem minhas confusões. Me afasto de meu Cazuza, cada vez mais. Espero que ele esteja num lugar bom, na eternidade e que me conheça quando eu chegar lá. Nesse mistério, eu não vali a pena. Nem valho.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um mês sem feriados.

Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro- e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco.É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante:ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir,dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus,
fica a suspeita de sinistros angúrios , premonições.Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem:qualquer problema , real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos- ou precauções-úteis a todos. O mais difícil:evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade...Esquecê-lo tão
completamente quanto possível(santo ZAP!):FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o
seu dentista. emoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros,
juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire , a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas- coisas assim são eficientíssimas, pouco me
importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente nãose deter de mais no tema. Mudar de assunto,digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco: .


Caio Fernando Abreu

"- que todo grande amor, só é bem grande se for triste..."

Suspicious Minds
Elvis Presley

We're caught in a trap
I can't walk out
Because I love you too much baby

Why can't you see
What you're doing to me
When you don't believe a word I say?

We can't go on together
With suspicious minds
And we can't build our dreams
On suspicious minds

So, if an old friend I know
Drops by to say hello
Would I still see suspicion in your eyes?

Here we go again
Asking where I've been
You can't see these tears are real
I'm crying

We can't go on together
With suspicious minds
And we can't build our dreams
On suspicious minds

Oh let our love survive
Or dry the tears from your eyes
Let's not let a good thing die

When honey, you know
I've never lied to you
Mmm yeah, yeah

domingo, 24 de julho de 2011

Vem aí Joana D'arc, agora sem mim.



Minha cidade é do tipo tradicionalista, com opções restritas e hábitos sociais concretos. Nesse contexto, viveu por anos um "bar-casa-de-show", ponto de encontro durante muito tempo na noite anapolina. Deixo bem claro que este não é um hino de exaltação à Anápolis, nem gosto de viver aqui e pretendo sair logo. Ontem, depois de muito tempo sem sair anoite, fui com meus amigos nesse local e chegando lá tive uma surpresa: era a noite "saideira", o bar fecha definitivamente suas portas. Meus pés saíram do chão, voltei minha história há alguns anos atrás, fui sepultando minhas memórias, estraçalhando cada pedaço, cheia de dor. Minha adolescência escreveu um romance longo, conturbado e emocionante naquele chão. E eu estava ali e vivi cada momento mágico, e agora só posso contar tudo depois. Lá vivi reencontros inesperados, chorei amores, senti frio de tanta saudade, vi decepções com meus próprios olhos, conheci um príncipe encantado... sempre muito bem acompanhada pelos melhores amigos que alguém poderia ter. Fiquei de ressaca no dia seguinte. Não é apego material, aliás, é apego ao abstrato, àquilo que eu não posso mais tocar, àquilo que hoje é só lembrança, por isso é tão difícil dizer "tchau". Senti-me chorosa como se alguém destruísse meu museu pessoal. Olhei o teto, nem quis mais dançar, quis tragar meus últimos minutos de uma bela história. Quis respirar cada gota de suor que eu e meus amigos derramamos ali, quis absorver cada detalhe nas paredes, nos quadros, nos lustres, na falta de luz... As coisas da vida vão mudando, vão ficando mais tristes. As pessoas mudaram, eu mudei, fiquei distante, de olhos afundados. Lamento muito, pois é mais uma coisa da qual sentirei saudades. Completei 20 anos o último dia 17, fase adulta selada e hora de dizer adeus à juventude. Minha história confundiu-se com a história daquela construção. A noite estava gelada, quis ir embora. Talvez, quis partir para não derramar ali mesmo as lágrimas da despedida. Tocava "Suspicious Mind", do Elvis. Eu adorava aquela música.