quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Coisas para se dizer a um estranho.






Queria te dizer que seus cabelos em carcóis circularam a luz do dia, como se seus centros fossem a fonte de tudo que ilumina. Que de todos os espirais que cruzam meu caminho, teus cachos foram os mais belos. Nossos espirais crescem juntos como corpos adolescentes. E sei bem que também és tornado. Quem dera se você soubesse que tua pele é mais que clara, faz-se branca e branco é a cor da paz. Não percebes que tens a paz em si? Pois como um paradoxo,você foi silêncio que calou a avenida à suas costas. E será que essa infinitude de pintas desenhou-te uma capa fria e morta... quente e viva... Não senti. Sei que uma gotinha de suor deslizaria por ela sem grandes obstáculos até atingir o chão. Será que nesses lábios pequenos e pálidos caberia um beijo ardendo em paixão? Agradou-me muito teu jeito de fazer bom uso da fala mansa e comum, de humanidade que saiu desses mesmos lábios e não vomitou bobagens, elaborando cada frase como quem evita um desperdício importante. Como eles comeriam? Aposto que em mordidas pequenas e demoradas... como quem ama comer. Queria te dizer que tuas roupas largas dançam num tom delicado, esparramadas em teu corpo esguio... contudo, seu baile não remete a uma orquestra, nem tampouco a sapatilhas pontudas... dançam mesmo como quem anda sobre rodas, descendo e subindo ruas... E as mãos ainda guardam impressas as dobrinhas de bebê, como àqueles anjos impressos em artigos de papelaria. Olha como quem olha para baixo, após uma desilusão... vagam banhados em dor, berrando interrogações, com sede de algo como vingança ou clamor de quem teve os sonhos roubados e despedaçados. Ah! Se soubesses que teus olhos destoam da suavidade de tua obra... fazendo-te moldura abstrata renascentista.Queria dizer-te que você foi a beleza que me despertou de um longo período de sono. Que foi você o meu salvador da feiura, como um tapa que arde no rosto mostrando a beleza.Pura. Que ainda existe. Não deixe que teus cachos derretam na fumaça de teus labirintos. Cuida-te estranhamente por mim, como quem não se conhece e nunca mais se vê.

4 comentários:

Chiz disse...

Um texto recheado de licenças poéticas...

Talita Confusão! disse...

Eu pensei em escrever poesia. Mas não sei brincar com ela em forma de poema. Não coube, daí resolvi fazer algo estranho, como a sensação vivida, que troxesse a liberdade de forma que a mesma criatura que me inspirou. Ih... realmente, o poeta não foi fingidor por completo. Paz e flores. =)

primaverasdesetembro disse...

me apresenta esse menino chacheado, que é pra me dar as mãos e seguir?

Flores

Talita Confusão! disse...

hauihauiauiiua apresento sim.. se eu vê-lo novamente por aqui..