quinta-feira, 12 de março de 2009

Sobre os olhos.


Outra coisa que está na categoria das "coisas que eu mais admiro na natureza" são os olhos e seu jogo mágico de cores e expressões. O olho, que tanto achamos belo, na verdade é uma venda... e não falo de falsidades e afins.


É interessante e óbvio que o tempo muda e cabe a nós mudarmos com ele ou permanecermos estáticos presos a nossa falsa moral intacta. Certamente já imaginou-se deficiente físico ( pois metafísco já somos demasiadamente). De todas as deficiências físicas eu costumava temer a deficiênia visual. Achava mais fácil nascer e morrer cego; mas o fato de nascer vendo e tornar-se cego me assustava demais. Enfim, cegueira era sofrimento e só. Imagina a dro de não poder mais ver um pôr-do-sol, o rosto de quem se ama, o espetáculo de um arco-íris. Sim, essa perda dói. Mas a cegueira me revelou outro lado de suas faces. Caríssimos, a cegueira é uma benção! Como seria um mundo cego? Começaremos pelo tato ... o deficiente visual precisa tocar as coisas, sentir sua textura, seu calor ... para reconhecê-las. A falta de tato seria exterminada pela sua necessidade. Cada toque nos dias de hoje, age como um choque, algo proibido, pecado, perda de tempo para um mundo que só age... sem parar para respirar. Não são só os carros que estão blindados, os seres humanos estão mais blindados que eles. ( Duvida? Sua palma da mão está aí o tempo todo, mas você dificilmente a sente presente. Vé me frente e procure sentí-la! Verás que é um sentimento bem novo.) Cada manhã acordo querendo pintar meu dia de uma cor distinta do dia anterios, mas não posso fazer isso pois as cores são concretas, vende-se em lojas e custam dinheiro. Cego, minhas paredes, as flores , os olhos ... poderiam ser repintados pelo que me é direito ... colorir pela emoção, minha ou do outro. Acreditar no que o outro fala é coisa rara, pois insistimos em nos mascarar pelos medos... da efemeridade das coisas, do sofrimento, da decepção ... Por onde anda a tal da Confiança? Certamente escondida atrás daquele costume de "não ouvirmos, mas apenas esperar nossa vez de falar." Depender dos outros seria a alforria de libertação do nosso mais rígido casulo de egoísmo. Depender não significa acomodar. O cego tem de lutar mais e ir perto das coisas, contando tantas vezes com a cumplicidade alheia, mas no fim.. ele anda apenas com suas pernas. Sobre o cheiro? Ah.. o cheiro ... aquele amigo que se desintegrou com o emaranhado dos "fast-foods"e matou o cheiro do pão de queijo quente ... do café com leite em casa, do suor, do sexo, das flores, da urina, do cabelo da sua mãe... do meu, do seu ... Cheiros disfarçados por perfumes caros, detergente e desodorantes que no fim deixa tudo com um cheiro de shopping, de embalagem reciclável que anestesia e faz dormir o olfato humano. O espelho... seriam todos quebrados para alívio geral! Aquele mosntro que salienta os "defeitos" ( que na verdade são apenas a diferença, a beleza fundamental e individual) e nos faz querer ser iguais, padronizados, agradar a visão de outrem para satisfazer o ego. Não existe beleza, existe padronificação. Num mundo cego dificilmente haveria tantos padrões fúteis. Poderíamos nos vestir daquela roupa que tanto dizem ser ridículas mas que nos deixa tão bem e confortáveis. Não compraríamos tantas roupas e acessórios excessivos, pois aquele mesmo detalhe poderia ser repintado várias vezes pela nossa imaginação. A vida deveria ser simples, mas a complexidade de ser observado o tempo todo e não saber lidar com isso, sufocou seu real sentido. Não enxergaríamos tantos sonhos comuns que no fundo não é nada daquilo que combina com você, e não seria tão louco ter seu próprio sonho, seu próprio passo. O que mais me irrita é a confusão predominante de confundir amor com desejo, que num mundo sem visão repousaria na sua falsidade. O amor despertaria de seu longo sono e nos ensinaria que amar é amar o ser amado e não o desejo. Amores mais profundos, menos brutos.. crescentes na curva de cada detalhe íntimo sentidos de perto. O beijo teria mais gosto, os ingredientes daquela receita seria sentido no seu paladar. Tudo não teria um gosto uniforme do todo. veja só que contradição! É necessário perder a visão para se ver verdadeiramente os detalhes. Cazuza já catnava essa vida oposta que se escancara aos meus olhos. São pelos olhos que os outros sentidos tornam-se deficientes, esconde-se a delícia. Pior que adormecer os sentidos, é ter a visão perfeita e fingir que não se vê.

5 comentários:

Fermata disse...

"O pior cego é aquele que não quer ver." Muito cliche, porem, mais que real. Eu aprendi a fechar os olhos para ver melhor, para sentir melhor. O beijo de olhos fechados não é simplesmente porque vemos na TV que deve ser assim, é a fonte para se chegar ao sabor divino de amar. Eu já senti isso inumeras vezes, e graças eu dou aos céus porque achei na pessoa que eu amo a forma de sentir esse sabor sem ao menos tocá-la. Basta fechar meus olhos.

ps.: eu odeio espelhos. (rss)

Chiz disse...

Olá, Talita.
Hoje eu descobri que vc é uma das seguidoras do Música no Elevador e fiquei contente. Como não lhe conhecia, vim prestar atenção nesse mundo seu, que é um moinho...
Abração.

saraghina disse...

Oin!
http://oinutil.blog.com
beijo
flr

saraghina disse...

ps:
caralho talita, quero muito perder horas a fio filosofando contigo!
beijodaflor

Talita Confusão! disse...

Flor, eu não entrava aqui há tempos. Não vi seu comentário, perdão.

vamos ver aquele filme com filosofia.
=*