terça-feira, 7 de julho de 2009

Tão cliché.

Mãe Terra me fez comum: aparência, voz, sorriso, talento, beleza... tudo comum. Odeio ser comum. Nascer comum é destino, ser comum é escolha. Passei a vida toda me esquivando de jargões. Sou cansada de saber que sou o verme da pulga do mamute gigante chamado vida. Sou nada, uma miséria perdida nesse universo lindo. Escolhi trilhar esse cenário comum com aventuras diversificadas e tentar fazer de meu rastro um pouco de diferença nessa imensidão de história. Pois paguei a minha língua, moço! O jargão me pegou! Maravilho-me diante da dominação que meus sonhos de travesseiro exercem sobre minha sobriedade. Estou apaixonada mais uma vez, seu moço! Passei a vida toda amando platonicamente e certamente aprovo mais o sabor das coisas reais. Gosto do toque, do concreto, do alcance dos olhos. Numa dessas noites atrás, quando meu amor ainda era segredo, erro, imperfeição, me refugiei em minha fronha de Mickey. Meu amor veio me visitar no sonho. E mesmo que em sonho, poderia ter sido um sonho mais real, mas não foi. Meu amor desembarcara por fim num aeroporto lotado por seus queridos. Adentrou o saguão com ar sublime, forte e a mesma travessura de sempre nos olhos. Abraçou sua mãe e seus familiares, passando por mim como se eu fosse um vidro transparente... numa sem-gracisse notória; mas mesmo assim seus olhos teimaram à sua timidez e rolaram pros cantos do rosto, me fitando de lado ... gelando minha espinha. Abraçou, beijou e berrou com todos seus outros amigos presentes, exceto eu, claro. Chegara a hora de deixarmos o aeroporto e irmos para casa. Saímos todos juntos, com uma jóia recém chegada. Ao abrir a porta, estava chovendo para a surpresa geral. Todos recuaram pra não se molhar, e eu que nunca tive medo de tempestades permaneci, e meu amor também. Eu e ele no palco principal com uma plat[eia gigante dois passos atrás de nós. A chuva veio para lavar aquela estranheza de um reencontro tempos depois. Havia uma poça e uma poça guardava todo registro das memórias que juntos viveram algum dia. Num segundo só nossos olhos se encontraram, percorrendo o mesmo caminho de lado que deslizaram no saguão. Timidez fora embora, e deu um contorno curvo e brilhante e sapeca naqueles olhinhos puxados. Meu amor me deu a mão e pulamos juntos na poça de chuva, cheirando a carro, asfalto e óleo... Se açúcar tivesse nome, seria o seu, e nessa chuva que já nos embalou nas madrugadas de nosso amor telepático, não te derreteu. E mesmo tirando-me o chão, deu-me a sensação de maior vividez já provada. Nossos olhos congelaram-se uns nos outros. Vi seus contornos, suas contrações, seus brilhos e me dei conta de que já não havia mais platéia. Só havia eu, você, um céu azul gigante, a poça de chuva e o calor de suas mãos nas minhas. E daí.. o jargão nessa história? Dentre as mil formas que poderia ser, nosso primeiro beijo fora em um sonho dentro de outro sonho. Sepulto aqui este sonho de fronha de Mickey na corrida para seus braços. Paguei minha língua, e mesmo que não aja realidade alguma, foi numa fantasia que eu adorei ser beijada. E adivinhem só? Mais uma vez... contra tudo o que eu pensava. dá-lhe senso comum! Aqui jaz: " O primeiro beijo, dá-se com os olhos."


te amo toin toin... não me destrua como uma faca cortando as etapas.

2 comentários:

Lari'Lissa Aisha disse...

Se vc for comum, o que seria algo belo e novo?

-medo.

mas como tudo na vida, as coisas sao relativas e so sao de fato o que vemos.
- eu nao vejo assim.

=p

acho vc tao linda, tao tudo... ( parei)
Lissa

primaverasdesetembro disse...

tem problema se eu não achar que foi tão clichê?
agora diz que não.por que eu ameizin, achei lindin..essas coisas de ficar transparente perante a pessoa, eu já senti de perto.
flores.