Minha vó acredita na cura pelo amor. É curioso como tal método antiquado contraria as expectativas. Se a cura dependesse de mim, eu optaria pelo caminho mais racional, palpável. O choque da força dura sempre foi a escolha da maioria das partes. Mas ela permaneceu firme, forte, em sua baixa estatura que guarda um coração gigante. E nesses cinco dias ela triunfou. Foi maravilhoso assistir seus olhos brilhantes e suas palavras doces avaliarem o resultado. Minha avó me faz lembrar aquele líder que um dia eu quis tanto tomar como exemplo, o Gandhi. Apesar de todo sofrimento e sacrifício, que se faz necessário, e ela sabe, jamais abandonou suas crenças. E enquanto o mundo todo grita violência, pessoas de paz silenciam. Ao espiar-se talvez cheguemos à conclusão falsa de que nada fazem, quando na verdade é o amor o grande condutor à liberdade. Pode ser que a cura não seja eterna, mas porque você se tornaria humano, senão pela paz de alguns segundos de ternura plena? A violência de uma dor duradoura talvez seja nada comparada à breve paz dos momentos em que o amor toma a direção da nossa cura. No meio de tanto barulho, eu fecho meus olhos e tento escutar quais são os corações que batem junto ao meu. Esse silêncio cala meu medo. Eu ainda não sei o que farei com aquela parte que tiraram uma das coisas que eu mais gostava de fazer na vida. Não posso correr, mas posso nadar. Infelizmente ainda é cedo. E ainda precisarei e muito desses corações - confesso que alguns me surpreenderam- e de seus ombros para que me façam enxergar melhor.
sábado, 31 de agosto de 2013
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Eu mereço mais que um beliscão na verdade! Eu não fui, eu não vou, e eu não fiquei. Esta tem sido quase que a totalidade da minha rotina. Eu não sei explicar o porquê o tempo me escapa. Não é o tempo e nem a vida que me controla. Logo eu que era tão romântica, que me deixava agir pelo impulso de qualquer paixão. Logo eu que compunha canções à liberdade, estou aqui, marionete do capitalismo. E isso não me agrada nada. Porque o tempo que me tem faltado me impede de estar com meus amigos ou de amar. Me impede de correr, de dormir cedo e na maioria das vezes, não sou eu mesma. Engraçado que semana passada falávamos sobre abraçar o mundo com as pernas. E é exatamente isso que eu faço com cada dia da minha vida, mas além de abraçar o mundo com as pernas, eu meto os pés pelas mãos. Assumi responsabilidades demais, e quase sempre me vejo apenas como a mesma menina. O mundo vai acontecendo, e eu vou me assustando porque em apenas um momento eu faço parte desse mundo, da grande massa. Minha grande frustração é ter que admitir que eu não sou mais senhora do meu destino. Tem tanta coisa fora do lugar, eu estou tão perdida! Queria deitar no colo de Deus e descansar. Eu nunca fui de cumprir muitas promessas, mas agora eu não consigo cumprir uma sequer. E me vejo ficando sozinha, numa bolha gélida, automática e desumana. Qual será minha missão? Acontece que eu não estou dando conta. Hoje meu corpo todo dói como flores, pulsos, tudo cortado. E eu continuo viva. Não entendo porquê. Por que isso tudo se justifica? Hoje mesmo não me aguentei e chorei. Chorei pelo cansaço físico, pela morte diária, pela ingratidão terrestre. Choro pelas ironias que o destino nos prega. Por ter de viver 'da caridade de que me detesta'. Ou de depender do que eu detesto para ficar um pouco menos sozinha. Hoje são projeções de vozes e imagens que me seguram pelo triz de não enlouquecer. Agora me explica. Me explica tudo que eu não entendo. E mata a minha curiosidade de saber porquê um dia frio com cheiro de café e perfume, pode acabar assim, cheio de sangue? Vem falar que isso tudo é normal. Essa estranheza dá vontade de gritar, mas não sei se minha impotência, miudeza ou alma fantasma me permitiria tal alívio.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Target 2
Essa é a primeira vez que vou escrever sobra a viagem da África aqui. Sabe, antes de ir, eu esperava uma reação de comoção gerada pela pobreza do lugar. Acho que na verdade todos tem essa ideia. Acho que todos esperam que a pobreza te comova de alguma forma, te torne uma pessoa melhor de alguma forma, que você aprenda a valorizar o que faz parte da sua vida cotidiana. Falo de bem material. E assim eu fui. Ou melhor e assim eu sonhei que seria minha viagem. Só que até eu chegar lá o caminho foi tão doloroso que quando de fato cheguei, não senti o impacto. Tudo que poderia ser impactante, no final das contas tornou-se curiosidades que se toma conhecimento em uma viagem. Para partir foi necessário romper amarras que nem eu sabia ter. Para partir foi necessário que minha face fosse estapeada, milhões de vezes, para finalmente enxergar que não só o mundo era ingrato, mas também aqueles que estavam muito perto de mim. Tive de ser machucada e decepcionada. Tive que perder noites sem dormir. Tive que sobreviver à mortes diárias. Nos olhos dos meus eu via uma tristeza que parecia que eles estavam me vendo pela última vez. Tive de partir sem a benção. Eu achava que meu escudo era todo amor que havia à minha volta. E eu tive de ir sem escudo. Eu não sabia, mas Deus iria usar muitos anjos desconhecidos para me ajudar e em várias situações ele me carregaria pessoalmente em seu colo. Por isso, enquanto eu estava sozinha no avião em meio a uma tempestade ou a uma turbulência horrorosa, na verdade estava eu e Ele. Quando meus pés congelaram em Paris e eu achava que não podia mais andar, era eu e Ele. Ou até mesmo quando eu tinha de engolir algo que meu estômago se recusava a engolir, éramos Ele e eu. E principalmente quando eu tive sede, saudade ou insônia, ele me colocava de frente para mim mesma. O mais desafiador foi ter de deixar de lado minha dores para servir aos outros. Os outros também tinham dores profundas. Aprendi também que energia negativa pode ser poderosa, eu só não entendo porque tinha de vir de onde eu considerava minha segunda casa. E quando meu corpo ameaçava desabar... Eu cumpri a missão. Sobrevivi ao tempo. Deus não permitiu que eu ficasse doente. Voltei para casa e muitas pessoas me perguntam porque eu não falo sobre a África. Daí eu comento o básico, porque é isso o que eles querem: um guia turístico. Essa foi na verdade uma experiência infernal entre eu, minhas mais contraditórias emoções e Deus. E é nesses dias que percebo o quanto me modifiquei. Eles estavam festejando e eu não estava lá. Eu aprendi a amar não só o amor, mas também o ódio. A África me mudou profundamente. É impossível passar imune por um continente desta proporção. Meus olhos encontram-se bem abertos. E o que me mantém viva é saber que quando existe eu e um sorriso sincero, é na verdade eu e Deus.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Sinais de fogo queimam os dedos.
domingo, 21 de abril de 2013
À espera de um milagre.
Enquanto embarco no ônibus para a minha cidade favorita, penso: onde se escondem essas pessoas interessantes na minha cidade? Porque elas se escondem se deveriam estar nas ruas que é para tornar minha cidade um pouco melhor? Mas não, elas fogem como eu. Fogem de uma cidade que não faz questão de que você se sinta em casa e nem de acolher os filhos teus. Temo que minha cidade favorita esteja infestando-se de feiura também e isso seria uma dor gigante. Onde está o refúgio? Para onde os passarinhos voltam? Onde foi parar minha fé? Nesse escuro gelado sussurrado pelo vento sobre rodas, minha cabeça gira de felicidade por partir. No ônibus assisti a um rapaz que muito me lembrava o que eu era algum tempo atrás ou o que eu acreditava ser o exemplo de ser humano. Ele carregou a mala pesada da senhora pequena e cedeu lugar para uma outra velhinha. Ele vestia roupas de hippie. Olhei pra ele e fiquei triste pois só consegui pensar em ilusão e me perguntei o que ainda mantinha a fé daquele garoto tão viva. Fico me perguntando como me tornei isso e se algum dia essa caminhada para o me tornar mais um irá cessar-se.
Quase que eu eu.
As pessoas falam, falam e falam demais. O mais difícil é perceber quando falam com o coração. Tem chovido muito e assim como as águas, eu caio. Sei que chover é necessário e sempre amei tomar banho de chuva. Assim como as águas, caem perigosamente minhas verdades e minha fé. Sei que 'Deus está na chuva' e por isso ela traz vida. Mas enquanto cai, a chuva destrói, para depois restaurar com esperança. Apesar de amar os banhos de chuva, ainda não é hora, pois por enquanto... Caio.
Minha fé deu um nó (cego?)
terça-feira, 9 de abril de 2013
Hoje me senti vomitada pelo mundo. Tudo aconteceu de repente.De repente não porque foi do nada, visto que teve uma causa muito em definida e delineada. Foi de repente porque no meio do corredor eu pensei que hoje eu até que estava indo bem, já que eu estava até sorrindo mais e já tinha ganhado quatro abraços seguidos. A vida trágica e cômica me faz rir de tanta dor.E daí vem o de repente, quando você acha que está conseguindo respirar no meio da areia movediça e te estapeia diretamente na cara. Dias assim me dão vergonha de pertencer à raça humana. Na série que eu assisto o personagem principal adora falar que uma mudança de caminho mudou a vida dele toda. E é verdade. Às vezes o destino faz coisas que só vou entender mais tarde, e essa é uma delas. Hoje quero gritar porque a vida da gente se transforma em um furacão da noite pro dia. Nesses dias a culpa é toda minha e eu me envergonho de ser eu. Não bastasse isso, sempre tem um idiota que vem de algum lugar para esbarrar em você e fazer um grande estrago quando você está no máximo da sua fragilidade. E o que acontece? D-E-S-A-B-A. E hoje não tem quem segure porque as somas dos pesares pesam muito mais que eu nos meus próprios ombros. A crueldade humana me faz querer pertencer à outra raça. Lamento muito. Acho que talvez Deus queira me mostrar que a melhor forma de me relacionar com as pessoas seja essa forma breve, que dura 21 dias, inocentes o bastante para impedir que haja qualquer risco de um envolvimento maior o que, sem importar o tipo de relação estabelecida, encerra-se em flagelação, machucado, perca da fé. Seja por culpa minha e do meu poder auto-destrutivo, ou por outros, na uma gélida incapacidade de lidar com um outro ser humano utilizando-se pelo menos da educação. Lembro também da Espera de um Milagre, e a dor de John Coffee quando finalmente falou sobre o que acontecia na verdade todos os dias no mundo, as pessoas se matam com o próprio amor. Hoje eu consigo entender o cansaço que aquele personagem se referia, mal posso aguentar meu corpo. Alma? Está de brincadeira. Não consigo entender a lógica do que as pessoas fazem com esse mundo e uns com os outros. Se eu não viajar para algum lugar mental longe daqui não sei se poderei ficar em pé amanhã. Outro dia, eu e minha mãe falávamos de Coríntios 13, minha passagem da Bíblia preferida. passeando por essa cidade e sentindo nas veias tudo que as lembranças podem me contar através dos lugares que andei queria voltar num tempo em que eu acreditava e tinha uma fé gigante na certeza de um amor inabalável. Amor pelas pessoas. Achei que tinha me recuperado em orlando, mas a minha fé era trilhões de vezes menor que um grão de mostarda. A dor dilacera meu coração neste quarto escuro, que gira e me leva a cair. No lugar do coração, trago um buraco, cultivado a cada dia por milhares de insetos interiores. Hoje eu me pergunto, que amor é esse? Pertence a raça humana ou somente um Deus poderia senti-lo e praticá-lo? As pessoas me dão uma grande cansaço e o ideal seria dormir por dias e dias. Mas já que eu não posso e tenho que continuar não sei porque, vou girar neste quarto vazio, com meu coração vazio, apertando meus machucados, vomitando tudo aquilo que me mata e abraçando tudo que eu não entendo.
domingo, 7 de abril de 2013
Declaração de Independência.
- Esse é para te ajudar.
De hoje em diante, declaro que você nunca mais terá que tomar coca-cola zero. Faz mal para os rins. Nem comer no McDonald's quando já não aguentar mais. Ou sujar seu jeans na terra molhada do morro da Capuava, porque lá me dava paz. Você não terá que acordar domingo as dez da manhã pra preparar o café para alguém que está morrendo de fome, ou dormir de janela fechada, quando na verdade o que você gosta é de olhar o céu. Menos chocolate, e mais sorvete. Menos séries de humor e mais criminalísticas. Menos desconfianças e promessas e mais realizações.
Amém.
sábado, 6 de abril de 2013
Não tinha medo o tal João de Santo Cristo era o que todos diziam quando ele se perdeu.
Sabe andar de avião encoberto em neblina? Não dá pra ver nada, cara. Não enxergo um palmo á minha frente. Como eu previa o final de semana chegou, rasgando tudo o que há por dentro, fora e ao redor. Em uma cidade que eu não gosto não há mais nada que me prenda e por isso essas lágrimas e os socos no volante. o pé vai bem, roxo. Mas dor física nem se compara à dilaceração que está tudo por dentro. Nesse muito tempo que tenho tido para pensar me lembro sempre de uma amiga. Primeiro olho para o meu quarto que está um regaço. Penso, vou te arrumar logo. E o ânimo? Não vem mesmo. Daí eu me lembro dessa amiga. um dia ela me disse que o quarto da gente é o retrato da nossa alma. Putz! Acho que estou perdida. Lamento pela minha mãe, sabe. Mãe sempre preocupa com essas coisas. calma, ainda tenho 21 anos. essa amiga dizia também que a gente só dá conta de arrumar quarto e o armário depois de organizar as coisas por dentro. O problema é que eu não sei por onde começar e não estou querendo. esse cansaço casado com a falta de sono deixa um lilás escuro nos nossos olhos, que não conseguem sorrir, apenas úmidos. Eu estou nesse avião, porque é péssimo a sensação de estar em um, eu espalho a fumaça, mergulho na neblina, é fumaça para lá e para cá e nada. Fico me perguntando se Deus ainda tem planos para minha vida. tento ver alguma coisa de um futuro, mas que futuro? E se Ele não tiver? Eu rezo para que tudo cicatrize da melhor forma possível, mas por enquanto tudo o que vejo é nada.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Por que Talita Confusão? II
domingo, 24 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Let's go to a place where we can be alone and get some rest. ( Mark 6:31)
Se Paris fosse de algodão doce, ele seria... experimente tentar fazer marrom claro usando tinta guache. Pegue cinza, depois vermelho e mergulhe o pincel em um copo cheio de água. É a cor de Paris. Como é bom sentir frio! Paris é uma geladeira que te contamina com vida! Absurdamente, a cidade da luz é gigantescamente monumental. Quase tive de me beliscar para sentir na realidade onde eu poderia estar. E ainda tem as gostosuras. Por entre prédios gigantes, barraquinhas fofíssimas e confeitarias de boneca, escondem-se maravilhas doces. Chocolate. Morangos suculentos. Tudo isto é regado a quentíssimas e aconchegantes confeitarias de cappuccinos e cafés, porque são nos contrastes mais gritantes que as melhores coisas da vida se revelam. Ao pisar em terra firma, meus pulmões inflaram-se, inundando-se de seus perfumes. As belezas de seus rostos encantaram meus olhos. Não importa o tamanho do sonho, o sonho, ou o tempo. Sonho que se realiza sempre tem o sabor único de um waffle de nutela, o toque da brisa e o desejo desfilar. Na terra da liberdade, na época dos miseráveis, Amélie desfilei em uma pintura surrealista.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Seja Feliz
Marisa Monte
Seja feliz
Com seu país
Seja feliz
Sem raiz
Seja feliz
Com seu irmão
Seja feliz
Sem razão
Tão longa a estrada
Tão longa a sina
Tão curta a vida
Tão largo o céu
Tão largo o mar
Tão curta a vida
Curta a vida
Seja legal
Com seu amor
Seja legal
Sem pudor
Seja gentil
Com sua figura
Seja gentil
Sem frescura
Tão longa a estrada
Tão longa a sina
Tão curta a vida
Tão largo o céu
Tão largo o mar
Tão curta a vida
Curta a vida
Com seu país
Seja feliz
Sem raiz
Seja feliz
Com seu irmão
Seja feliz
Sem razão
Tão longa a estrada
Tão longa a sina
Tão curta a vida
Tão largo o céu
Tão largo o mar
Tão curta a vida
Curta a vida
Seja legal
Com seu amor
Seja legal
Sem pudor
Seja gentil
Com sua figura
Seja gentil
Sem frescura
Tão longa a estrada
Tão longa a sina
Tão curta a vida
Tão largo o céu
Tão largo o mar
Tão curta a vida
Curta a vida
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Tem gente que tem tanta facilidade em deletar. Mesmo sabendo que literalmente não deve ser fácil (não pode ser), admiro quem tem a coragem de apertar a tecla e apagar tudo. Embora tudo o que vem depois deva ser uma tarefa árdua, apertar a tecla é um salto enorme. Não consigo. Sempre tive certa facilidade em apagar as coisas ruins. Às vezes ainda deleto pequenos detalhes que para outra pessoa poderia ser importante. Mas as coisas boas, sinto falta de todas. Não consigo nem com reza brava. E olha que fervor! O inconsciente empurra tudo aquilo que queremos esquecer. É um vômito pela contramão. Só que pelos olhos. (Bem nojento mesmo!) A teimosia da alma humana me irrita escancarando que nem tudo que queremos podemos, é a graça da vida, que morre de rir da gente afinal. Pense que agora você é a tecla delete, e alguém te toca e todos seus poros vão se derretendo em pequenas partículas. Quem te apagou foi alguém que você muito quis bem. Dói tanto, demais. Agora pense que a vida empurrou seu dedinho na tecla delete. De repente as coisas e as pessoas que você tanto quer bem vão desaparecendo. É uma surra e tanto. Começar a dizer adeus a quem você ama é uma dor assustadoramente imensa e inexplicável. É estranho que ,de repente, seus queridos não estejam mais na mesma Terra que você. E falo de morte e vida. Me gela os ossos ver meus avós ficarem velhinhos e caminharem de alguma forma para uma direção oposta à minha que na verdade também será o meu fim. Mas eu não posso parar. Eu não posso pará-los. Não consigo entender que meus amigos tenham se espalhado, sumido por aí ou que eu tenha sumido de todos eles, afinal deletar está presente em todas as histórias. A vida se encarrega, mas acho que a culpa no final é mesmo nossa. Que envelhecemos e passamos a parar de lutar pelas coisas em cima de um muro mofado. E é tão difícil encontrar pessoas boas. Quer dizer, e é tão difícil deixar que alguém novo penetre sua alma. Não fazer novos amigos, não se permitir. Para mim é dificílimo. Não sei pra você. Qual a espessura dessa sua casa e desconfiança? A melhor possibilidade sempre foi convivermos todos em paz. Se é a melhor, não entendo porque não fazemos. Não vivemos. E de repente se está sentado no sofá, comendo doce de abóbora, vendo um jogo do Cruzeiro, e alguém conta uma piada quando começa a chover. Lá vem a dor. Cruel. A saudade insaciável enfraquece as pernas e não se esvai. Não podemos esquecer que nossa condenação por condição, ou não, é viver de saudade. Morrer cada dia. E sim, já pensei que tenho uma só vida.
domingo, 25 de novembro de 2012
Infinita.
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra do sorriso que eu deixei...
Domingo de um horizonte trêmulo.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Esses dias eu falava sobre placas. Sempre fui fã de fotografar todas. Placas são pontas de imaginação que podem me lembrar coisas, não deixar que eu me perca ou me levar para algum caminho. Também são capazes de me matar de raiva quando são escritas erradas. Nesse dia que eu falava sobre placas, a atividade impressa no livro dos meus pequeninos propunha a criação de justamente: um placa. Adorei. Meus neurônios deram cambalhotas. Placas abrem portas e a nossa destrancou tudo aquilo que não se pode falar dentro da casa de um burguês. Em meio as cores, as mão dadas, o amor estava tão presente que só vinha confirmar o que eu já sabia tinha tempo. Naquele momento não deveríamos estar em outro lugar. As mãos tão claras e tão verdadeiras só podiam ser de crianças. Decidimos saudar quem adentrasse nosso canto com toda a alegria de ser bem-vindo. A placa ficou bela.
Mas há os ossos do ofício. E hoje falei de placas novamente. Acho que o foda não é pendurar na porta do quarto : Don't disturb me! Porque quem perturba vem sem avisar e quem vem sem avisar às vezes traz belas flores e muita paz. O foda é colocar na porta do quarto: Don't disappoint me! Aí sim é ser rebelde, porque a decepção vem todos os dias bater a nossa porta. Daí nada-se contra a correnteza. Não falo de falsas expectativas ou projeções, falo de pessoas com a alma peqquena mesmo, aquelas que são capazes de decepcionar pela falta de um bom dia ou por uma cara mais amarrada do mundo. Decepção dói para caralho. E dói cada dia mais, deixando um buraco. Dizem os otimistas que junto com ela vem a coisa boa que é crescer. Sei lá, meu estômago dói muito.
Agora mesmo já me lembrei de outras placas. As da estrada. Que poderiam me levar muito bem para longe daqui. Encantando meus olhos com paz e com flores.
?
" ... Eu me sentia da mesma forma. Talvez nunca tivesse sido amor o que havia entre nós, mas o sentimento estava lá, forte, sincero e especial. Ali dissera que não ficaríamos juntos para sempre. No caso de Terese, bem, provavelmente não ficaríamos juntos todos os dias, mas havia algo que nos unia, algo difícil de definir, um sentimento que podíamos deixar na gaveta durante anos sem nunca duvidar de que ele continuaria lá. Talvez as coisas devessem ser mesmo assim. "
Harlan Coben - Quando ela se foi.
Harlan Coben - Quando ela se foi.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Houve um tempo em que tudo girava ao meu redor
Dos meus desejos e vontades
E todo mundo ria de tudo que eu dizia
E eu dizia um monte de bobagens
Eu achava que tinha de tudo para sempre
Que eu tinha amigos de verdade
Mas a verdade sempre vem bater à porta
A gente tenha ou não vontade
Dos meus desejos e vontades
E todo mundo ria de tudo que eu dizia
E eu dizia um monte de bobagens
Eu achava que tinha de tudo para sempre
Que eu tinha amigos de verdade
Mas a verdade sempre vem bater à porta
A gente tenha ou não vontade
Já tive carro e grana
E um monte de convites pra qualquer lugar
Hoje eu só ando a pé
Mas eu continuo a andar
E aquelas pessoas que andavam ao meu redor
Hoje escolheram uma menina
Que por enquanto acredita em tudo que eles dizem
É a mesma história toda vida
O que eu sei eu sei que ela só vai descobrir
Quando ela sair de moda
Um tropeço ensina mais do o sucesso
É tudo bem mais claro agora
Hoje escolheram uma menina
Que por enquanto acredita em tudo que eles dizem
É a mesma história toda vida
O que eu sei eu sei que ela só vai descobrir
Quando ela sair de moda
Um tropeço ensina mais do o sucesso
É tudo bem mais claro agora
quarta-feira, 11 de julho de 2012
As boas novas.
Atenciosamente,
T.L.S.L.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
sábado, 31 de março de 2012
E eu seria o instrumento de todos os outros instrumentos.
"Life is sad Life is a bust All ya can do is do what you must. You do what you must do and ya do it well, I'll do it for you." Dylan
Tenho observado, numa visão exterior, essa montanha-russa que é a vida. A vida flui a numerosos quilômetros por hora, e percebo que realmente após grandes picos, altos topos, vem uma queda abismal, uma queda que arrepia os cabelos, flutua sua vísceras no ventre, numa sensação de quase morte com vontade absurda de morrer. Acho que nesse momento, sem enxergar um outro possível fim, desaparecer é a única solução aos olhos. Mas após os abismos, talvez venha outro topo, e repentinamente está-se de pé novamente e é inacreditável a força de superação que tem o homem. Certa vez eu li que o perigo em machucar um sobrevivente é que ele sabe que pode sobreviver. Entretanto, talvez venha um looping, enorme ou não, sempre servem para te virar de cabeça para baixo, e não há nada mais desesperador para mim que estar de cabeça para baixo. O mundo te pressiona e seus miolos te tiram o sono, estouram sua cabeça. Porque o looping são os olhos fechados de tudo que a gente desconhece. Nunca se sabe se depois de um looping, subiremos de novo ou nos colocaremos em queda livre. Ultimamente tenho assistindo alguns queridos desmoronarem, pessoas que eu nunca imaginei que enfraqueceriam as pernas. Mas olha eu aqui, que já passei por tudo isso e hoje corro com pernas até fortes. Sempre fui aquela pessoa que nunca soube o que dizer, o silêncio sempre foi minha reação natural, até porque, em situações de tristeza, acho que me ouvir falando soa como um livro de auto-ajuda, o que me enoja. Mas um mistério permanece bem grande, que é o porquê de os destinos se cruzarem tão absurdamente. Sempre atribuí aos meus encontros e desencontros uma missão determinada pela vida. SInto uma espécie de amor, que atravessa o universo, e faz dos homens uma espécie de anjo. Tenho certeza que este é um motivo que permanecerá desconhecido. Mas tenho certeza que se aprendêssemos a ver, mais missões teriam êxito, e talvez fosse a solução simples para esse tipo de caos do século XXI. E já que estamos todos aqui, seria menos assustador se ao lado, no nosso carrinho de montanha-russa, alguém segurasse nossa mão.
domingo, 25 de março de 2012
" A futilidade encarrega-se de maestrá-los."
Ora amigo, não são os encantamentos que tem me inspirado, mas a revolta. Quando ouvi a expressão TROTE SOLIDÁRIO, logo meus olhos brilharam, pensei ainda haver esperança. Mas seguido o desfecho, os olhos retornaram à opacidade de antes. O cenário foi uma sala de aula, em uma universidade. Vejam só que o curso é pedagogia, responsável pela formação de professores de vários futuros. E eis que a senhora, professora dos professores adentrou a sala e contraditoriamente apontou como razão para participação em tal trote: atestado para faltar ao trabalho, ou um lanche no final da sessão de doação de sangue. Citando e concordando com Nietzsche, não há são verdadeiramente filantrópica, sendo que na prática a filantropia consiste em uma forma de busca de recompensas egoístas. Nietzsche fala isso assistindo a promessa de leveza espiritual procurada por quem pratica a caridade. Me pergunto então se meu filósofo não ficaria pasmo ao se deparar com o tipo de recompensa que o homem do século XXI busca agora em troca da filantropia. O fato é que atestado, lanche ou dinheiro em espécie, trata-se de matéria. Entretanto, se compramos e vendemos tudo, porque não a solidariedade? Em um mundo no qual o materialismo latente cresce, espande, atinge todos os campos e sentidos da existência e convivência humana, mencionar a espiritualidade e seus frutos, tal como a paz de consciência, seria ridículo, não é? Se não houver matéria, lucro, não há compensação que movimente grande parte da humanidade. E tal cultura materialista é divulgada, repassada de pessoa para pessoa, geração para geração. E dessa vez foi em uma sala de aula. E infelizmente eu, que estava na posição de aluna, tive de ouvir tamanha... asneira. Tudo o que eu quis foi voltar a fita, chacoalhar aquela mulher e alertá-la que aquela era uma sala para formação de futuros professores, que lá dentro deveria ser um espaço diferente, utilizado para cultivo de verdadeiras virtudes e ética, e que, como brasileiros que somos, sofríamos de falta de filtro e alienação, e logo aquela baboseira toda estaria nos ouvidos de diversos alunos desses mesmos professores. Infelizmente, para que uma revolução aconteça é preciso mais que uma voz, e para minha felicidade alguns risos de deboche me faziam companhia. Também deve-se primeiro integrar-se à sujeira, para depois modificar as coisas. Todo gigante tem seu ponto fraco.
terça-feira, 13 de março de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
No aguardo inútil
Acho ruim e feio cobrar, pedir, chamar a atenção.
Certas coisas não tinham que ser ditas, eram para ser percebidas. E, me
desculpe, isso nada tem a ver com expectativas. Isso tem a ver com
enxergar o outro.
Clarissa Corrêa
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.
Manoel de Barros
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
De quando a gente descobre o que não quer ser.
Os corpos vagavam naquele lugar. Logo percebi que eram apenas corpos, todos vítimas, de uma dor dilacedora assim como eu. Me identifiquei, me juntei. Aonde é que a alma se esconde nessas horas? No fundo, bem no fundo... Quase ninguém pode chegar e a gente não quer nem ver. A alma abandona o corpo e só ela que sofre, o corpo nada mais é que um simples objeto, a casca mais espessa que nos faz permanecer como zumbis. Passei a ser só copro, flutuando pesadamente. Mal podia conter minhas pernas. O corpo se controla sozinho, rumo à auto-flagelação. Acordei sobre meu próprio vômito. Daí a alma ficou triste, sangrou, hemorragicamente falando. E o corpo já não respondia. Não dormia, não comia, não sentia frio. A água tava gelada e a pele nem aí. A alma também ficou revolta, gelada, nem aí, afundada na sua própria dor já não se importava com nenhuma coisa além de si. O corpo agora era sujo, um lixo. A existência me doía, a imagem no espelho ficou difusa, a ressaca dura além do dia seguinte. Às vezes é preciso - na verdade não é preciso porcaria nenhuma, pois a dor jamais cicatriza e o tempo não volta, a vida ainda segue e te arrasta com ela - trilhar o caminho dos erros para se inventar o próprio pecado. Traí então todas as minhas orações de todos os dias de manhã, destruí minha vida, e as de outras pessoas. Faltava tanta alma. Achava que aqueles corpos de cenário eram uma exceção num mundo que ainda era bom. Na verdade percebi que já haviam centenas de músicas que cantavam aquela paisagem, que traziam a tendência da auto-destruição. A marcha caminha para a extrema superficialidade, para a ausência de alma e de bondade. Todos éramos regras nesse mundo corroído pela dor de uma existência vazia, material. Eu que sempre acreditei que o mal e o bem habitam igualmente em cada um de nós, era só escolher, bebia agora de um arrependimento dantesco. O mundo carece urgentemente de pessoas de alma grande, que ainda acreditem em milagres e em amor. Ao contrário disso essa existência vazia e confusa não teria justificativas. Seríamos como zumbis a caminhar desordenadamente por uma natureza destruída por nós. É certo que eu nunca soube o que fazer da vida, mas isso eu não quero ser. "Vou subir o morro, enquanto ainda tenho pernas."
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Eet, it, shit.

It's like forgetting the words to your favorite song.
You can't believe it; you were always singing along.
It was so easy and the words so sweet.
You can't remember; you try to feel the beat.
ou spend half of your life trying to fall behind.
You're using your headphones to drown out your mind.
It was so easy and the words so sweet.
You can't remember; you try to move your feet.
EET.
=(
domingo, 2 de outubro de 2011
Uau!
Lágrima:
sf 1. saudade na forma líquida; 2. mistura de água do mar com alma moída; 3. secreção aquosa expelida através dos canais lacrimais quando se espreme o coração; 4. felicidade que escorre pela face; 5. estrela cadente que despenca do céu dos olhos de quem ama; 6. motivo da existência de lenços brancos; 7. resultado da fusão de sentimentos contraditórios quando submetidos a altas temperaturas; 8. nome comumente dado ao fim de um romance; 9. momento que antecede o adeus; 10. pedaço de ontem; 11. antônimo de desprezo; 12. matéria-prima das jujubas; 13. grande inspiração dos poetas; 14. fado de Amélia Rodrigues; 15. na Europa, folha que cai da árvore quando chega o outono; 16. na infância, associada ao berro, alarme de fome; 17. na velhice, fome de colo; 18. névoa úmida que cobre o mundo quando chove dentro da gente. (Ex.: “Não, isso não é lágrima, não. É que a felicidade virou mar dentro de mim e a maré acabou de subir”.)
André Gonçalves
sf 1. saudade na forma líquida; 2. mistura de água do mar com alma moída; 3. secreção aquosa expelida através dos canais lacrimais quando se espreme o coração; 4. felicidade que escorre pela face; 5. estrela cadente que despenca do céu dos olhos de quem ama; 6. motivo da existência de lenços brancos; 7. resultado da fusão de sentimentos contraditórios quando submetidos a altas temperaturas; 8. nome comumente dado ao fim de um romance; 9. momento que antecede o adeus; 10. pedaço de ontem; 11. antônimo de desprezo; 12. matéria-prima das jujubas; 13. grande inspiração dos poetas; 14. fado de Amélia Rodrigues; 15. na Europa, folha que cai da árvore quando chega o outono; 16. na infância, associada ao berro, alarme de fome; 17. na velhice, fome de colo; 18. névoa úmida que cobre o mundo quando chove dentro da gente. (Ex.: “Não, isso não é lágrima, não. É que a felicidade virou mar dentro de mim e a maré acabou de subir”.)
André Gonçalves
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Minhas bodas de algodão.
Tempo é ternura. Perder tempo é a maior demonstração de afeto. A maior gentileza.(...) O tempo sempre foi algoz dos relacionamentos. Convencionou-se explicar que a paixão é biológica, dura apenas dois anos e o resto da convivência é comodismo. Não é verdade, amor não é intensidade que se extravia na duração.Somente descobriremos a intensidade se permitirmos durar. Se existe disponibilidade para errar e repetir. Quem repete o erro logo se apaixonará pelo defeito mais do que pelo acerto e buscará acertar o erro mais do que confirmar o acerto. Pois errar duas vezes é talento, acertar uma vez é sorte. Acima da obsessão de controlar a rotina e os próximos passos, improvisar para permanecer ao lado da esposa. Interromper o que precisamos para despertar novas necessidades.Intensidade é paciência, é capricho, é não abandonar algo porque não funcionou. É começar a cuidar justamente porque não funcionou. Casais há mais de três décadas juntos perderam tempo. Criaram mais chances do que os demais. Superaram preconceitos. Perdoaram medos. Dobraram o orgulho ao longo das brigas. Dormiram antes de tomar uma decisão.Cederam o que tinham de mais precioso: a chance de outras vidas. Dar uma vida a alguém será sempre maior do que qualquer vida imaginada.
Fabrício Carpinejar
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Osciloscópio.

Que eu busque sempre a simplicidade.
Confundi facilidade com simplicidade. Facilidade tem a ver com o caminho, amplo e sem obstáculos. Simplicidade tem a ver com a alma que se conduz por qualquer caminho. Na labuta ou no descanso, o simples sabe se portar sem perder sua essência. Facilidade é promessa, futuro vazio, estátua de sal. Simplicidade salta, rasteja se for preciso, mas não desmancha. O perigo sempre foi embaralhar uma com a outra. E já é tão difícil, neh? Tenho a leve impressão que ser simples nunca foi fácil, assim como amar e permanecer apesar de todas as coisas que tentam te fazer parar. Algo me diz que ser fácil, nunca foi ser feliz. Ser fácil, é fácil e só. É como cair no vácuo.
Como eu descobri que eu te amo? Vinha do seu cheiro queimando minhas fornalhas. Passou por meu coração e entrou nos teus ouvidos. O carinho fuxicou e o escuro espalhou magia. Eu te amei na sua presença e não precisa mais nada que a eternidade de dois corpos deitados, juntos, transpirando o calor que a vida do outro emana. Mas veio também a sua ausência. Enquanto estive sozinha, slides de milhares de fotografias que tirei bem de perto, polaroide. Projeções escuras de um lugar sem você e sem os seus. Veio da dor de derreter do que se provou milagre, do que nós fizemos milagre. Com você, aprendi a não desistir. Eu quero permanecer e te guiar para casa. Vou ser tua casa, você já mora em mim. Amor é sempre, sublime, subliminar.
- O caminho mais fácil, nem sempre é o melhor que o da dor.
Olá, Setembro!

Gosto de você porque você tem feriado, geralmente chove e as flores... Ah!
As flores colorem esse cerradão da gente.
Passei Agosto rastejando, o corpo todo coberto de pó e os pulmões secos.
Agora quero ficar verde, correr na chuva e dar muitos frutos.
Senhor, hoje eu tenho uma prece: que o azedo desse mundo não destrua o que sobrou de doce em mim.
E que as promessas de vida se cumpram.
Amém.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Cheiromorfismo
Sentimento é que nem planta xerófita. Eis que nasce, do nada, num deserto. Acha o chão que combina e pronto. E se a gente não rega, ele permanece. E se a gente ignora, ele cresce. E se a gente tenta sufocar, ele cresce e quem sufoca somos nós . Cresce cada dia mais, no esconderijo. Dá flores, frutos e espinhos e nos deleitamos em cada um deles. Seus ramos vão rompendo barreiras, quebrando as barreiras, demolindo as barreiras. Nada de não. Nada os interrompe, nem caatinga, nem rotina, nem sertão. Até que não possamos mais ignorá-los, afinal, existem cactos de quase vinte metros de altura. E isso porque eles nascem no descaso total da natureza, na tentativa de homicídio constante. Estão lá, bem no fundo de nosso estômago, na eminência de nos fazer perder o controle de vez. Cactos deveriam se chamar teimosia, mas de tão teimosos que são, teimam em se chamar amor.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
"Vida fácil, fácil, fácil."
Acho que tenho retribuído a vida com muita raiva, nem vou me aprofundar se não me afogo em pessimismos. Enfim ela me deu em troca: uns dias de molho, devo continuar a trabalhar porém nas horas de folga, alço voo. Meu corpo tá arrebentado esses dias, nem agulhas chegam à minha dor. O que era de dentro foi pra fora e como dói, carah. Enfim, tenho tido tempo pra pensar. Hoje vim pra agradecer a oportunidade daquela rotina gostosa que a gente vive quando é criança, e principalmente os rituais, que faziam crer e esperar que todo dia fosse Natal. Valeu pela oportunidade,vida.
Outra coisa, qualquer dia desses você podia me devolver o Cazuza. Ou me emprestar ele.
Tô tentando fazer o que eu posso com o que você fez de mim, mas tá difícil.
sábado, 13 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Seta.
Segredos de liquidificador. Minha cabeça liquidifica, mistura. Quem sou eu? O estômago embrulha. Castrar deve ser o rumo da redenção. Pós-vida, porque nessa vida não há. Sem jeito, a gente morre todo dia aqui. O que a vida quer de mim? Outra parte pior também é enterrar os medos. Vamos nos segurar, porque o horóscopo previu impulsão. Não se pode ter impulsos quando se é um adulto. Mais um comum, me tornei. Isso. Não aquilo, não imaginava um monte de coisa na minha vida e aconteceu. Trem sem freios, mas no trilho. Que é pra ser. A vida é triste meu amigo, e a gente se sufoca a cada dia. No fim, a pele nem é lisa mais. Só as asperezas das cicatrizes. Uma merda só, danada. Será que sua vida, leitor é tão ruim? Será que é só comigo. Deve ser carma. E nas minhas mãos a destruição, a capacidade de bagunçar tudo. E carregar uma culpa enorme. Aquela gente livre, ficou na lembrança. Agora dei meus pulsos, por isso me atei. O jeito é ficar quieta. Não se pode machucar assim os outros. A prece que fica, é que meu passado seja feliz, muito feliz. Quem sabe assim, poderei ressurgir. Quem sabe a vida, depois dessa, sei lá aonde, seja bonita. Os cheiros corroem minhas confusões. Me afasto de meu Cazuza, cada vez mais. Espero que ele esteja num lugar bom, na eternidade e que me conheça quando eu chegar lá. Nesse mistério, eu não vali a pena. Nem valho.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Um mês sem feriados.
Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro- e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco.É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante:ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir,dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus,
fica a suspeita de sinistros angúrios , premonições.Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem:qualquer problema , real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos- ou precauções-úteis a todos. O mais difícil:evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade...Esquecê-lo tão
completamente quanto possível(santo ZAP!):FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o
seu dentista. emoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros,
juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire , a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas- coisas assim são eficientíssimas, pouco me
importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente nãose deter de mais no tema. Mudar de assunto,digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco: .
Caio Fernando Abreu
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir,dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus,
fica a suspeita de sinistros angúrios , premonições.Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem:qualquer problema , real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos- ou precauções-úteis a todos. O mais difícil:evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade...Esquecê-lo tão
completamente quanto possível(santo ZAP!):FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se avida não deu, ou ele partiu- sem o menor pudor, invente um.Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o
seu dentista. emoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros,
juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se , e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques-tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire , a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas- coisas assim são eficientíssimas, pouco me
importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente nãose deter de mais no tema. Mudar de assunto,digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco: .
Caio Fernando Abreu
"- que todo grande amor, só é bem grande se for triste..."
Suspicious Minds
Elvis Presley
We're caught in a trap
I can't walk out
Because I love you too much baby
Why can't you see
What you're doing to me
When you don't believe a word I say?
We can't go on together
With suspicious minds
And we can't build our dreams
On suspicious minds
So, if an old friend I know
Drops by to say hello
Would I still see suspicion in your eyes?
Here we go again
Asking where I've been
You can't see these tears are real
I'm crying
We can't go on together
With suspicious minds
And we can't build our dreams
On suspicious minds
Oh let our love survive
Or dry the tears from your eyes
Let's not let a good thing die
When honey, you know
I've never lied to you
Mmm yeah, yeah
Elvis Presley
We're caught in a trap
I can't walk out
Because I love you too much baby
Why can't you see
What you're doing to me
When you don't believe a word I say?
We can't go on together
With suspicious minds
And we can't build our dreams
On suspicious minds
So, if an old friend I know
Drops by to say hello
Would I still see suspicion in your eyes?
Here we go again
Asking where I've been
You can't see these tears are real
I'm crying
We can't go on together
With suspicious minds
And we can't build our dreams
On suspicious minds
Oh let our love survive
Or dry the tears from your eyes
Let's not let a good thing die
When honey, you know
I've never lied to you
Mmm yeah, yeah
domingo, 24 de julho de 2011
Vem aí Joana D'arc, agora sem mim.
Minha cidade é do tipo tradicionalista, com opções restritas e hábitos sociais concretos. Nesse contexto, viveu por anos um "bar-casa-de-show", ponto de encontro durante muito tempo na noite anapolina. Deixo bem claro que este não é um hino de exaltação à Anápolis, nem gosto de viver aqui e pretendo sair logo. Ontem, depois de muito tempo sem sair anoite, fui com meus amigos nesse local e chegando lá tive uma surpresa: era a noite "saideira", o bar fecha definitivamente suas portas. Meus pés saíram do chão, voltei minha história há alguns anos atrás, fui sepultando minhas memórias, estraçalhando cada pedaço, cheia de dor. Minha adolescência escreveu um romance longo, conturbado e emocionante naquele chão. E eu estava ali e vivi cada momento mágico, e agora só posso contar tudo depois. Lá vivi reencontros inesperados, chorei amores, senti frio de tanta saudade, vi decepções com meus próprios olhos, conheci um príncipe encantado... sempre muito bem acompanhada pelos melhores amigos que alguém poderia ter. Fiquei de ressaca no dia seguinte. Não é apego material, aliás, é apego ao abstrato, àquilo que eu não posso mais tocar, àquilo que hoje é só lembrança, por isso é tão difícil dizer "tchau". Senti-me chorosa como se alguém destruísse meu museu pessoal. Olhei o teto, nem quis mais dançar, quis tragar meus últimos minutos de uma bela história. Quis respirar cada gota de suor que eu e meus amigos derramamos ali, quis absorver cada detalhe nas paredes, nos quadros, nos lustres, na falta de luz... As coisas da vida vão mudando, vão ficando mais tristes. As pessoas mudaram, eu mudei, fiquei distante, de olhos afundados. Lamento muito, pois é mais uma coisa da qual sentirei saudades. Completei 20 anos o último dia 17, fase adulta selada e hora de dizer adeus à juventude. Minha história confundiu-se com a história daquela construção. A noite estava gelada, quis ir embora. Talvez, quis partir para não derramar ali mesmo as lágrimas da despedida. Tocava "Suspicious Mind", do Elvis. Eu adorava aquela música.
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