segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ashes (Cinzas) - Munch


Nunca vi nada que falasse sobre o depois do "felizes para sempre". Todo filme, toda novela, todo romance acaba assim, e arrastamos a vida à procura dessa ... não diria ilusão pois é completamente alcançável, diria fase. Sim, senhoras e senhores, aquele amor impossível, que luta, que cresce, que sobrevive e que cai nos seus braços em um dia tão sonhado é apenas uma fase da vida. Eu gostaria realmente que o "felizes para sempre" fosse o ponto final da vida, mas isso só acontece na ficção, a vida não acaba aí... pelo contrário, começa-se um novo ciclo e sua estabilidade me assusta. Acho que já atingi esse ponto magno da inocência, do sonho e da paixão ... e agora me respondam poetas, cineastas, diretores : o que fazer agora? É cômico essa desilusão. Busco a chave, o ponto que deixa o pós-final-feliz tão oposto ao início do que se chama amor. Diga-me onde se esconderam as palavras depois de tanto tempo de casamento daquele casal tão divertido e apaixonado? Depois que se tem o causador dos seus devaneios noturnos nos braços, sem mistério e completamente seu ... onde foram esses devaneios e essa insanidade que deixava tudo com gosto de novidade, de proibido, de conto-de-fadas. Digo pra quem defende que contos-de-fadas não existem que eles existem sim, o que não existe é aquela cena eterna de dois seres totalmente deles mesmos deitados lado a lado se amando intensamente ... tudo bem que eles podem ficar na cama durante dias, até uma semana quem sabe... mas o que os livros não contam é que o ser humano tem fome, tem sede, tem de ir ao banheiro, escovar os dentes e ir trabalhar. O que os filmes não contam é que o amado tem defeitos e manias, que podem claramente ser objeto de atração mas que no fim da convivência torna-se o estopim de uma discussão, duas discussões, um tempo longe, um beijo evitado, aumento da carga horária no trabalho, sumiço total das palavras... triste fim de relacionamentos. O curioso é que existem relacionamentos que mesmo tendo a sensação de que ambos são completamente estranhos um ao outro ou raivosos na relação, eles evitem que ela se finda ... continuam juntos, porém escandalozamente distantes, daí vem-se justificativas de servir a uma tal de sociedade de aparências que eu não entendo a lógica pois implica fingir, atuar e isso custa caro. Paga-se atuação com infelicidade, e sinceramente nunca quis isso para mim. Mas, existe outra coisa que tenho observado para tal postura além dessa hipocresia social: dependência. depender de alguém para sorrir é bom... para confidenciar algo é belo ... para ouvir a serenata que você preparou com tanto carinho, para dividir a cama ... tudo bem. Dependência construtiva! Mas a rotina que esfria os relacionamentos traz outro tipo de dependência, a dependência que te impede de ser você mesmo, que compra sua liberdade pois quando se apaixona devemos ceder, passamos a ser um do outro tão completamente que perdemos o prazer de faezr o que fazia de nós "eu" e, apesar de não nascer pregados nos amados assim o fazemos e sem eles perdemos o chão, e mesmo estando infelizes , as vezes não buscamos o término ou uma nova oportunidade de ser feliz por estarmos reféns do envolvimento e não sabermos em que chão pisamos sozinhos. você esquece de sonhar sozinho, mete os pés pelas mãos, assume responsabilidades que não te permite mais escapatória. Passam-se anos, passa-se a vida e morre-se triste. Sinceramente relacionamento devia ser paixão, e conversas e risos e durar enquanto essa adrenalina durasse, mas não, persistimos prolongar e tudo acaba insuportávelmente irritante, até deixarmos de acreditar no amor. Se encarássemos os fatos sem tanta cobrança de eternidades, se ficar com alguém por promessas deixasse de ser obrigação, infildelidade não existiria, pois infidelidade para mim é atração, mas empurrado pela falta de asistência. Mais belo ainda seria acabarmos todos amigos, pois dividir a cama com alguém é ser muito íntimo daquela pessoa para acabar apenas porque a paixão se foi. Visto que amor é paixão e amizade de mãos atadas, é óbvio que diante de tantas estradas uma hora as duas mãos irão se desatar e seguir rumos opostos, e aí devemos seguir junto com a amizade porque de guerra o mundo já está saturado. Mas isso seria sabedoria demais para esse mundo cão! Seria evolução demais... só sei que não seguirei esse curso e correrei léguas se preciso for para viver eternamente apaixonada. Chamem do que quiser, eu chamo de "carpe diem". Mil paixões, mil universos, uma vida bem vivida. Que me rotulem como Confusão!, já não me importo mais, pois agora sei o que quero e amo o que sei, "ondes queres um lar, revolução". Cá me lembro Vinícius de Moraes e seus nove casamentos e seus incontáveis amores intensos, que o deixaram morrer feliz e com a sensação de ter o mundo nas mãos...

2 comentários:

.RTA disse...

Em algumas coisas concordo. Mas penso que o que vc esta passando agora seja fase. e que também, vc ja fez a escolha de viver com alguém, então pq? Amor de verdade existe, e ter alguém perto de você para conversar e ser seu amigo quando preciso é bom(sei disso pois tenho alguém assim) Você sempre terá duvidas, insegurança e muitas outras coisas. Mas tudo de ruim substitui o que é bom? pois quando se ama alguém, não tem só coisas ruins.Espero que eu tenha te ajudado hoje, mas eu não havia lido esse texto antes. Construa algo diferente com alguém que seja diferente. Vai ver que nem tudo é rotulado como o que você vê.

Fermata disse...

Na minha opniao, o feliz pra sempre realmente nao existe... existe a eternidade do sentimento dentro de quem ama. ^^

Beijo
=****