quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

"Perdendo os dentes."


Já viu puta beijar a boca do cliente ternamente ou vender filme pornô de beijo na boa? Não. A verdade sobre o beijo é que é muito mais íntimo que o sexo. No beijo você sente o outro por completo, a respiração, os poros se encaixando, a temperatura, a personalidade, o sentimento.É em um beijo que os amantes de um romance chegam ao ápice de seu amor. No sexo você só precisa de tesão , é você obtendo prazer por você mesmo.

Você vai à grife para comprar roupa, vai ao restaurante para comprar comida, vai ao bar para comprar bebida ... vai ao Orkut para comprar expiação da vida alheia e fofoca e tudo é movido pelo comércio afinal somos capitalistas. Compre, compre, compre, até se sentir completo. Completo de quê? E essa insatisfação incoerente de não se sabe o que te move para frente com a propaganda e a promessa de que “quando comprar o carro do não será feliz e satisfeito”, mas daí nasce outro ano e outro carro do ano e você se move para comprar infinitos carros do ano e percebe que está vazio e que a felicidade prometida é uma farsa. Brindamos então a indústria inesgotável do materialismo! O que me entristece é ter consciência dessa merda toda e mesmo assim estar impregnada desse ar repugnante. O grande escândalo em questão não é a ditadura do compre produtos mais e mais, afinal os produtos existem justamente para serem comprados mais e mais, é relação de causa e conseqüência, justíssima aliás. O escândalo é em que coisa fútil e material o consumismo transformou nossas emoções. Sendo emoção indiscutivelmente subjetiva, não deveria haver comércio objetivo sobre essa coisa conotativa das emoções. Emoção é feita para ser sentida, expressada, demonstrada. Contudo, no mundo capitalista ganha mais quem produz mais numa maior efemeridade de tempo, sentir exige tempo, não dá lucro e é sinônimo de fracasso. Mas o que vejo e faço é ir a todos os lugares não mais para dançar ou pelos produtos. Vamos para comprar beijo na boa, e o preço pode ser destruir a você mesmo e acabar punindo-se eternamente por sua própria consciência ou dos outros, ou ficar vazio simplesmente por fazer a outra parte envolvida sofrer, e se apaixonar e pagar na mesma moeda. Atrás da capa bonita e perfumada que passeia por aí existem olhos tentando simplesmente fugir de ser eles mesmos, fugir do sentir, e ser aceito pela sociedade, seguir o ritmo desenfreado do consumismo das emoções. O beijo tornou-se o alimento da vaidade , do ego. Quem mais é desejado mais é vangloriado, por si só e pelos outros. Auto-estima e status são diretamente proporcionais à quantidade de beijos sem sentido e sentimento que se ganha. Nunca fomos vítimas do materialismo pois optamos por ele, afundamos nele com nossas próprias mãos . Beijo era pra ser demonstração de afeto ou consumação dele, e não consumo. O beijo na testa seria respeito; na bochecha, cumplicidade; nos olhos, confiança; na ponta do nariz ... inocência; no queixo, intimidade; nas mãos, servidão e lealdade; nos pés, humildade e na boca, paixão. Ao dizer que beijos não são contratos Shakespeare não disse “beijo não significa nada” ... ele disse apensa que o amor, o sentimento por trás de um beijo não precisaria ser rotulado, nem cobrado, para ter significado, para existir e se consumar. Tudo isso foi substituído pelas mil bocas das noites de micareta ou pela barraquinha do beijo das festas juninas. Sei bem o que é um beijo. O beijo é um laço de sentimentos, desejos, e conhecimento em relação ao outro. Mas mesmo assim ajo em total desacordo com o que penso, sinto e sei. Essa é a lei do século: que reine a hipocrisia! Não conheço simplesmente por ter lido em livros ou assistido em filmes, sei do significado de um beijo porque já amei, e de fato não soube amar, não soube conciliar o meu saber com a pregação do mundo. Sou completamente apaixonada por beijo na boa, mas de um tempo para cá tenho buscado ou vivido beijos apenas pelo roçar na boca, por uma noite, só pelo físico, puramente por vaidade e falsa concepção de liberdade. Percebo que todos os beijos, no final da noite, foram só bocas que me aproximaram da solidão, que não me deram um mínimo de prazer, que eu nem estava lá de fato. É disso que eu tenho vergonha e nojo de mim mesma e de meus companheiros. O beijo bom que eu tanto buscava eu não encontraria na técnica dos beijoqueiros de plantão por aí, ele estava o tempo todo na boca do meu amor. Não adiantaria criar mil possibilidades de romances sendo que eu não estaria sentindo aquilo de fato, nem dormindo e nem acordada, em coma. É preciso ás vezes notar o valor das coisas pela sua ausência. Não suporto mais minha face canalha. Eu que tanto busquei ser diferente acabei caindo no lugar comum. Que eu sinta falta do beijo, do amor por trás do beijo, do seu beijo, e sinta na sua ausência seu verdadeiro valor. Mando meu vício para quarentena, em busca da cura, pelo menos de mim mesma
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2 comentários:

Lari'Lissa Aisha disse...

Esses dias brinquei de comunidade, coisa que eu nao fazia dsd que criou-se o orkut.
e foi bom...
as que mais gostei comecava assim
- Tem dias que eu acordo....
e logo depois vinha uma palavras estranha, bunita.. feliz... e etc... que as palavras podem ser.
VC conhece todo meu drama de bjo*

- as vezes eu acordo em dias nublados... e mais interessante que os dias com cores, pq eu vou colocando as cores que eu qser, um coelho branco, uma blusa amarela, uma calca Lilas, un vans xadres, eu vou catando ali e aqui e fazendo o meus dias crescer j'a que ele nao nasceu*

te amo

Ana Lívia de Moraes Rodrigues ♥ disse...

Era tudo que eu precisava ler depois do meu vazio carnaval ¬¬'